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Eleições deste ano no Brasil tiveram 111 candidatos que nasceram em outros países

15.10.2014
 
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BRASILIA/BRASIL - 'Sou mais brasileira do que qualquer outro', defende candidata naturalizada. Rachel Moreno nasceu no Egito e buscou ser eleita deputada em São Paulo.

As eleições deste ano no Brasil tiveram 111 candidatos que não nasceram no Brasil, mas, naturalizados, adotaram o País como pátria e buscaram conquistar cargos públicos. É o caso de Rachel Moreno (PT), que foi candidata a deputada federal e fugiu da Guerra de Suez, no Egito, e hoje se considera "mais brasileira do que qualquer outro".

Por ANTONIO CARLOS LACERDA

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Rachel tinha 11 anos quando deixou a cidade de Alexandria, no Egito, com os pais e uma irmã, e desembarcou em território brasileiro em 1957, após sua família judia-egípcia enfrentar dias difíceis na guerra. Ela conta que na época o Brasil já "fazia parte do imaginário" dos seus familiares, pois era um dos poucos países abertos a imigrantes.

 

"Cada pessoa podia sair com até U$ 100 no bolso [do Egito]. Minha mãe, que até então nunca tinha trabalhado, virou secretária porque falava francês e inglês. Como eu era criança, não falei por dois meses. Tinha medo de falar besteira na escola", relembra a psicóloga e escritora, ressaltando que uma das maiores barreiras de adaptação foi a língua portuguesa. Até hoje a família conserva práticas da cultura judaica.

 

A candidatura política, segundo Rachel, surgiu quase que por acidente após uma amiga desistir na última hora na disputa. "Nunca tinha pensado nisso", confessou. Com uma campanha "pobre de recursos e predominantemente militante", a psicóloga formada na Universidade de São Paulo (USP) teve como principal bandeira a equidade de gêneros e representação das mulheres na política. Ela disse que nunca foi alvo de preconceitos por sua origem, mas para quem pensar em criticá-la por não ser "brasileira pura", ela responde: "Estou aqui desde 1957. Sou mais brasileira do que qualquer outro, na verdade".

 

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre os candidatos naturalizados, quase 80 buscaram vagas nas Assembleias Legislativas e outros 30 tentaram conquistar assentos na Câmara dos Deputados, em Brasilia, capital Federal, onde dois candidatos disputaram cargo de deputado distrital, um a segundo suplente de senador e outra a vice-governador.

 

Alguns candidatos preencheram ainda ficha de candidatura do TSE com a cidade de origem, como A Caniza (Espanha), Bekarzala (Líbano), Cabo Verde (Portugal), Castrovillari (Itália), Concepción (Paraguai), Haifa (Israel), Montevidéu (Uruguai) e Trípoli (Líbano).

 

Entre os Estados do Brasil, São Paulo está no topo do ranking como o que teve mais candidatos naturalizados nas eleições deste ano, com 35 representantes. Empatados com o segundo lugar, aparecem os estados de Minas Gerais e Pernambuco, com 13 naturalizados cada.

 

De acordo com a Constituição Federal brasileira, estrangeiros estão aptos a concorrer a cargos eletivos no Brasil desde que sejam naturalizados. A única exceção na corrida eleitoral é a Presidência da República, cargo exclusivo aos brasileiros natos. A vice-presidência, presidência do Senado e da Câmara dos Deputados também não podem ser ocupados por estrangeiros, mesmo naturalizados.

 

ANTONIO CARLOS LACERDA é Correspondente Internacional do PRAVDA.RU

 


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