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Venezuela, o Socialismo que Deu Certo

25.08.2017
 
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Venezuela, o Socialismo que Deu Certo

Nesta semana chegam à Venezuela as 60 mil toneladas de trigo enviadas, por navio, pelo governo russo em 9 de agosto, como parte da cooperação contra o boicote econômico que sofre a nação caribenha pelo regime de Washington, em parceria com Bogotá, Cidade do México e Madri.

Edu Montesanti (*)

O embaixador venezuelano na Rússia, Carlos Faria, postou no Twitter que a remessa era "um impulso para a cooperação russo-venezuelana. Um golpe à guerra econômica". 

A remessa russa deste produto à Venezuela é o primeiro na história, e se dará mensalmente a partir de agora, segundo acordo feito entre Caracas e Moscou em maio deste ano. "Nesta semana, a primeira carga de trigo russo - o melhor do mundo - chegará", declarou nesta quarta-feira (23) o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, à rede Venezolana de Televisión

Tem havido escassez de trigo e seus derivados, tias como pão, especialmente durante estas últimas semanas em que a nação viveu centrado na Assembleia Constituinte, maior participação popular do mundo na vida política do país, algo inimaginável em países onde mesmo manifestações populares são dificultadas pelas respectivas leis nacionais, tal como Estados Unidos onde além do mais é habitual a repressão contra protestos de rua pacíficos.

O governo acusa os empresários importadores de alimentos de provocar propositalmente a escassez das mercadorias para gerar o descontentamento da população. "Foi difícil combater a máfia do trigo", afirmou Nicolás Maduro

"O governo e a Assembleia Nacional Constituinte estão trabalhando em um amplo plano econômico. Vamos reforçar a distribuição de alimentos. Já estamos importando trigo da Rússia, por exemplo", acrescentou o mandatário venezuelano.

Antecedentes da Guerra Econômica


Bastante semelhante ao que ocorreu com o Chile de Salvador Allende na primeira metade dos anos de 1970, o atual boicote econômico dos Estados Unidos à nação que possui as maiores reservas de petróleo e inúmeras outras riquezas naturais, tem-se dado desde que Hugo Chávez assumiu o Palácio de Miraflores, em 1999.

A seguir, duas das mais emblemáticas dessas sabotagens do regime de Washington, bem conhecido por seu esforço criminoso em minar democracias ao longo da história:

No início de 2014, em meio aos violentos protestos denominados guarimbas perpetrados supostamente de "estudantes", uma das principais lojas da Venezuela, a Daka, passou a aumentou o preço de seus produtos em até 1.000%. A Pablo Electrónicos, em até 2.000%, tudo isso tornando os produtos inacessíveis para a grande maioria da sociedade.

Nicolás Maduro tomou medidas: fez o comércio praticar preços justos, com margem de lucro que não pode ultrapassar os 30% sob risco punição, de acordo com dispositivos constitucionais. A regulação dos preços gerou intensas críticas entre oposicionistas e a mídia internacional, mas fizeram com que o presidente, evidentemente, ganhasse popularidade entre a sociedade. Pelos grandes meios de comunicação, o presidente da Venezuela acabou tachado de ditador e de demagogo.

Após o fracassado golpe de 11 de abril de 2002 comprovadamente arquitetado e financiado pelo então presidente norte-americano George Bush apoiado pela oligarquia venezuelana, quando Chávez acabou sequestrado por menos de 48 horas até retornar ao poder sob maciça pressão popular, em 2 de dezembro as elites locais, uma vez mais respaldadas pelo regime de Washington, simplesmente paralisaram a indústria petrolífera do país.


Leia: Golpe na Venezuela Ligado à Equipe de Bush [tradução exclusiva do jornal britânico The Guardian (role a tela)]: http://edumontesanti.skyrock.com/6.html


Através de sabotagem de 60 dias nas operações da estatal Petroleos de Venezuela (PDVSA), entre falecidos, feridos, desempregados houve prejuízo da ordem de quase 20 bilhões de dólares ao governo venezuelano, que evidentemente sofreu tremendamente as consequências de mais um forte golpe à economia e à democracia.

