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Uma fissura no cofre suíço

26.01.2010
 
Pages: 123
Uma fissura no cofre suíço

(A Crack In The Swiss Vault)

Tradução de Luiz Leitão

Bradley Birkenfeld, talvez o primeiro banqueiro suíço a falar publicamente sobre a famosa indústria do segredo, forneceu informações “inside” (de dentro) que possibilitaram descobrir milhares de contas não tributadas na Suíça, em seu ex-empregador, o Banco UBS.

Os titulares das contas eram americanos e, até agora, nenhum deles foi preso. Mas Birkenfeld será conduzido a um presídio federal dia 8 de janeiro, para cumprir uma pena de 40 meses, que ele considera não merecer, diz ao correspondente de 60 Minutes Steve Kroft em sua primeira entrevista, que foi ao ar em 3 de janeiro de 2010.

"Eu entreguei a eles o maior caso de fraude tributária do mundo. Expus 19.000 criminosos internacionais. E eu vou preso por isso?" questiona Birkenfeld. Quando lembrado por Kroft que ele era quem possibilitava aos clientes violar a lei, ele responde : "E eu sou o único a ser preso. Entre 19.000 titulares de contas e nenhum banqueiro suíço."

Segundo Thomas Perrelli, procurador-geral associado dos Estados Unidos, as informações dadas por Birkenfeld ajudaram os promotores a identificar "as contas que formavam o núcleo das fraudes." As informações levaram o UBS a fazer um acordo com o governo americano que incluíram o pagamento de uma multa deUS $780 milhões. Mas, em virtude de Birkenfeld não ter inicialmente informado a respeito de seu maior cliente americano, ele foi processado. "Se ele tivesse se antecipado e nos contado tudo o que sabia…no verão de 2007, acreditamos que ele provavelmente não seria processado," disse Perrelli.

Seis americanos titulares de contas off-shore no UBS declararam-se culpados mas não foram sentenciados a prisão. Raoul Weil, o executivo do UBS então encarregado das operações de gerenciamento de fortunas, foi indiciado, mas é foragido da Justiça na Suíça. Martin Liechti, cidadão suíço , principal banqueiro privado do UBS, foi detido em Miami por quatro meses, por um mandado de testemunha material, mas acabou autorizado a deixar o país em agosto. Ele nunca chegou a ser acusado nos EUA.

Em sua entrevista a Kroft, Birkenfeld revela aspectos pouco conhecidos das atividades de um banqueiro suíço, inclusive os tipos de serviços que ele prestava aos clientes, como o de “personal shopper " em nível de concierge." Comprar coisas valiosas é um meio de o cliente ocultar e movimentar recursos, mas Birkenfeld diz que estava apenas servindo aos clientes à maneira dos banqueiros Suíços . "As pessoas lhe pediam para fazer compras por elas, possivelmente até um carro, ou um chalé; um belo relógio.Então, você providenciava o que cliente desejava em linhas gerais e lhe entregava o que fora escolhido,” conta a Kroft. "O encontro poderia dar-se num quarto de hotel, ou em outro país."

Houve um caso, em que ele comprou diamantes para um cliente americano, transportando-os para o páis do freguês escondidos dentro de um tubo de pasta de dentes. Birkenfeld diz que as pedras não valiam mais de US$10.000, e não precisavam ser declaradas à alfândega, logo, nenhuma infração legal. Então, Kroft pergunta, "Se era legal, por que você os escondeu no tubo de pasta? “Aquilo está me causando problemas, "responde ele.” Oh, era só um jeito de os carregar sem perdê-los."

Perguntado por Kroft "Você não estava tentando escondê-los da alfândega?" "Não,"diz, "de maneira nenhuma."

O maior banco da Suíça forneceu às autoridades informações outrora sagradas a respeito de seus clientes americanos; pistas fornecidas por um denunciante, que conta a Steve Kroft os segredos que os banqueiros suíços jamais revelaram.

Comprar diamantes e outras coisas valiosas são apenas algumas das maneiras de esconder e transporter valores, e Birkenfeld insiste em que ele apenas prestava um serviço aos seus clientes, o que os bancos suíços normalmente fazem, em essência.

"As pessoas lhe pedem que faça compras por elas, um carro, um chalé, um belo relógio. No final das contas, é um serviço de compra de coisas valiosas com entrega em domicílio,"explica Birkenfeld.

"E onde seria o local dessas escolhas?" pergunta Kroft.

"Poderia ser em seu quarto de hotel, ou talvez em outro país. Até mesmo em Genebra, na própria Suíça," diz Birkenfeld.

"Então, você era uma espécie de não apenas de banqueiro, mas, também, um comprador pessoal?" perguntou Kroft.

"Você faz…, num nível elevado, o papel de concierge," responde.

N.do T: Concierge é o funcionário de um hotel que guia clientes, orienta, dá indicações de lugares, quase um despachante de luxo.

Birkenfeld alega que os motivos que o levaram a procurar o Departamento de Justiça foram, principalmente, “altruísticos”. Ele se ofereceu para usar um microfone oculto nas roupas para coletar provas contra executivos de alto nível do UBS em troca de imunidade por suas transgressões, mas as negociações não foram adiante.

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