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Comércio exterior: perspectivas

20.01.2017
 
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SÃO PAULO - Se a bola de cristal do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) não estiver avariada, em 2017 haverá recuperação das exportações e importações e superávit no mesmo patamar do registrado em 2016, de US$ 47,7 bilhões, o maior da História do País. O panorama visto assim da ponte, não seria desanimador. Pelo contrário. O problema é que, em razão da crise em 2016, tanto as compras de outros países quanto as vendas externas foram as menores desde 2009, ou seja, o que houve foi um "superávit negativo".

Milton Lourenço (*)

            Na verdade, o resultado positivo recorde só foi possível porque, enquanto as exportações recuaram 3,5% em relação a 2015, as importações sofreram ainda mais e caíram 20,1% na mesma comparação, caindo quase cinco vezes mais que as exportações. Por causa da crise e da menor demanda por bens, as compras do Brasil no exterior recuaram 20,1%. Como se dizia à época feliz de nossas vidas, quando alguém tentava ganhar um jogo na base da tramóia ou de uma manobra pouco ética: assim não vale.

            Por isso, o MDIC nem deveria vir a público exercitar esses números, com o objetivo indisfarçável de apresentá-los como prova de que o comércio exterior brasileiro está reagindo à crise. Afinal, não é o superávit na balança comercial que gera atividade econômica para o setor, mas a corrente de comércio. E esta não reflete hoje um bom momento. Pelo contrário. Desde 2014, não há aumento da corrente de comércio. Portanto, é preciso trabalhar muito para que esses números sejam apresentados como reflexo de um cenário econômico positivo.

            Essa situação difícil pode ser constatada também em outros números. Por exemplo, as importações de bens de capital (máquinas e equipamentos), que sinalizam o interesse das empresas em investir, somaram US$ 18,3 bilhões em 2016, registrando uma queda de 21,5% em comparação com 2015. As compras de bens intermediários (insumos para elaboração de produtos) de outros países também apresentaram redução de 14,9% em relação a 2015, somando US$ 84,9 bilhões.

            Caíram, entre outras causas, porque a demanda por bens do exterior - entre os quais estão insumos e bens de capital, usados na produção industrial - recuou em função da crise econômica que se instalou no País como resultado das administrações desastrosas que caracterizaram os últimos governos. Para piorar, as vendas ao exterior caíram principalmente em razão da redução de preços das commodities (bens primários com cotação internacional).

            A rigor, a única boa notícia que se pode tirar dos dados apresentados pelo MDIC é que as exportações de produtos industrializados, com maior valor agregado, cresceram em 2016 na comparação com 2015. Divididos em manufaturados e semimanufaturados, esses bens tiveram alta de 1,2% e 5,2% nas vendas, respectivamente, em relação ao ano anterior. Embora essa elevação tenha ficado abaixo da previsão que se fazia há um ano, esse pormenor mostra que o parque industrial brasileiro continua dinâmico. É o que permite que se tenha ainda uma visão otimista para este ano de 2017.

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(*) Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 


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