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Por que uns países são mais ricos que outros?

09.10.2012
 
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O economista norte-americano Robert Merton Solow nasceu em 23 de agosto de 1924, sendo o mais velho de uma família judia de três filhos. Nas comemorações alusivas aos 88 anos do Prêmio Nobel de Economia de 1987, hoje, escrevemos o presente artigo para gerar um rico debate na sexta maior economia do mundo sobre uma questão: Por que uns países são mais ricos que outros?

Paulo Galvão Júnior* & Kalyne de Lourdes**

Resumo: Este artigo mostra que modelos criados no século XX podem e devem ser utilizados nas economias atuais, a exemplo dos modelos de crescimento econômico de Solow. O economista americano Robert Solow é muito conhecido pelos seus modelos de crescimento, nos quais avaliam o progresso tecnológico e a acumulação de capital humano como fontes de crescimento econômico. É através desses modelos que se pode responder a um rico e antigo questionamento: Por que uns países são mais ricos que outros? Com isso, o presente artigo trata e mostra os modelos desse grande economista com a finalidade de responder tal questionamento e propor uma aplicação destes, com ênfase na atualidade. O objetivo principal deste artigo é avaliar como a tecnologia e a educação podem ser inseridas nas economias capitalistas do século XXI, principalmente no Brasil, além de fazer uma singela homenagem a um professor laureado com Prêmio Nobel de Economia de 1987.

Palavras Chave: modelo de Solow; crescimento econômico; capital humano e progresso tecnológico.

 

Abstract: This article shows that models created in the XX century can and should be used in current economies, the example of the models of economic growth of Solow. The American economist Robert Solow is well known by their models of growth, in which they evaluate the technological progress and the accumulation of human capital as sources of economic growth. It is through these models that we can respond to a rich and ancient questioning: Why are some countries richer than others? With this, the present article is about and shows the models of such great economist with the aim to answer these questions and propose an application of these, with emphasis in the nowadays. The main objective of this article is to assess how technology and the education can be inserted in capitalist economies of the XXI century, mainly in Brazil, also to make a simple tribute to a professor honored with Nobel Laureate in Economics 1987.

Key words: Solow's model; economic growth; human capital and technological progress.

Para visualizar fórmulas, visite:

 http://www.cofecon.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2600&Itemid=1

1. Introdução

 

O economista norte-americano Robert Merton Solow nasceu em 23 de agosto de 1924, sendo o mais velho de uma família judia de três filhos. Nas comemorações alusivas aos 88 anos do Prêmio Nobel de Economia de 1987, hoje, escrevemos o presente artigo para gerar um rico debate na sexta maior economia do mundo sobre uma questão: Por que uns países são mais ricos que outros?

 

Atualmente, o Brasil é mais rico do que o Reino Unido (devido a Revolução Industrial e a exploração colonial de vários países foi a maior potência econômica do século XIX). O Brasil é um país membro do Grupo dos Vinte (G-20) e um dos países emergentes dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Em 2016, acredita-se que será a quinta economia do mundo, ultrapassando a França - um dos berços da democracia moderna com a Revolução Francesa de 1789.

 

O Brasil possui a quinta maior população do planeta e também a quinta maior extensão territorial do mundo. É um dos grandes produtores e exportadores de alimentos do planeta, além de ser um dos maiores produtores e exportadores de minério de ferro do mundo. É o maior detentor de bacias de águas doce da Terra. Este país sul-americano é o maior produtor mundial de etanol derivado da cana de açúcar. Esta potência econômica chamada Brasil, infelizmente, ainda hospeda 12,9 milhões de analfabetos (a maior parte se encontra na Região Nordeste) e tem 16,2 milhões na pobreza extrema (a maioria sobrevive nos nove estados nordestinos). O quanto podemos aprender com o Professor Robert Solow acerca de tomadas de decisões para solucionar tais problemas mencionados e, por conseguinte, alcançar um crescimento econômico sustentado?

 

2. Professor Robert Solow

 

Robert Solow nasceu em Nova York, nos Estados Unidos da América (EUA), o país mais rico do planeta, cinco anos antes do início da maior crise do capitalismo. A Crise de 1929 se originou em Wall Street, exatamente em 29 de outubro com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, e se expandiu para o resto do mundo. Robert Solow nasceu no bairro do Brooklyn, mundialmente conhecido por ser o bairro mais populoso da Big Apple, repleto de moradores imigrantes e negros.

