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Obsolescência programada, como isso afeta sua vida

10.03.2017
 
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A Obsolescência Programada é que sustenta o sistema capitalista. O termo foi usado pela primeira na década de 20 para se referir a ação de Alfred Sloan, presidente da General Motors, para estimular as vendas dos carros que produzia...

Hoje, foi incorporada a estratégia das grandes empresas internacionais, principalmente aquelas que fabricam o que os marqueteiros consideram produtos cujo uso projeta um determinado status para o seu usuário e vão do automóvel, ao celular, ao tênis e até mesmo aos preservativos.

Traduzindo o palavrão para o português do nosso dia, é aquele verniz que encobre o defeito do móvel antigo, aquele polimento que esconde o arranhão do carro ou puxadinho no fundo da casa para criar um novo quarto.

Ou seja, o produto continua basicamente o mesmo, mas sua aparência fica muito melhor.

Agora, imagine essa prática artesanal, multiplicada por mil, com o uso da mais alta tecnologia e temos então a Obsolescência Programada.

Como no sistema capitalista não se produz para atender as necessidades das pessoas, mas sim para gerar mais lucros para os empresários, é preciso que as pessoas considerem velhos, o carro do ano anterior, o celular, o tênis e milhares de outros produtos.

Como uma empresa que produz tênis, por exemplo, não pode fabricar geladeiras, e mesmo que todos os possíveis compradores já tenham comprado  seus modelos do ano anterior, ela precisa continuar vendendo seus tênis.

Então, usando as chamadas técnicas de marketing, ela precisa convencer os usuários de tênis comprados em 2016, que esse é um modelo ultrapassado e que eles precisam comprar o modelo 2017, ainda que a grande diferença entre um e outro seja apenas uma pequena tira colorida no solado.

O sistema capitalista só funciona assim, por isso ele é irracional e destrutivo, gerando um enorme desperdício de materiais.

Só uma economia planificada que produzisse o que as pessoas precisam, seria algo racional e ela só é possível num sistema socialista de produção.

Muito bem e por que não deu certo na União Soviética, que pelo menos teoricamente foi um regime socialista?

Em 1917, os revolucionários comunistas imaginaram que os eventos na Rússia seriam o estopim que iria provocar uma revolução socialista em toda a Europa, principalmente na Alemanha, mas isso não ocorreu e foi preciso tentar construir um modelo não capitalista em um só país, inicialmente por uma necessidade objetiva e mais tarde por decisão política de Stalin.

Ocorre que num país isolado, atacado por exércitos estrangeiros e enfrentando resistências armadas internas, o ideal de democratização das decisões econômicas foi sendo sempre adiado e acabou sendo esquecido, porque em torno de Stalin já havia se formado um grupo (a chamada nomenklatura) que se sentia confortável exercendo um poder absoluto

O mais trágico é que Stalin adotou a mesma lógica de produção capitalista, investindo apenas em determinadas áreas da economia, procedimento que Lenin já havia criticado nos seus últimos anos de vida.

Enquanto a União Soviética investia pesado em bens de produção, principalmente nas tecnologias militares, faltavam casas para as pessoas morarem com alguma dignidade, automóveis, geladeiras e telefones.

É claro que durante a segunda guerra mundial, foi essa opção de Stalin que permitiu ao Exército Vermelho derrotar o nazismo, mas a conquista da mente das pessoas para o modelo socialista estava perdida.

Quando a revolução tecnológica, representada inicialmente pela internet, conquistou as pessoas no mundo inteiro, aquele modo stalinista de dirigir  a economia e que seus sucessores continuaram seguindo, esboroou de vez.

Nada que nos impeça de continuamos sonhando com algo melhor para a humanidade do que essa roda vida representada pela Obsolescência Programada.

No cinema, uma boa demonstração do que, como ela é nociva para a sociedade pode ser vista no filme O Homem do Terno Branco (The Man in the white Suit), 1951, de Alexander Mackendrik, com o inesquecível Alec Guinness ( 1914-2000), aliás, Sir Alec Guinness.  

O filme conta a história do químico Sidney Stratton, que cria um tecido feito de uma fibra que repele a sujeira, não desbota e dura para sempre. Em vez de aplausos, ele vai ser perseguido pelos donos da indústria de tecidos, que temem perder seus lucros e pelos em pregados que temem perder seus empregos.

Na vida real, uma prova que o capitalismo se preocupa apenas com o lucro é a experiência com a "Centenial Bulb", uma lâmpada criada por Adolf Chaillet em 1901, que está ligada até hoje e é conservada no posto de bombeiros 6, em Livermore, no norte da Flórida.

A diferença é que ela usa filamento de carbono muito mais durável que o tungstênio usado nas lâmpadas comuns.

Obviamente, não interessa aos capitalistas vender uma lâmpada que você irá comprar uma só vez na vida.

Então, não espere desaparecer os automóveis movidos por derivados do petróleo, nem aviões comerciais supersônicos voando com mais rapidez pelo mundo inteiro porque não é exatamente o progresso que interessa ao sistema capitalista, mas o lucro.


Marino Boeira é jornalista, formado em História pela UFRGS

 


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