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Podemos dormir tranquilos com Trump na Casa Branca?

13.11.2016
 
Podemos dormir tranquilos com Trump na Casa Branca?. 25443.jpeg

Você vai ler e ouvir, ainda durante muito tempo, todo o tipo de análise sobre a vitória de Donald Trump e a derrota de Hillary Clinton nas eleições americanas.

A maioria, naquele viés aparentemente progressista de que os ideais democráticos foram duramente atingidos e que em vez da colaboração entre as nações, voltam as velhas posições nacionalistas.

Não faltará quem já estará vendo novas guerras num futuro próximo.

Quase o mesmo discurso quando do "Brexit" (Britain + exit), a saída do Reino Unido da Comunidade Europeia.

Não dá para sair gritando "Hei...Hei...o Trump é nosso rei", mas também não dá para ficar chorando a derrota da Hillary.

Sabe o porquê?

Por que não vai mudar muito. As grandes corporações vão continuar mandando como sempre, embora esses acontecimentos políticos guardem relação estreita com a atual crise mundial no sistema capitalista.

Meus amigos de esquerda, que pensavam até em fazer um comitê em defesa da candidatura de Hillary Clinton, podem ficar tranquilos, que a chegada de um republicano ao poder nos Estados Unidos, não vai fazer piorar o que já está ruim para nós, brasileiros.

Aliás, talvez mude para melhor.

O professor Mário Maestri, é uma das pessoas que acham que até pode melhorar.

Diz ele que "se Trump cumprir suas promessas de campanha, deverá se afastar do intervencionismo estadunidense dos democratas e estabelecer melhores relações com a Rússia".

E quem perde então?

Para Maestri, perdem Angela Merkel e François Hollande.

E o Brasil, professor?

"Perde também o Temer, na medida em que o golpe no Brasil fez parte do grande redesenho mundial empreendido pelo imperialismo norte-americano. Quanto a Trump, ele, literalmente não sabe onde fica o Brasil".

Isso posto, podemos dormir tranquilos?

Talvez nós, sim. Mas nem todos os latinos. Os mexicanos, por exemplo, devem estar tendo pesadelos.

Trump já disse que pretende mandar construir um muro separando os Estados Unidos do México e enviar a conta para os mexicanos pagarem.

Possivelmente foi só um discurso de campanha para agradar os trabalhadores americanos que estão perdendo seus empregos para os mexicanos clandestinos que trabalham quase de graça nos Estado.

Até mesmo porque com Hillary Clinton não seria diferente. O estoque de maldades dos presidentes americanos não respeita os partidos.

 

Na América Central, as intervenções militares americanas faziam parte da rotina dos presidentes americanos, republicanos ou democratas, desde o século XIX, mas as mais marcantes delas, como o criminoso bloqueio de Cuba, em 1960 e o apoio público ao golpe militar do Brasil em 64, foram obras dos irmãos Kennedy e de Lyndon Johnson, todos do Partido Democrata.

 

Um dos atos mais criminosos da Segunda Guerra Mundial, o bombardeio atômico das cidades de Hiroshima e Nagasaqui, no Japão, foi ordenado pelo democrata Harry Trumann.

A destruição quase total da cidade alemã de Dresden por um dos maiores bombardeios da história, realizado pela aviação americana e inglesa, ainda fica na conta de Roosevelt.

Presidentes democratas e republicanos, sem distinção partidária, se alternaram na busca de argumentos mentirosos para iniciarem guerras em lugares distantes dos Estados Unidos.

 

Lyndon Johnson mentiu comprovadamente no chamado Incidente do Golfo de Tonkin, no Mar da China, em 1964, quando acusou o Vietnam do Norte de atacar navios americanos, para justificar o início de uma guerra que durou uma década e matou mais de 1 milhão de vietnamitas.

 

Em 2003, o republicano George Busch, com a desculpa, também mentirosa, de que o Iraque armazenava armas atômicas, deflagrou um ataque contra aquele país, gerando problemas que se prolongam até hoje.

As poucas iniciativas americanas a favor da paz no mundo, também não foram exclusividade de nenhum dos dois partidos.

Se foi Barak Obama, quem restabeleceu as relações com Cuba e apertou a mão de Raul Castro, foi Richard Nixon quem reaproximou os Estados Unidos da China Comunista, apertando a mão de Mao Tse Tung, em 1972.

Isso posto, dá ou não dá para dormir tranquilo com o futuro ocupante da Casa Branca?

Melhor não, pois como disse o Professor Maestri, "a estratégia imperialista vai ser desorganizada por algum tempo, pela opção isolacionista-protecionista de Trump, mas certamente logo vai encontrar uma nova acomodação".

Melhor, então, permanecermos em estado de alerta porque o imperialismo não é, como dizia Mao Tse Tung, "um tigre de papel".

Ou é?

Marino Boeira

 


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