 

Aos seis anos de idade, Robert Solow conviveu com as terríveis consequências da Grande Depressão dos anos 30. A taxa de desemprego nos EUA era de 30% da PEA (População Economicamente Ativa). Um em cada três trabalhadores estava desempregado. Aos 16 anos, como bom aluno, ganhou uma bolsa de estudos para Harvard College. Aos 18 anos, alistou-se no Exército americano para lutar contra os alemães nazistas e italianos fascistas no Norte da África e, posteriormente, na Sicília durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Aos 21 anos, decidiu estudar Economia e o renomado economista russo Wassily Leontief (1906-1989) foi o seu primeiro grande professor, que se tornou seu guia e grande amigo.

 

Em Boston, na Universidade de Harvard, Solow foi assistente do professor Leontief, este recebeu o Prêmio Nobel de Economia de 1973 pelo desenvolvimento da matriz de input-output (insumo-produto) e a sua aplicação à economia. Esta matriz ficou conhecida como a "Matriz de Leontief". O modelo input-output foi apresentado pela primeira vez no livro intitulado "The Structure of the American Economy", publicado em 1941. O modelo de Leontief tornou-se um instrumento essencial para o planejamento, tanto nos países de economia planificada quanto para aquelas nações que adotam a economia de mercado.

 

Leontief e Solow, dois dos grandes economistas da Teoria do Crescimento Econômico, trabalharam juntos na criação do primeiro conjunto de coeficientes de capital para o conceituado modelo input-output de análise econômica.

 

Segundo o economista Paulo Sandroni, no Dicionário de Economia do Século XXI, Crescimento Econômico significa "aumento da capacidade produtiva da economia e, portanto, da produção de bens e serviços de determinado país ou área econômica". Crescimento econômico é o aumento da produção, do consumo e do investimento com utilização de recursos escassos.

 

A principal contribuição de Robert Solow ao pensamento econômico foi o Modelo de Solow, um modelo econômico que procura responder, entre outras, a esta rica pergunta: Por que uns países são mais ricos que outros?

 

De acordo com Paulo Sandroni, "O modelo de crescimento econômico de Solow é neoclássico e se diferencia do modelo Harrod-Domar por permitir uma substitutibilidade entre os fatores capital e trabalho que supera a dificuldade contida neste último e permite uma análise sistemática das propriedades de uma dinâmica do crescimento na qual se compara o valor de equilíbrio das variáveis endógenas decorrentes de diferentes taxas de mudança em um dos parâmetros do modelo".

 

Robert Solow é Ph.D. em Economia pela Universidade de Harvard desde 1951. É professor aposentado do Departamento de Economia do famoso Massachusetts Institute of Technology (MIT) desde 1995. Aos 63 anos, Robert Solow ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 1987, por sua contribuição com as teorias do crescimento econômico. Para o professor Robert Solow, o progresso técnico e a eficiência econômica são os fatores de maior incidência no crescimento econômico, acima da acumulação de capital.

 

O economista Robert Solow escreveu vários artigos e livros sobre o crescimento econômico. Os seus principais artigos foram "A Contribution to the Theory of Economic Growth" em 1956 e "Technical Change and the Aggregate Production Function" em 1957. Destaca-se também o livro intitulado "Growth Theory: an exposition" em 1970.

 

3. O Modelo de Solow

 

Na teoria do crescimento econômico (economic growth), o Modelo de Solow é um modelo neoclássico. Este modelo estuda o crescimento da economia de um país em um longo período. Solow apresentou como fonte de crescimento econômico: a acumulação de capital físico, o crescimento da força de trabalho, o acúmulo de capital humano e as alterações tecnológicas. Robert Solow preocupou-se em demonstrar que o produto per capita (y) é uma função crescente da razão entre capital e trabalho.

