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Comércio exterior: novos rumos

22.08.2015
 
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Indicado com quatro anos de atraso, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, tem feito o que pode para que as exportações e importações voltem a funcionar como indutoras da retomada do crescimento econômico. Como se sabe, o País, até dezembro de 2014, viveu 12 anos de uma política externa inconsequente que tentou encontrar alternativas para uma possível dependência econômica em relação aos Estados Unidos.

 Adelto Gonçalves (*)

O resultado foi um desastre na corrente de comércio entre os dois países, como mostram os números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC): em 2002, o Brasil importou dos EUA US$ 10,2 bilhões FOB e exportou US$ 15,3 bilhões FOB. Em 2014, o País importou US$ 35 bilhões FOB e exportou US$ 27 bilhões FOB. Ou seja, de superavitária em US$ 5,1 bilhões em 2002, a corrente de comércio tornou-se deficitária em US$ 8 bilhões em 2014.

Importações maior que as exportações

Em 2015, segue na mesma toada, ainda que em menor intensidade: até julho, o Brasil importou US$ 16,5 bilhões e exportou US$ 14,1 bilhões, registrando um déficit de US$ 2,4 bilhões. Maior mercado consumidor do planeta, com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 17,7 trilhões em 2014, o normal é que os Estados Unidos sempre comprem mais do que vendam para os seus parceiros. Com essa situação deficitária na corrente de comércio, mais parece que o Brasil é o país desenvolvido e os Estados Unidos, a nação emergente.

Tentativa de aumentar exportações para os EUA

É para corrigir essa distorção que, desde que assumiu, o ministro Armando Monteiro tem- se empenhado em buscar uma reaproximação com os Estados Unidos, procurando aumentar as exportações para aquele país. Desde já, porém, as dificuldades são muitas, pois não adiantam apenas manifestações de boa-vontade. Sobrecarregadas de custos, as indústrias brasileiras, na maior parte, perderam o poder de competição. Ainda que a depreciação cambial tenha trazido algum apoio à competitividade dos produtos nacionais, até agora os benefícios da desvalorização do real tem produzido benefícios pouco visíveis. É de se ressaltar que o saldo comercial só tem ficado positivo porque as importações caíram 19,5% até agora, enquanto as exportações diminuíram 15,5%.

Além de acertar a ampliação de seu acordo comercial com o México, o Brasil, finalmente, parece perto de concluir um tratado entre Mercosul e União Europeia, que inclui o aumento do intercâmbio com a Alemanha e um grande plano de concessão e investimento em logística que prevê grande presença de empresas belgas. Como as exportações de commodities de minério e produtos agrícolas para a China estão em fase de desaceleração, só resta buscar alternativas. O que se espera é que os possíveis desdobramentos da crise política que atinge o governo não sejam suficientes para jogar por terra todo esse esforço do MDIC.

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(*) Adelto Gonçalves, jornalista especializado em comércio exterior, é doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

 


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