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Menos custo e mais produtividade

12.02.2011
 

Milton Lourenço (*)  

Apesar de todas as justas queixas quanto a movimentação de cargas no Porto de Santos - desde obstáculos como vias de acesso estranguladas, filas de navios na barra à espera de atracação, falta de calado para embarcações de maior porte, infraestrutura ferroviária deficiente, pouca oferta de navios para cabotagem e morosidade burocrática na aduana -, o complexo portuário santista ainda é aquele que melhor desempenho apresenta entre todos os portos brasileiros.

            Para se chegar a essa conclusão, basta analisar alguns dados disponibilizados pelo Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) que mostram que Santos ainda é a melhor opção para o importador/exportador não só da Região Sudeste como do Centro-Oeste e até mesmo de regiões mais distantes.

            No levantamento sobre o tempo de fluxo do despacho de importação de 2010, vê-se que a Alfândega de Santos consumiu, em média, entre a chegada da carga e o registro de importação,10,13 dias, perdendo para a do Rio de Janeiro (9,55), Itaguaí-RJ (8,74) e Rio Grande-RS (8,13). Mas ficou acima de Suape-PE (12,97), Pecém-CE (14,20), Salvador (14,18) e Vitória-ES (18,20).

            Aqui, porém, é preciso levar em conta que a Alfândega de Santos processa um número de declarações de importação (DIs) substancialmente superior em comparação com os demais portos. Se a comparação for por número de DIs desembaraçadas, certamente, o desempenho de Santos será, de longe, o melhor de todos.

            Em 2010, Santos ficou também com um tempo razoável entre a recepção e a distribuição do despacho, com 0,59 dias, ou seja, cerca de 14 horas, perdendo para Suape (0,24), Itaguaí (0,26), Rio de Janeiro (0,31), Vitória (0,31) No quadro comparativo do tempo bruto entre a distribuição e o desembaraço dos despachos de importação (canal vermelho), Santos registrou 6,5 dias, à frente de Rio de Janeiro (6,6), Vitória (6,7), Rio Grande (6,8), Manaus (10,0), Salvador (10,3) e Pecém (12,3), perdendo apenas para Itaguaí (4,2) e Suape (6,3).

            Com o Porto sem Papel, projeto em fase de testes que visa a desburocratizar a entrada e saída de embarcações com um sistema integrado de dados, espera-se que haja uma diminuição do tempo médio de desembaraço de cargas de 55% nos próximos dois anos, segundo previsão da Secretaria Especial de Portos (SEP). A princípio, haveria uma redução do tempo médio de liberação da carga para 2,5 dias.

                A expectativa é que se reduza em 25% o tempo de permanência de uma embarcação. Isso significa diminuir 1,5 dia o tempo atual de 5,8 dias. Se se levar em conta que o Porto de Roterdã gasta 0,7 dia para a liberação do navio, Santos ainda ficará longe da marca, mas é de lembrar que em Roterdã a liberação de contêineres é feita por amostragem.

            Ressalte-se ainda que, nos portos europeus, o custo médio da movimentação de um contêiner é de US$ 120, enquanto nos asiáticos não ultrapassa US$ 75. Já nos principais portos brasileiros esse custo médio é de US$ 280. Com maior rapidez nos serviços de embarque e desembarque, naturalmente, esse custo médio poderia cair ao menos pela metade. Todos os usuários dos portos sairiam ganhando com menor custo e maior produtividade.

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(*) Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC).

E-mail: fiorde@fiorde.com.br Site: www.fiorde.com.br

 


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