 

A força de trabalho cresce a uma taxa natural (exógena ao modelo) então é necessária uma quantidade de poupança per capita (s), que deve ser utilizada para equipar os novos trabalhadores com uma quantidade de capital per capita (k), igual a dos outros trabalhadores. Outra parte da poupança (S) deve ser utilizada para garantir a não depreciação do capital (K). A primeira parte da poupança citada acima para equipar os novos trabalhadores é chamada "alargamento do capital" e a poupança utilizada para aumentar a razão capital-trabalho é denominada "aprofundamento do capital".

 

Quando nos referimos a modelos econômicos, surge a seguinte pergunta: É um modelo exógeno ou endógeno? Os modelos econômicos apresentam variáveis endógenas e exógenas, ou seja, variáveis que são determinadas dentro do modelo e variáveis que são determinadas fora do modelo, respectivamente. Para um modelo ser chamado de endógeno ou exógeno, é necessário saber qual a principal variável do modelo que estamos estudando e, sobretudo, ter conhecimento se a mesma foi determinada dentro ou fora do modelo.

 

Robert Solow apresentou vários modelos de crescimento econômico tais como o Modelo de Solow com Tecnologia e o Modelo de Solow com Capital Humano. Com relação a principal variável do primeiro modelo citado, muitos economistas o tratam como elemento exógeno, ou seja, o progresso técnico "flutua pelo lado de fora" como se refere Solow.


Para alcançarmos a situação de steady state (estado estável) é necessário que a poupança per capita seja igual ao alargamento do capital. O capital por trabalhador tem um rendimento decrescente, logo se chega a um ponto de equilíbrio. Alcançando tal equilíbrio, não adianta investir mais no trabalhador que está na situação da poupança per capita igual ao alargamento do capital porque não se estará maximizando a produtividade deste trabalhador, pois a produtividade deste já chegou a seu ponto máximo.

 

De acordo com Jefferson Mendes no artigo intitulado Crescimento econômico: Modelo de Solow, "Robert Solow examinou os elementos clássicos do crescimento econômico (estoque dos fatores capital e trabalho). Basicamente, os modelos de crescimento econômico consideram como insumos básicos o capital (K) e o trabalho (L), que combinados geram um produto (Y)", logo  é a função de produção de Cobb-Douglas.

 

Segundo Robert Solow, Y é a produção, que é função de estoque de capital (K) e do número de trabalhadores (L), sendo que este , sendo alfa (α) a proporção de capital e de trabalho utilizados no processo produtivo e sempre está entre 0 e 1.

 

Para Jefferson Mendes, "A produtividade destes fatores de produção é dada pelo produto em relação ao estoque deste fator. A representação da produtividade do trabalho é dada pela razão entre produto e a força de trabalho (Y/L) e da produtividade do capital pela razão entre produto e o estoque de capital (Y/K)". Professor Robert Solow observou que o crescimento da economia norte-americana, no período 1909-1949, não podia ser explicado apenas recorrendo ao crescimento do capital e do trabalho disponível.

 

De acordo com Robert Solow, , sendo .

 

Na formulação de sua teoria do crescimento econômico, o progresso tecnológico ganhou papel central, mas foi considerado elemento exógeno ao modelo. Segundo o Modelo de Solow, a participação de cada fator no produto é constante ao longo do tempo. Portanto, as produtividades do trabalho e do capital (Y/K) interagem de maneira inversamente proporcional, ou seja, se uma aumenta a outra reduz. Por outro lado, se a produtividade do capital permanece constante e a do trabalho cresce, o crescimento por trabalhador pode ser atribuído à variável tecnologia.

 

Em fevereiro de 1956, Robert Solow escreve "A Contribution to the Theory of Economic Growth" e constrói um modelo de crescimento de longo prazo, cujas aplicações empíricas acabam, inovadoramente, por atribuir ao progresso tecnológico a diferença entre o output e os inputs utilizados na sua produção. Solow desenvolve o seu modelo supondo que se produz uma única mercadoria com dois fatores de produção (capital e trabalho) e uma função de produção que representa as possibilidades tecnológicas.

 

As aplicações empíricas da função de produção revelam um fator que explica o rendimento e que não está relacionado com o capital e o trabalho. Este fator, exógeno, portanto, no Modelo de Solow, contabiliza a variação no rendimento não explicado pelos inputs e que é atribuída ao progresso tecnológico incorporado nos bens de capital físico utilizados no processo produtivo.

