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Presidenciais dos EUA: Dois candidatos- dois modelos de desenvolvimento

16.11.2016
 
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Presidenciais dos EUA: Dois candidatos- dois modelos de desenvolvimento

O encerramento das presidenciais nos Estados Unidos veio a revelar os problemas que se acumularam nos últimos dez anos. O que se apresentava como inesperado para muitos estava mesmo era evidente. A América estava dividida e as eleições ressaltavam agora as contradiςões de classe na sociedade americana.

Por Valentin Katasonov

Tradução Anna Malm*

 

As manchetes se sucediam: "Revolta da Classe Operária", "O Proletariado Americano Despertou", e outras do gênero. Na realidade grande parte da populaςão americana de trabalhadores assalariados teve a sua renda real estagnada nos anos oitenta, no século 20, e o verdadeiro desemprego de hoje não é de 5%, como diz o Ministério do Comércio dos EUA, mas muitas vezes mais alto

 

Entretanto, a maior linha divisória na América passa não pela linha tradicional compreendida no sentido marxista como contradiςão de classe. Muitos americanos, mesmo os que a mídia denomina como "classe operária", pensam mais é no sentido "Velha Boa América" e "América Nova". Agora, o conjunto determinando o conceito "Nova América" tem muitas conotaςões: Má, Cruel, Implacável, Corrupita, Injusta, Empobrecida, Degradada ...

 

Estudiosos americanos denominan a isso como os dois modelos de desenvolvimento político-econômico. Se analisando a história dos Estados Unidos do após guerra pode-se notar bem como despercebidamente se deu uma passagem decisiva dos trilhos de um desses modelos para os trilhos do outro.

A contagem pode começar em 1944 quando nos Estados Unidos, no estado New Hampshire, em uma pequena localidade chamada Bretton Woods, deu-se uma conferência para estudar a questão da construção de um sistema econômico mundial. Nessa conferência tomou-se uma decisão crucial: a introdução de um padrão, um standard, para a relação dólar-ouro. 

Dessa maneira o dólar foi proclamado como a moeda mundial, a qual de maneira nenhuma seria a ser vista como inferior ao próprio ouro. Enquanto uma parte da América exultava com a tomada dessa decisão, uma outra caia em depressão. A 72 anos atrás, a luta a respeito da decisão de Bretton Woods foi tão duramente aguda como a atual batalha eleitoral de 2016. Contra a decisão da conferência de Bretton Woods estavam os representantes do mercado da Economia Real.

Um dos dois modelos do qual estamos falando, é baseado na força industrial e econômica do país. Nesso caso América manteria sua influência sobre o mundo, mas no entanto a fonte de sua influência seria econômica, como produção competitiva através do fornecimento de produtos e serviços para todo o mundo. Esse é o modelo de capitalismo industrial. As vezes esse modelo foi chamado de isolacionismo americano. Entretando, isso não é exatamente assim. Trata-se na realidade do fato da América poder realizar seus interesses nacionais através de fontes internas de desenvolvimento, e não à custa de outros países.

 

Um outro modelo, também planejado para as resoluções de Bretton Woods baseava-se na dominância internacional do dólar americano. O dólar atenderia a toda a humanidade. O Sistema da Reserva Federal dos Estados Unidos - [Federal Reserv System, conhecido informalmente na sigla americana como FED - faz o papel de um Banco Central mas é de propriedade particular] - usando as suas impressoras deveria atender as necessidades de todo o mundo para o seu dinheiro, para as suas notas de papel verde. Entretanto para que essas notas, pedaços de papel verde, pudessem vir a inundar todo o mundo seria necessário que a balança americana de compras e pagamentos entrasse em deficit, que a América comeςasse a viver de dívidas, cobrindo então essas dívidas com "notas promissórias", de pagamnto futuro, ou seja, com o que conhecemos como o dólar. [Em outras palavras: o dólar pode ser visto como uma promessa de pagamento futuro]

 

