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O modo de vida estadunidense está morto...

16.10.2008
 
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O modo de vida estadunidense está morto...

O modo de vida estadunidense está morto e, como um cadáver decapitado, ainda cambaleando, não conseguiu ainda entender o que deveria ser óbvio para todo mundo.

O modo de vida estadunidense, um sistema insustentável por qualquer estiramento da imaginação, foi facilitado por dois fatos: gasolina barata e moeda valorizada, moeda transformável em crédito barato.

Desde que os Estados Unidos assinaram um acordo com a Arábia Saudita segundo o qual o petróleo teria seu preço estabelecido apenas em dólares dos Estados Unidos, algo que aconteceu em 1948, o dólar dos Estados Unidos veio sendo uma moeda poderosa, ascendendo rapidamente ao nível de moeda de reserva do mundo. Visto que todas as nações precisavam de dólares para comprar petróleo, não parecia haver fim no tocante a quantos dólares poderiam ser impressos e para o montante de que primeiro o governo dos Estados Unidos e em seguida o sempre menor dimensionado contribuinte poderiam dispor... bastando acrescentar o crédito barato.

O consumismo desbragado nunca realmente deslanchou do modo como o fez quando Nixon acabou com o padrão ouro dos Estados Unidos em 1973. Desde então, até hoje, não houve parada. Acrescente-se a isso a gasolina barata, parcialmente garantida por aquele acordo rejeitado por Deus entre os Estados Unidos e o pior dos piores dos jihadistas islâmicos; e o disseminado estilo suburbano de vida, com casas apinhadas de bens chineses de preço barato e qualidade ainda mais barata, nasceu.

Naturalmente, qualquer pessoa com metade de entendimento da realidade e da economia sabia que isso não poderia continuar para sempre e, portanto, teria que ter fim. Entretanto, as oligarquias da elite dos Estados Unidos têm que ser congratuladas por terem sido capazes de manter as coisas andando por tanto tempo. Naturalmente os $500 biliões de dólares pilhados da riqueza russa, do início a meados da década de 90, seguramente ajudaram.

Entretanto, a era do dólar acabou e, com ela, o poderio dos Estados Unidos. O dólar tem estado numa queda livre crescente na maior parte dos últimos 6 anos, mais rápida do que o gradual declínio dos 30 anos precedentes. Como é que se explica que, com uma guerra prolongada, ao custo de perto de $1 trilião de dólares, nenhum novo imposto tenha sido acrescido? Ora, é para isso que servem as impressoras, e é por isso que, desde 2004, o Fed parou de divulgar o relatório M3.

Devido em parte ao dólar agonizante, ao decadente poderio dos Estados Unidos que não conseguem mais pressionar os árabes para que bombeiem mais, ao aumento da demanda mundial e ao ressurgimento da indústria russa consumindo seu próprio petróleo, o preço do petróleo disparou. O que não é prejudicado pelo fato de continuar a pleno vapor a estultice dos Estados Unidos de quererem guardar o bolo e comê-lo ao mesmo tempo: o plano de tornarem-se independentes do petróleo estrangeiro sem extraírem o próprio petróleo nem construírem usinas de energia nuclear.

 A era das grandes casas dispendiosas, longas distâncias da casa ao trabalho, e gigantescos veículos utilitários esportivos e caminhões está superada. Verdade, a contração de volta a cidades fortemente comprimidas e pequenas casas modestas, aos gastos orçamentados e aos carros compactos não acontecerá do dia para a noite, e é igualmente verdade que o consumidor com dívidas e à beira da falência dos Estados Unidos lutará a cada passo do caminho, mas não há volta.

A primeira coisa a desaparecer serão os grandes caminhões e veículos utilitários esportivos. Sem dúvida ainda há abundância deles nas estradas, mas as vendas de novas unidades estão caindo rapidamente; em verdade, expressão mais adequada seria entrando em colapso. Em seguida, considerando-se a absoluta falta de transporte público nas áreas urbanas e suburbanas dos Estados Unidos e, a propósito, nos próprios centros metropolitanos, virá a moda de utilização, em rodízio, de um automóvel único solidariamente por várias pessoas, visto que mesmo os carros menores ainda consomem gasolina, um produto de preço ainda em ascensão.

Cedo ou tarde isso atingirá, também, um ponto máximo, e o rodízio solidário de automóveis não mais será suficiente, visto que a renda nunca conseguirá acompanhar a inflação inflation. A renda degradar-se-á ainda mais à medida que continuarem os ciclos de reduções de fornecedores, seguidas de reduções e demissões nas empresas. Menos horas e menos salário real tornarão a despesa de percorrer longas distâncias e as despesas de aquecimento e refrigeração de grandes casas, e as altas contas da gasolina, causadoras de ansiedade e impossíveis de suportar.

Um golpe final no morador de subúrbio será o grande aumento do custo dos bens que o cercam. Visto que os terminais de linhas férras são limitados e o diesel está subindo muito mais do que a gasolina, os melhores preços serão aqueles praticados nas partes centrais, mais antigas, da cidade, perto dos terminais de linhas férreas. Bens que tenham que ser transportados para as várias lojas distantes mal pagarão o preço do combustível fuel usado para transportá-los. Muitas lojas fecharão, deslocando não apenas os empregos para longe dos subúrbios como também a capacidade de ali viver-se confortavelmente.

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