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Belarus tem taxa de desemprego de 0,5% pelo quinto ano seguido

15.04.2018
 
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Belarus tem taxa de desemprego de 0,5% pelo quinto ano seguido

Baixo índice é proporcionado pela preponderância de empresas estatais e alta taxa de sindicalização

Eduardo Vasco, Pravda.Ru

A República da Belarus fechou o ano de 2017 com 0,5% de índice de desemprego, percentual que se repete desde 2013. A informação foi divulgada pela agência de notícias estatal, BelTA. De acordo com o Comitê Nacional de Estatísticas do país, a taxa não variou nos primeiros meses de 2018. São apenas 24 mil desempregados, segundo o Ministério do Trabalho e Proteção Social.

O dado também é exposto no site Trading Economics. O pico de desemprego em 2017 no país europeu foi de 0,9% no início do ano.

Tal índice é ainda mais impressionante se comparado a outros países da Europa. Na zona do euro, o que teve menor taxa de desemprego em 2017 entre os países com dados disponibilizados pela Eurostat foi a República Tcheca (2,3%). O pior posicionado foi a Grécia (20,7%), enquanto a média da zona ficou em 8,7%, seu melhor ano desde 2009.

Mas por que um desemprego tão baixo em Belarus?

A antiga república soviética manteve a presença do Estado na economia mesmo quando seus vizinhos implementavam amplos programas de privatização das empresas estatais e alta flexibilização da economia e das leis trabalhistas.

De fato, por volta de 80% das empresas belarussas pertencem ao Estado e empregam aproximadamente metade da força de trabalho do país. A outra metade trabalha em empresas privadas nacionais e uma pequena parte em companhias estrangeiras (que vêm aumentando nos últimos anos devido a incentivos do governo em meio a uma política de abertura para investimentos estrangeiros).

Mesmo com uma certa desregulação em alguns setores da economia executada nos últimos anos, que levou a aquisições pelo capital estrangeiro, à fusão de empresas estatais com investidores privados e às negociações de Minsk para integrar a Organização Mundial do Comércio (OMC), os trabalhadores não sofreram alterações em sua estabilidade laboral.

O mesmo vale para a passagem da crise de 2008, com mínimas consequências para a economia do país. Isso é devido às políticas de controle fiscal e monetário e o papel do Estado na supervisão dos grandes negócios e dos bancos. Enquanto a Grécia, por exemplo, chegou a ter 28% de sua força de trabalho desempregada em 2013, o pior índice de Belarus foi de 0,9%, em 2009.

Mas esse fenônomeno em um mundo globalizado e cada vez mais voltado ao mercado, com a alta competitividade característica do domínio neoliberal após a chamada Guerra Fria, tem outro fator importantíssimo que, entretanto, é tradicionalmente descartado pelos analistas.

Os sindicatos são fortíssimos em Belarus. Em 2012 havia mais de 23 mil organizações sindicais no país. Apesar de regras de controle estatal, eles jogam um papel preponderante na manutenção da estabilidade laboral e do padrão de vida dos trabalhadores belarussos.

Nada menos que 95% da força de trabalho do país é sindicalizada, o que representa 4 milhões de trabalhadores.

A organização nos locais de trabalho também permite que se elejam representantes para o Congresso do Povo - órgão estatal de democracia de base, estranho aos países ocidentais, no qual mais de 2 mil pessoas se reúnem a cada cinco anos para discutir, avaliar propostas e estabelecer estratégias para melhor solucionar problemas acerca da vida da população nacional.

Além disso, questões vitais como saúde, educação, moradia e segurança, direitos herdados da União Soviética, e serviços públicos de qualidade também fazem a diferença para a vida da população. Por exemplo, o país tem uma mão de obra altamente qualificada, com 99,7% de seus cidadãos alfabetizados e um índice relevante de graduados.

Pode-se questionar a taxa de 0,5% de desempregados, e isso realmente parece quase impossível de se alcançar! Basta ver a situação de outros países, inclusive mais desenvolvidos, com taxas muito maiores. Entretanto, se observarmos atentamente fatores que influenciam nesse índice, e que são (propositalmente ou não) deixados de lado nas análises econômicas, podemos enxergar uma diferença de políticas de Estado que fazem certos países jogarem o peso das crises nos trabalhadores e outros que apostam por protegê-los para garantir os direitos básicos e a estabilidade da nação.

Foto: Martin Deutsch/Flickr (CC BY-NC-ND 2.0) https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/

 


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