Siderurgia, indústria de automóveis, construção naval, indústria elétrica e outras companhias industriais americanas compreenderam que a implementação da decisão de Bretton Woods seria o começo da desintrustrialização dos Estados Unidos. Alguns peritos industriais perspicazes e visionários profetizavam já em 1944 que uma era do dólar como moeda internacional traria perdas para as suas atividades econômicas e que, junto aos donos do dinheiro, ou seja junto dos acionistas da Reserva Federal,  apareceria a tentação de compensar a perda de utilidade do dólar através da força militar. Esse modelo - O Modelo Bancário do Capitalismo - traria como consequência a desmontagem da economia real do país, a militarização, assim como a projeção global da força militar [essa realidade trágica  e potencialmente fatal para todos que vivemos agora no nosso dia a dia].

 

Nos primeiros cinco anos depois do final da grande guerra mundial sinais de desindustrialização da América ainda não tinham sido notados. Estava-se também na fase de reconstrução econômica da Europa. Quando John Kennedy chegou a Casa Branca os primeiros sinais do enfraquecimento da economia americana começaram a se mostrar e isso num cenário de reestabelecimento da Europa e em parte também do Japão. Kennedy tentou parar o processo de enfraquecimento da economia americana, mas as suas providências iam ao contrário dos interesses dos donos do dinheiro. Tudo isso acabou com o assassinato do presidente.

 

A transição final da América ao modelo do capitalismo bancário deu-se nos anos setenta e isso então de quando do desligamento da ligação dólar-ouro, o qual se deu oficialmente na Conferência Internacional de Jamaica para questões monetárias-financeiras (1976).

 

Nos últimos quarenta anos a América veio rolando nos trilhos do modelo do capitalismo bancário. Esse processo foi acompanhado por um gigantesco crescimento do mercado financeiro, o qual muito adequadamente foi denominado como de bubbles/bolhas. Esse mercado já tinha sugado intensivamente a seiva da economia real, o que diga-se de passagem, ainda até hoje continua fazendo. Hoje em dia a área industrial, assim como outros ramos, sectores, ou mercados da economia real, como por ex. o sector agrário, o sector de construção, uma parte do sector de transportes e outros, representam 22% do produto interno bruto dos EUA.

 

O modelo do capitalismo bancário estipula um crescimento sem fim de todos os tipos de dívidas - particulares, do sector empresarial, e do estatal. Não falta muito para a pirâmide da dívida soberanados Estados Unidos tocar a marca dos 20 trilhões de dólares. A soma do valor maior de todas as dívidas - é maior do que 100 trilhões de dólares. Essa maior dívida é a das companhias/empresas/ dos Estados Unidos. Isso significa, em outras palavras, a falência global do conjunto, a insolvência, a bancarrota, a concordata. O dólar se transformou em um pedaço de papel em branco [outros diriam num papel higiênico verdinho]. O poder de compra do mesmo é agora mantido através da Sexta Frota americana e centenas e centenas de bases militares por todo o mundo. Washington está semeando pelo mundo "o cáos controlado" e o fim último disso tudo é o de manter a "confiança" no dólar americano.

 

Hillary Clinton representa os interesses da Wall Street, ou se quiser, dos donos do dinheiro. Ela é uma típica representante dos interesses do capitalismo bancário. Por contrário, Donald Trump entrando na Casa Branca tomará um curso que deverá levar ao desenvolvimento do capitalismo industrial (apesar de que ele nunca usou esse termo; ele de uma maneira geral evita a palavra "capitalismo".)

 

Caso Trump venha ocupar a cadeira presidencial dos EUA, o que ele fará em primeiro lugar, na minha opinião, será cumprir sua promessa de levar ao fim a investigação dos "episódios de escândalo", nos quais, tal como numa gota d´agua, está se refletindo toda a podridão do sistema político-econômico americano. Os resultados e conclusões da investigação pelas autoridades competentes dos orgãos oficiais servirão como ponta de partida para passos práticos tendo em vista a limpeza do sistema de governo dos Estados Unidos.

 

QUAIS SERIAM ESSES PASSOS?

 

Em primeiro lugar: a realização de auditoria da Reserva Federal, o que nunca foi feito nos anos de existência deste instituto.