 

Publicou em agosto de 1957 um artigo intitulado "Technical Change and the Aggregate Production Function" onde observou que metade do crescimento econômico não pode ser explicada por aumentos no capital e trabalho. Esta diferença foi chamada de Resíduo de Solow. Os resultados obtidos por Solow indicam que 90% do crescimento econômico da economia dos EUA, desde 1909 até 1949, podiam ser atribuídos ao fator tecnológico ou da mudança tecnológica, a que se chamou Resíduo de Solow.

 

 

 

Em outras palavras, Solow percebeu que havia outras fontes de crescimento econômico, as quais foram denominadas de Resíduo de Solow. Onde B./B é o Resíduo de Solow e indica a contribuição do progresso técnico para o crescimento da produtividade total dos fatores (PTF). Na década de 1960, empenhou-se a convencer os governos a investir em pesquisas tecnológicas para acelerar o crescimento econômico sustentado das nações.

 

O Modelo de Solow prediz que países com elevadas taxas de poupança e investimento terão altos níveis de capital e renda por trabalhador no longo prazo. Assim, países que acumulam mais capital por trabalhador, e países com mais capital por trabalhador têm um maior produto por trabalhador.

 

De acordo com o economista americano Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia de 2008, no livro intitulado Internacionalismo Pop, "Como, então, as atuais nações avançadas conseguiram manter o crescimento sustentado da renda per capita nos últimos 150 anos? A resposta é que os avanços tecnológicos levaram a um aumento contínuo da produtividade total dos fatores - um aumento contínuo da renda nacional por cada unidade de insumo. (...) o professor do MIT Robert Solow concluiu que o progresso tecnológico foi responsável por 80% do aumento a longo prazo da renda per capita norte-americana (...)".

 

4. Os Impactos do Crescimento Populacional na Economia

 

Os países que têm taxas de crescimento populacional elevadas tendem a ser mais pobres, de acordo com o Modelo de Solow. Conforme Jefferson Mendes, "Um aumento na taxa de crescimento demográfico (n) representa o aumento da população e a depreciação. O novo estado estacionário tem um nível inferior de capital por trabalhador. Assim, o Modelo de Solow prevê que economias com altas taxas de aumento populacional terão níveis mais baixos de capital por trabalhador e, portanto, rendas mais baixas".

                  

Esta equação escrita acima indica que a variação no capital por trabalhador  é determinada, por período, pelos seguintes termos: o investimento por trabalhador (sy), a qual afeta de maneira positiva o capital (K); a depreciação (d) e a taxa de crescimento populacional (n), que influenciam negativamente a relação . É bom ressaltar que a cada novo período aparece novos trabalhadores que não havia no período anterior.

 

Tomando como inexistente os investimentos, se terá a redução da  devido o crescimento do termo L, isto é, da quantidade de trabalhadores. Logo, k (capital per capita) tende a cair por conta da depreciação (d), e da taxa de crescimento .

 

Atualmente, de acordo com os dados de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a esperança de vida ao nascer dos brasileiros é de 73,4 anos. O crescimento econômico brasileiro é muito lento se comparado com a China nos últimos 20 anos, o país mais populoso do mundo com um bilhão e trezentos milhões de habitantes, mas com uma taxa de crescimento demográfico de 0,6%. Destancando a variável n é 0,6%.

 

Para os otimistas, quanto mais capital humano, mais mentes para enfrentar os enormes desafios que uma população crescente possa trazer a economia mundial. Para os pessimistas, o crescimento populacional (leia-se mais bocas) está causando graves problemas sociais, econômicos e ambientais no mundo. A previsão é de que dos atuais sete bilhões de habitantes, a humanidade aumente para nove bilhões em 2050.

 

5. As Interpretações Macroeconômicas do Modelo de Solow com Capital Humano

 

Um dos modelos, que mostram a explicação de uns países serem ricos e outros pobres, é o Modelo de Solow com Capital Humano.

 

Foi verificado que a abrangência de variáveis atreladas ao capital humano embasava de maneira significativa a explicação dos modelos de crescimento econômico. Dentre estas variáveis, está à média de anos de estudos da população.

 

Com uma população mais instruída, vivendo mais e melhor, o país apresenta um estoque de capital humano mais elevado.

