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Santos: o hub port brasileiro

17.08.2014
 
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SÃO PAULO - Estudo da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) prevê que, até o final deste ano de 2014, serão movimentados no Porto de Santos 3,9 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), o que representará um aumento de 13% nas operações com caixas metálicas em relação a 2013, quando foram movimentados 3,4 milhões de TEUs. É um crescimento quase cinco vezes superior ao esperado para a movimentação geral de cargas no complexo santista, que neste ano deverá embarcar ou desembarcar 117 milhões de toneladas contra 114 milhões em 2013, ou seja, uma evolução de 2,7%.

Mauro Lourenço Dias (*)

Esse aumento tem se dado principalmente em função da entrada em funcionamento no segundo semestre de 2013 de dois grandes terminais: o da Embraport, que deu início a suas operações em julho, na margem esquerda, na área continental; e o da Brasil Terminal Portuário (BTP), que começou a operar em novembro na Alemoa, na margem direita.

Esses terminais forçaram uma redistribuição nas movimentações dos contêineres, assumindo operações que antes eram executadas pelos quatro outros que já operavam: Terminal de Contêineres (Tecon), da Santos Brasil, Libra, Rodrimar e Ecoporto Santos, que registraram variações negativas.

Seja como for, esse crescimento vertiginoso indica especialmente a vocação do Porto de Santos para atuar como elemento estratégico da logística do País, deixando de ser mais um porto de movimentação de cargas. Ou seja: Santos caminha célere para se tornar um porto concentrador de cargas (hub port), atraindo mercadorias de maior valor agregado e menor volume.

Isso significa que as autoridades federais, levando em conta que hoje a Codesp é administrada a partir de Brasília, precisam encontrar uma solução para o escoamento dos granéis produzidos no Centro-Oeste, desviando-o para os portos do Norte. Isso exigirá a conclusão da pavimentação da BR-163, cuja extensão no Pará ainda é de terra batida, além do reaparelhamento dos portos fluviais daquele Estado.

Por outro lado, é preciso decidir de uma vez a saída dos terminais graneleiros da Ponta da Praia, cumprindo, aliás, o que recomenda o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ), desde 2006. Como não foi atendida pelo governo em sua pretensão de transferir os terminais graneleiros para a área continental, a Prefeitura santista criou uma força-tarefa para vistoriar aquelas instalações e o processo de transporte. E multar pesadamente as empresas infratoras.

É de lembrar que, além de poluir o meio-ambiente, esse processo tem provocado a queda de detritos nas vias urbanas, prejudicando as galerias de águas pluviais. Segundo estudo da Câmara local, a poluição causada pela carga e descarga de granéis no porto atinge 90 mil moradores dos bairros vizinhos.

É claro que essa queda de braço entre o governo federal, representado pela Secretaria de Portos (SEP), Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e Codesp, e o município não será benéfica para ambas as partes. É preciso que haja bom senso para enfrentar essa questão que, resolvida, ajudará o Porto de Santos a se qualificar melhor, tornando-se o primeiro hub port brasileiro.

 


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