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A Al-Qaida, o Facebook e os EUA

14.02.2014
 
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Ao longo do tempo, na tentativa de proteger seus interesses - usando o anticomunismo e outros pretextos como a "defesa da democracia" e da "civilização ocidental" - os Estados Unidos nunca hesitaram em abrir, sempre que quiseram, por arrogância ou estupidez, suas pequenas caixas de Pandora.

Por Mauro Santayana*, em seu blog


Na Segunda Guerra Mundial, parte da elite estadunidense, abertamente hitlerista - celebridades como o aviador Charles Lindbergh e o magnata da indústria automobilística Henry Ford nunca esconderam sua simpatia pelo nazismo - só tomou posição contra o Eixo quando foi obrigada a isso com o ataque-surpresa da Marinha Imperial Japonesa a Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941.


Antes, durante a Guerra Civil Espanhola, o "establishment" anglo-saxão, incluindo a Grã Bretanha, já havia percebido, extasiado, que não havia nada melhor que o fascismo para massacrar comunistas e esquerdistas. E fechara os olhos, complacentemente, para os ataques das tropas italianas mandadas por Mussolini e da aviação nazista contra milhares de mulheres, idosos e crianças desarmadas, em cidades como Guernica, Madrid e Barcelona.


Agora, depois da Coreia, do Vietnã, de dezenas de intervenções e golpes na África, Ásia e América Latina, das invasões do Iraque e do Afeganistão - guerras inúteis em que perderam trilhões de dólares e milhares de soldados, e das quais saíram sem atingir seu objetivo de estabilizar no poder regimes fantoches - os EUA abriram, mais uma vez, com a "Primavera Árabe", sua Caixa de Pandora.

Ao insuflar pela internet, e com agentes infiltrados, a derrubada de governos seculares, em países com diferentes etnias e culturas, os norte-americanos e os países que se colocaram a seu serviço, como a Espanha, não destroçaram, apenas, estas nações, com guerras civis, doenças, destruição, centenas de milhares de refugiados, assassinatos, estupros, abusos e tortura.


Eles também abriram caminho, na Tunísia, na Líbia, no Egito, no Sudão e na Síria, para o ressurgimento e a ascensão de um novo fundamentalismo islâmico, que almeja não só tomar o controle nesses países, mas também atingir, com eficácia, o coração do Ocidente.


Dessa vez, no lugar de usar bombas, os radicais muçulmanos estão preferindo usar o feitiço contra o feiticeiro. A mesma internet - e o mesmo Facebook - utilizada para ajudar a parir uma "primavera" cujo retrato mais cruel é o de crianças sírias comendo cães para não sucumbir à fome, está sendo usada, agora, pela Al-Qaida, para converter e recrutar centenas de jovens ocidentais para lutar, em nome de Alá, nos escombros do Oriente Médio, contra o governo sírio.


Alguns já morreram, como a norte-americana Nicole Mansfield, de 33 anos, atingida em um tiroteio com dois outros ocidentais. Outros estão sendo rastreados e presos, em sua volta aos EUA, como afirmou, há poucos dias, em um depoimento em Washington, o diretor do FBI James Comey.


*Colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou na Folha de S. Paulo (1976-82), onde foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte

http://www.iranews.com.br/noticia/11745/a-al-qaida-o-facebook-e-os-eua


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