 

Vídeo (o que a grande mídia sempre se recusou a noticiar): Povo exige retorno de Chávez, 13 de abril de 2002: https://www.youtube.com/watch?v=3shX6a2MDHE

 

13 de abril de 2002: Povo venezuelano exige retorno de Chávez, sequestrado em golpe de 48 Horas. Mais um dia em que a sociedade e a democracia venceram a guerra midiática e o Imperialismo: "O povo chegou a este Palácio [presidencial] para não sair mais" (Hugo Chávez, no retorno do sequestro). Nove anos mais tarde, Chávez receberia para morar temporariamente no Palácio presidencial cerca de 200
famílias sem-teto que haviam perdido suas casas, vítimas de torrenciais chuvas, até dar-lhes novas moradias

 

O Socialismo que Deu Certo

 

Enquanto a Polícia Federal do Brasil de Temer, apoiado por Washington, padece de falta de papel para a impressão de passaportes por incompetência governamental - e sem nenhum clamor por parte das cínicas classes dominantes, as mesmas que aliás condenam falsas ditaduras de outros povos enquanto até reivindicam, na maior cara de pau, ditaduras dentro de casa (pouca ignorância é sempre uma grande bobagem entre os espíritos reacionários tupiniquins) -, na vizinha Venezuela, com todas as dificuldades decorrentes de um dos mais intensos boicotes econômicos em todo o mundo, apresenta resultados ímpares reconhecidos pelos mais respeitados organismos internacionais.

 

● Estado livre do analfabetismo segundo declaração da Unesco em 2005. Até agora, são cerca de 3 milhões de pessoas alfabetizadas pós-governo bolivariano, inclusive nas línguas indígenas;

● Assistência médica e educação gratuitas e acessíveis a todos. Antes de Hugo Chávez assumir a presidência, o país contava com 20 médicos para cada 100 mil habitantes; atualmente, este número está acima do dobro de doutores disponíveis: 65. O governo bolivariano construiu mais de 13.721 clínicas em bairros que, anteriormente, o Estado não alcançava, e o sistema público de saúde conta com 95 mil médicos;

● Para a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe), a Venezuela era um dos países mais desiguais da América Latina pré-governo bolivariano, e hoje o país é o menos desigual da região;

● Desde que assumiu o Palácio de Miraflores em 2013, o presidente Maduro, que em 2014 foi o líder mais popular da América Latina segundo pesquisa da (Colômbia), já elevou o salário mínimo acima da inflação 17 vezes - a última em janeiro deste ano, em 50%, proporcionando ganhos reais aos trabalhadores. Durante os últimos 16 anos dos governos da chamada IV República concluídos em 1999, em que a oposição esteva no poder, produziu-se nove ajustes salariais, enquanto que ao longo destes primeiros 17 anos de Revolução Bolivariana implementou-se, até agora, 37 aumentos;

● Apesar do forte boicote econômico que enfrenta, e contrariando a velha retórica da raivosa e retrógrada ultra-direita latino-americana a qual prega que ações sociais são gasto e não investimento, o governo da República Bolivariana da Venezuela aprovou para 2017 aplicação de 73,6% do Orçamento Nacional, estimado em 8,4 bilhões de bolívares (847.9 milhões de dólares), em projetos sociais, fazendo avançar o socialismo do século XXI (trata-se dos maiores investimentos sociais da América Latina);

 

● Desde 2011, o governo venezuelano já entregou quase 1,4 milhões de casas populares. Tais números representam quase a mesma quantidade de moradias construídas pela oposição, em 40 anos (muitas delas inconclusas, com espaço reduzido ou até mesmo, no país que possui as maiores reservas petrolíferas do mundo, sem serviços básicos);

● Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) para a Alimentação e a Agricultura (FAO), sob a presidência de Chávez a Venezuela reduziu em 75% a proporção de pessoas em pobreza extrema, e com Maduro tornou-se exemplo mundial no combate à fome e à desnutrição: erradicou a primeira com mais de 3 anos de antecedência em relação às Metas do Milênio estipuladas pela ONU (2015), e a segunda já foi reduzida de 13,6 para 2,4 nos anos de governo bolivariano. Em julho do ano passado, o presidente venezuelano foi premiado pelas Nações Unidas na Europa, por tais conquistas;

