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Absurdo expansionismo econômico

22.12.2016
 
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Além de ignorar que a natureza é o limite da economia, o sistema econômico dominante, em sua estúpida mania de almejar expansionismo econômico como paradigma mor de prosperidade e sucesso, continua cada vez mais não se dando conta que os limites do planeta Terra impõem à atividade econômica um severo freio.

Marcus Eduardo de Oliveira

Freio esse desrespeitado face a falsa urgência, ditada pelo mercado, de fazer com que as economias modernas alcancem crescimento econômico infinito, condição essa irreal e fantasiosa que ronda o imaginário de alguns economistas desconectados da realidade.

É um absurdo permitir e estimular o expansionismo da atividade de produção nos mais diversos setores de atuação da economia, sabendo-se que a Terra é limitada quanto ao fornecimento de matéria e energia.

Decorre disso que a ciência econômica se fecha, pois, numa visão míope acerca da problemática ambiental, como se o funcionamento da própria economia ocorresse no "vazio", sem interação alguma com os elementos da natureza, sem "dependência" dos serviços ecossistêmicos.

Ademais, ignora-se, por completo, que o primeiro e o mais importante valor da economia é a natureza, provedora de recursos que faz com que a própria economia sobreviva.

Por isso, colocando-se numa condição de superioridade a tudo, principalmente em relação às leis da natureza, a atividade econômica parte da ideia central de dominação e transformação do sistema ecológico, o que agrava sintomaticamente a saúde do planeta, cansando sobremaneira a Terra.

O que a economia tem feito com a natureza? Essa é uma das principais perguntas que a escola neoclássica, fascinada pela teoria macroeconômica voltada ao crescimento, não responde com clareza, porque na verdade oculta a existência conflitual entre os sistemas econômico e ecológico.

Por isso sempre cabe enaltecer os pensadores que colocam o dedo nessa ferida, cada vez que esse assunto vem à tona.

Dono de uma visão bem abrangente dessa conflituosa relação entre "produzir economicamente" e "preservar o meio ambiente", Pierre Rabhi, pensador francês de origem argelina, destaca que "há muito tempo a economia não passa de uma pseudoeconomia que, em vez de gerir e repartir os recursos comuns da humanidade manifestando uma visão a longo prazo, se contenta, em sua busca de crescimento ilimitado, em elevar a predação à categoria de ciência".

Continua Rabhi argumentando que, por isso, "o laço filial e visceral com a natureza foi rompido", tornando essa apenas "uma jazida de recursos a ser explorada - e a ser exaurida".

O que a economia faz, em nome de um falso progresso, com base na expectativa não menos irreal de que o crescimento físico (leia-se mais e mais mercadorias produzidas) das economias assegura boa vida a todos, é subjugar completamente a natureza aos seus ditames, colocando-se, portanto, "acima" dessa, o que leva a desfigurar-se o semblante da natureza para atender ao processo produtivo que, por sua vez, obedece cegamente às ordens do mercado de consumo.

É essa a resposta que a escola neoclássica não se atreve a oferecer, fazendo o possível para ocultar o conflito entre o modo de produzir e a necessidade de proteção ao meio ambiente.

Não enfrentar essa questão é se curvar ao absurdo do expansionismo econômico - leia-se crescimento físico das economias modernas - que tem nos colocado frente à mais séria crise ecológica dos últimos tempos.

O expansionismo das economias, vestida, pois, com as cores do crescimento econômico, avolumando e abarrotando cada vez mais o mundo de coisas materiais, vai aos poucos colocando em primazia e consagrando a cultura da abundância, fazendo com que o excesso do "ter" seja superior a necessidade do "ser".

É assim que se "vende" a ideia central de que a própria felicidade pessoal só pode ser conquistada na prática do "sempre ter mais".

Isso tudo está na base da ideologia moderna do progresso que consagra o supérfluo e o excedente e que nos aprisiona a um modelo em que o dinheiro dita as regras e determina o que é riqueza, pobreza, miséria, infelicidade e felicidade.

Assim, o dinheiro, com força hercúlea, parece ter se tornado a única unidade de medida comum. Quanto a isso, é oportuno trazer outra contribuição de Pierre Rabhi, quando questiona, hoje em dia, o significado da "economia".

Em outras palavras, Rabhi coloca que a economia não sabe fazer outra coisa a não ser buscar a melhor forma de fazer o máximo de lucro. Justamente por isso, para expandir sua capacidade produtiva, esbarra no absurdo do expansionismo econômico.

Nas palavras de Rabhi, "fazendo do planeta uma jazida de recursos que deve ser explorado e transformado em dólares".

Há absurdo maior que isso?

  

Marcus Eduardo de Oliveira é economista e ativista ambiental 

prof.marcuseduardo@bol.com.br

 


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