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Moçambique sem petróleo alcançou um crescimento próximo do de Angola

15.11.2007
 
Moçambique sem petróleo alcançou um crescimento próximo do de Angola

Segundo os dados revelados ontem (14) pelo Banco Mundial, sem petróleo, o Moçambique foi o país africano que cresceu de forma mais diversificada e sustentada na década até 2005, seguido de perto por São Tomé e Príncipe e Cabo Verde, noticia Lusa, citada pelo Diário Dogital.

Com um crescimento médio de 8,3% entre 1996 e 2005, Moçambique supera Ruanda (7,6%), São Tomé (7,1%) e, também, Botsuana e Uganda, na lista das economias «diversificadas».

As «economias diversificadas» são um dos agrupamentos em que o Banco Mundial dividiu os países do continente africano, na análise feita de perto de 25 anos de informação estatística.

Os outros dois agrupamentos são de «economias petrolíferas» e «economias de baixo crescimento».

No mesmo período, Cabo Verde registou um crescimento médio de 5,8%, a sexta economia «diversificada» que mais cresceu.

Moçambique alcançou um crescimento muito próximo do de Angola - 8,5% na década - que foi a terceira economia petrolífera com maior aumento do PIB, atrás do Chade (9%) e da Guiné Equatorial (30,8%).

Registando um crescimento médio do PIB de 0,47% entre 1996-2005, a Guiné-Bissau surge como um dos países pior colocados no grupo dos que menos cresceu, que é liderado pela Zâmbia (3,8%) e Guiné-Conacri (3,7%).

A Guiné-Bissau regista um abrandamento constante do crescimento económico, de 3,8% no período 1980-89 para menos 0,5% entre 2000 e 2005.

Também a economia de Cabo Verde tem vindo a travar, de 6,3% na década de 80 para 4,7% nos últimos cinco anos, período em que Angola e Moçambique atingiram o «pico» do seu crescimento nos últimos 25 anos, respectivamente para 9,9% e 8,4%.

Os dados divulgados pelo Banco Mundial indicam que o crescimento médio anual no continente sub-saariano tem vindo a acelerar continuamente, de 1,8% na década de 80 para 2,4% na de 90 e 4,4% nos cinco anos até 2005.

«Muitas economias africanas parecem ter mudado de rumo e podem estar a entrar num caminho de crescimento económico mais rápido, necessário para reduzir os elevados níveis de pobreza», afirma o Banco Mundial no relatório hoje divulgado.

«A performance económica robusta de África na década 1995-2005 contrasta acentuadamente com o colapso económico de 1975-1985 e a estagnação de 1985-1995. Diversificar e sustentar o crescimento no futuro pode ser alcançado através da aceleração da produtividade e aumento do investimento privado», considera.

Para isso, adianta, é necessária «melhoria do clima de negócios e das infra-estruturas, bem como estimular a inovação e criar capacidade institucional».

Os dados das últimas décadas de desenvolvimento económico em África indicam uma volatilidade do crescimento, e custos indirectos de exportação (entre 18% e 35% dos custos totais) muito superiores ao do resto do mundo, que comparam com 8% na China, por exemplo.

«As empresas africanas eficientes podem concorrer com chinesas ou indianas em temos de custos de fábrica, mas tornam-se menos competitivas devido aos maiores custos indirectos de negócios, incluindo infra-estruturas», afirma o relatório.

Estima-se que as necessidades actuais de infra-estruturas no continente impliquem custos anuais de 22 mil milhões de dólares, cerca de 5% do PIB.


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