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Desrumando a metrópole

22.11.2015
 
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A pretensão de reeleger-se do atual prefeito paulistano denota sua total alienação com respeito ao sentimento de repulsa absoluta despertada na maioria do eleitorado e da população da cidade por suas desatinadas ações.

Iraci del Nero da Costa*

Incompetente como Ministro da Educação, o poste plantado por L. I. da Silva revela-se um prefeito despreparado e desarvorado que impõe à capital paulista um governo política e administrativamente inteiramente caótico e infinitamente distanciado das necessidades da metrópole e de seus habitantes.

Pedalando por ciclovias instituídas sem o necessário planejamento - algumas delas impõem ao ciclista inclinações absurdamente elevadas ou passam defronte de escolas votadas à educação infantil ou ao ensino fundamental -, o dirigente municipal, e aqui lembramos alguns casos apenas a título de ilustração, estreita ou fecha em determinados dias vias de intensa utilização, altera atabalhoadamente as velocidades máximas permitidas em trajetos cruciais para a vida da cidade sem preocupação com o necessário enquadramento dos demais usuários de tais caminhos, não cumpre no momento previsto todos os repasses ou  permite que a Prefeitura de São Paulo os efetue sem a devida licitação, desarticula creches, não cumpre os programas prometidos em sua campanha eleitoral e, sem fazer ideia de sua impopularidade, tenta desqualificar seus críticos e assume atitudes as quais, segundo sua alucinada percepção, atendem, como avançado, a uma estapafúrdia estratégia que garantiria sua reeleição.

Enquanto isso, a desgraçada metrópole, percorre seu descaminho e, a cada passo, apequena-se na mesma medida da imensa dimensão de seus avolumados problemas.

Mesmo assim, há pessoas que não descartam de todo a reeleição do atual prefeito. Sobre essa possibilidade aventurou-se um comentarista da Folha de S.Paulo a propor um raciocínio audacioso; depois de reconhecer o alto porcentual da rejeição de F. Haddad pela população paulistana concluiu sua coluna com a seguinte afirmação: "A favor de Haddad, deve-se dizer que ele também largou mal em 2012. No início do ano, oscilava entre o sexto e o sétimo lugar nas pesquisas. Em outubro, venceu a eleição." (FRANCO, Bernardo Mello, "Haddad na fogueira", Folha de S.Paulo, Primeiro Caderno, p. A2, 19/05/2015).  O autor de tal comentário, cujo teor não decorreu de uma análise estatística, deixou de chamar a atenção do leitor para a evidência de que o baixo nível porcentual observado no início da campanha eleitoral de 2012 estava vinculado ao fato de imensa parcela do eleitorado desconhecer o perfil político-administrativo do poste que estava a ser infincado na cidade por seu malfadado padrinho. Assim, em pesquisa divulgada pelo Datafolha em novembro de 2015 a administração de F. Haddad foi tida como boa ou ótima por apenas 15% dos pesquisados, outros 34% entenderam sua gestão como regular enquanto 49% dos paulistanos ouvidos a consideraram como ruim ou péssima (Cf. "Haddad tem sua pior avaliação", Folha de S.Paulo, Caderno Opinião, p. A1, 02/11/2015), tal valor representa a pior avaliação alcançada pelo prefeito; já o porcentual de intenção de voto vigorante nos dias correntes (12% e quarto lugar)(1) reflete o conhecimento adquirido pelos eleitores no correr da desastrosa gestão de F. Haddad. Tratava-se, antes, de um poste ainda desconhecido, agora impera a rejeição a um gestor apoucado, de um pobre poste derruído por seus próprios deméritos.

Como avançado acima, o caos dominante na vida paulistana representa a transposição para a metrópole da estrutura absolutamente confusa do cérebro do administrador municipal o qual se tomou como gênio inovador que, na verdade, vê-se conduzido pelas alucinações de um trapalhão desmiolado o qual, em termos administrativos, coloca-se no mesmo plano do governador do Estado Geraldo Alckmin (PSDB), cuja empáfia e arrogância(2) não conseguem encobrir a pequenez de um político desqualificado pertencente a um partido igualmente desacreditado o qual abrigou integrantes que cometeram o imperdoável crime de comprar votos para garantir a reeleição de FHC.

O risco imposto por um mequetrefe deste naipe é dos maiores; em face disso a reeleição de F. Haddad é vista como muito pouco provável por um grande número de eleitores, de analistas políticos, de adversários partidários e mesmo por parcela não desprezível de apoiadores e integrantes do próprio PT; infelizmente, tal percepção incita a toda uma súcia de arrivistas a pleitear seu posto o qual é considerado vago a contar das próximas eleições municipais.

Assim, se as eleições de 2016 são desejáveis a fim de se ejetar o atual entulho revelam-se perigosas, pois o atual prefeito apalhaçou de tal maneira seu posto que seu sucessor poderá provir de um grupo  anódino de despreparados. 

 

NOTAS

1 Esta colocação foi considerada "humilhante", em maio de 2015, pelos dirigentes do PT. Diz Bernardo Mello Franco na mesma coluna citada acima: "Se a eleição fosse hoje [maio de 2015], avaliam dirigentes do partido [PT], Haddad correria sério risco de amargar um humilhante quarto lugar."  

2 Tal postura, vincada por uma desprezível soberba, ficou mais uma vez evidenciada pelo tratamento emprestado pelo governador Alckmin em sua tentativa de impor a reorganização da rede pública estadual de ensino, prevista para ser implantada em 2016 e que enfrentou forte resistência por parte de alunos e professores.

 

 

* Professor Livre-docente aposentado da Universidade de São Paulo.

 


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