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Cuba reafirma soberania e independência face a «mentira e ameaças» dos EUA

26.04.2019
 
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Cuba reafirma soberania e independência face a «mentira e ameaças» dos EUA

O governo de Cuba pediu à comunidade internacional e aos norte-americanos que travem a escalada agressiva da Casa Branca, que aposta no recrudescimento do bloqueio económico imposto ao país caribenho.

Numa declaração emitida ontem à noite pelo Governo Revolucionário, Cuba qualificou como «irracional» a política de hostilidade da administração de Donald Trump, tendo lembrado o isolamento internacional dos Estados Unidos no que respeita ao cerco que impõe à maior ilha das Antilhas há quase seis décadas.

«Os estados-membros das Nações Unidas, com toda a razão ano após ano, reclamam de forma quase unânime o fim desta guerra económica», lê-se no documento com que o governo de Cuba respondeu às novas medidas de Washington, ontem anunciadas, para vergar Havana.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, anunciou a activação do Título III da Lei Helms-Burton - uma iniciativa aprovada em 1996 e que visa levar à mudança de regime em Cuba, sobretudo por via da asfixia económica, colocando-o sob tutela colonial.

Com a activação anunciada, os EUA autorizam a apresentação de processos judiciais em tribunais norte-americanos contra entidades cubanas e estrangeiras fora da jurisdicção dos EUA. No Twitter, Pompeo escreveu que, a partir de 2 de Maio, cidadãos norte-americanos podem abrir processos judiciais contra pessoas que negoceiem em «bens confiscados pelo regime cubano» - entenda-se «nacionalizados» pelo governo revolucionário de Cuba -, numa tentativa de travar o investimento estrangeiro no país caribenho.

O anúncio da activação desta «cláusula» gerou o repúdio quase imediato do Canadá e da União Europeia (UE), uma vez que parte substancial do investimento estrangeiro em Cuba é proveniente do país norte-americano e de estados-membros da UE.

Por seu lado, o Conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, divulgou outras medidas restritivas para enfraquecer a economia de Cuba, voltando a limitar o envio de remessas dos cubanos residentes nos Estados Unidos para os seus familiares na Ilha, restringindo ainda mais as viagens de cidadãos norte-americanos a Cuba e anunciando mais sanções financeiras. A Nicarágua e a Venezuela também foram alvo do endurecimento das sanções impostas pelos EUA.

Recurso «à mentira e à chantagem», como de costume

Na declaração divulgada pelo Granma, o governo cubano acusa a administração norte-americana de pretender «justificar as suas acções, como já é hábito, com a mentira e a chantagem», nomeadamente no que respeita às relações bilaterais entre a Ilha e a República Bolivariana da Venezuela.

A este propósito, o documento afirma que «deve ficar claro que as calúnias dos EUA se apoiam numa completa e deliberada mentira», e que o país que «mantém mais de 250 mil soldados em 800 bases militares no estrangeiro» tem «provas mais que suficientes para saber que Cuba não tem tropas nem participa em operações militares de segurança na Venezuela».

O governo cubano sublinha que «nenhuma ameaça de represália», nenhum «ultimato ou chantangem» irão «alterar a conduta internacionalista» do país, do mesmo modo que não o fizeram quando «Cuba apoiava os movimentos de libertação em África» e «os EUA apoiavam o ignominioso regime do apartheid».

Quando passam 58 anos sobre a Invasão da Baía dos Porcos e sobre «a primeira derrota do imperialismo na América», Cuba reafirma que «a sua soberania, independência e compromisso com a causa dos povos da América Latina e das Caraíbas não são negociáveis».

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