● Entre 1999 e 2016, a pobreza extrema apresentou queda livre como em nenhum outro país da região: de 21% em 1999, despencou para 4,4% da sociedade em 2016. E os níveis de pobreza foram reduzidos de 49% a uma taxa de cerca de 20% da sociedade hoje;

● As pensões estão garantidas após apenas 25 anos de trabalho. Os que trabalham na economia informal têm pensão do Estado garantida. Há ainda programas de capacitação profissional, e ajuda a pequenas e médias empresas;

● O aumento da geração de empregos bate recorde em 20 anos na Venezuela;

● Segundo a professora da Universidade Central da Venezuela, Mariclein Stelling para a revista Caros Amigos (novembro de 2012, pág. 12), "[A sociedade local hoje] Têm direitos a ter direitos. Não somos mas uma sociedade submissa, esperando um favor de uma escola. Aqui já existe um processo de pró-atividade política. Antes não era assim, o pobre era sempre pobre e não tinha vontade de crescer. As pessoas sabem o que é controle social, o que é poder popular, já estão organizadas em coletivo".

● A educação é gratuita e acessível a todos, do ensino básico ao universitário. A Venezuela é o segundo na América Latina e o quinto no mundo com as maiores proporções de estudantes universitários que cresceu em mais de 800% no governo bolivariano, com cerca de 75% da educação superior pública que faze do país latino-americano com o maior número de universidades públicas. Os estudantes têm computadores portáteis e tabletes de uso gratuito para os estudos. Hoje, 60% dos professores venezuelanos pertencem à rede pública, com salário elevado na última década;

● Os meios de comunicação, especialmente comunitários, expandiram-se em todo o país, dando mais espaço para a expressão de vozes diversificadas, respeitando inclusive as diferenças culturais da Venezuela;

● O aceso à Internet tem aumentado consideravelmente, e o governo bolivariano também tem construído centenas de "infocentros" públicos com acesso a computadores e conexão à Internet gratuita em todo o país.

Como diz a socióloga canadense-venezuelana Maria Páez, "qualquer país no mundo que sofresse um oitavo do que os venezuelanos têm sofrido, o governo local já teria caído há muito tempo". O grande pilar de sustentação do governo de Maduro, além da Constituição mais democrática do mundo já em 1999 elaborada e aprovada pelo povo livre de partidos políticos e das elites locais, assim como a atual Assembleia Constituinte, é a própria sociedade.

Sem dúvida, o apoio russo, sobretudo moral e através da Inteligência esmantelando as sucessivas tentativas de golpe contra o governo de Caracas, é outro fundamental pilar de sustentação, desbaratinando e assustando Tio Sam diante de forças russas bem conhecidas do Império mais terrorista e covarde da história.

"O Império espanhol também subestimou consistentemente a resiliência e o propósito do povo venezuelano, e não sem razão, ele é chamado 'el bravo pueblo'", conclui a socióloga, observando que o socialismo não apenas é viável, como tem sido exitoso apesar da guerra econômica e midiática como no caso venezuelano - mídia aliás tão criticada, sabidamente manipuladora porém, no final das contas, formadora de opinião dos mesmos milhões de cérebros lavados que a criticam. Sintomas de um mundo ao inverso.

Por isso tudo, há motivos de sobra para se acreditar no brado de Maduro em altíssono com seu povo: "Viveremos e venceremos!". Venezuela, esperança da humanidade neste trágico século XXI, em que o sistema capitalista esborrifa seus últimos suspiros de dominação e exploração, apoiado sempre na desinformação, aienação e idiotização em massa.

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(*) Edu Montesanti é autor de Mentiras e Crimes da "Guerra ao Terror" (2012). Escreve para Revista Caros AmigosPravda BrasilPravda Report (Rússia), Telesur English (Venezuela) e Global Research (Canadá). É tradutor dos sítios de Abuelas de Plaza de Mayo (Argentina) e Revolutionary Association of the Women of Afghanistan. www.edumontesanti.skyrock.com 

 


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