 

Em segundo lugar: Trump deveria buscar a mudança da presidência do FED. O atual chefe da reserva Federal, Janet Yellen, segundo Trump, depende da liderança do partido Democrático, os quais, a seu ver, tornaram-se nos donos do dinheiro. Trump, em particular, não está satisfeito com o fato de  que Yellen continua a manter a taxa de juros do FED, como se usa dizer então,"ao nível do rodapé" (0,25-0,50).

 

Em terceiro lugar: ele deveria voltar a pôr em vigor a lei Glass-Steagall, que atuou no América no período 1933-1999, e a qual para agradar os senhores do dinheiro, foi cancelada por Bill Clinton, de quando sua presidência. A essência dessa lei era a criação de regulamentos para a banca de investimento e de operações de crédito os quais teriam como função o impedir da especulação dos banqueiros nos mercados financeiros usando o dinheiro dos depositantes.

 

Em quarto lugar: o novo presidente dos Estados Unidos deveria começar a implementação prática da Lei Dodd-Frank, que também é chamada de lei sobre a banca de reforma. Vem a memória aqui que os bancos da Wall Street, provocaram uma crise financeira em 2007-2009. Eles estavam realmente a roubar a própria América. Nesse cenário tem-se depois que acabaram por receber, do orçamento dos EUA, e para a sua própria salvação e bem-estar, quantias indo de 1 a 2 trilhões de dólares. Uma vez na casa Branca, Barack Obama conseguiu, em 2010, passar no congresso o especificado na lei aqui acima mencionada, mas na prática a execução não se realizou. O poder de Obama não foi suficiente para fazer valer a lei. Previstos nessa lei estavam medidas, aqui muito propícias a serem postas em prática como a diminuição da escala dos bancos, e um reforço da supervisão bancária.

 

Em quinto lugar: Trump disse claramente que quanto mais se construisse a pirâmide das dívidas pior seria. Tudo iria acabar num desastre. Ele disse que se deveria iniciar negociações com os títulares da dívida dos EUA, assim como com as negociações da reestruturação da dívida soberana. Para os donos do dinheiro tais propostas eram desconcertantes. Eles nunca nem mesmo tinham sequer pensado em algum dia cumprir suas reais obrigações de dívida com os portadores estrangeiros de papéis de valores, promissórias, ou títulos norte-americanos.

 

Nós compreendemos muito bem que as promessas dos candidatos a presidência depois que eles chegam a Casa Branca deveriam ser divididas não só por dois, mas por dez. Entretanto, eu penso que com Trump a divisão deveria ser por dois e não por dez. Isso porque na América surgiram situações que corresponderiam  a pergunta  "Quem é Quem? A luta poderá vir a ser sem compromissos. No mesmo, Trump com a sua campanha eleitoral cobrou dos americanos uma resposta a tudo isso. O país teve que acordar e começar a pensar.

 

Uma grande parte dos americanos é contra o capitalismo bancário e quer viver nas perspectivas do modelo "Velha Boa América". Trata-se aqui não sómente da economia, mas também da política, além do ambiente  geral do país. Os donos do dinheiro construiram ao longo dos anos no país um ambiente de medo, temor e receio. As pessoas agora receavam mostrar publicamente sua aprovação a Trump. Cetamente assim também como receavam falar no próprio Trump e nas coisas das quais ele próprio abertamente falava em voz alta.

Tem-se daí a discrepância entre o prognóstico e o resultado dessa eleição. O que o resultado mostrou foi para os donos do dinheiro uma coisa inesperada. Isso pode ser julgado pelo menos pelo fato de como o mercado dinanceiro reagiu a contagem dos votos. Todos os grandes especulantes que apostaram em Clinton estão agora cara a cara com a derrota.

REFERÊNCIAS E NOTAS:

Prof.Valentim Katasonov, Presidenciais dos EUA: Dois candidatos - dois modelos de desenvolvimento Валентин КАТАСОНОВ | 09.11.2016 | ПОЛИТИКА  | ЭКОНОМИКА http://www.fondsk.ru

*Anna Malm -


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