 

Aplicando a variável capital humano no Modelo de Solow tem-se:

 

, onde A é a tecnologia aumentadora de trabalho que cresce a uma taxa g, sendo H o acumulado da habilidade do capital humano.

 

Os indivíduos, nesta economia, trocam o rendimento originado do trabalho por investimento em capital humano.

 

Sendo assim, considera-se que , onde ψ é uma constante positiva e µ é a fração de tempo que os indivíduos disponibilizam ao investimento em capital humano, enquanto que L é a quantidade de pessoas na economia.

 

Com um acréscimo de µ, uma unidade de trabalho qualificado faz crescer as unidades de força de trabalho qualificada H.

 

Dessa maneira, tem-se:

Dado , considera-se a expressão abaixo aplicado os logaritmos:

 

Derivando em relação ao tempo ter-se-á:

,

 

O que significa que um pequeno aumento em µ faz H crescer a uma taxa ψ%.

 

A equação de acumulação de capital físico fica da seguinte forma:

.

, onde sk é a taxa de investimento em capital físico e d é a taxa de depreciação do capital, Y é o produto e K é capital.

 

Resolvendo o modelo ter-se-á a expressão de rendimento per capita abaixo:

 

Dado, tem-se que

()

 

(A℮), onde h = ℮ψµ

 

Com base na última equação, h constante implica que a função de produção é similar a do Modelo de Solow com tecnologia.

 

Isto é, ao longo do caminho de crescimento equilibrado, y e k crescerão a uma taxa constante g (taxa de crescimento do progresso tecnológico). As equações de estado estacionário do modelo serão:

*

 

 

*

 

E em relação ao produto por trabalhador se terá:

*

                                    

 

Esta última equação fornece a explicação dada pelo Modelo de Solow para a existência de países ricos e pobres no sistema capitalista.

 

6. O Capital Humano e o Crescimento Econômico

 

O ser humano deve estar na prioridade de todas as ações, decisões, estratégias e programas dos agentes econômicos. Os países capitalistas prosperam mais se enriquecerem seus habitantes dando-lhes um maior acesso a educação. O empresário Eike Batista é o homem mais rico do Brasil e o sétimo mais rico do mundo, com a fortuna de US$ 30 bilhões, segundo os dados de 2012 da prestigiada revista americana Forbes. O sonho de Eike Batista é ser o homem mais rico do mundo. Eike, sócios e trabalhadores do Grupo EBX estão construindo o Superporto do Açu, no Rio de Janeiro, para transportar as riquezas do Brasil pelos portos brasileiros através da navegação de cabotagem e, sobretudo, exportar para os portos dos países desenvolvidos, emergentes e pobres. O próprio Eike Batista revelou: "A minha fortuna vem da minha educação. Fui muito bem educado".

 

Na economia globalizada em que vivemos, a prosperidade econômica das nações gera grandes benefícios sociais, econômicos e ambientais. O capital humano é extremamente importante para o país que busca o crescimento econômico sustentado. Temos como exemplo de acúmulo de capital humano, o economista e o engenheiro civil, que juntos trabalham em prol da prosperidade econômica. Um dia, o economista olha para a outra margem do rio perene, elabora um projeto de viabilidade econômica e vislumbra um futuro melhor, enquanto o engenheiro civil constrói a ponte sobre o rio perene para durar décadas ou séculos, onde irá passar um trem de cargas. Ou seja, antes de ser economista e engenheiro civil, os profissionais citados no exemplo dedicaram algum tempo de suas vidas para adquirir tais habilidades.

 

Na verdade, precisamos urgentemente de um Brasil com menos tributos (o país tem um total de 85 tributos), menores taxas de homicídios (o país apresenta uma taxa anual de 27,1 homicídios para cada 100.000 habitantes) e de corrupção (é um absurdo os desvios de verbas federais na Ferrovia Norte-Sul, a mais extensa via férrea do país com previsão de 4.576 km, em 25 anos de obra ainda inacabada).

 

Necessitamos acelerar o crescimento econômico do Brasil, com ênfase na educação de sua população. O Brasil é a sexta economia do mundo, com PIB de US$ 2,4 trilhões em 2011, mas no ranking internacional da educação feito pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura), encontra-se em 88º lugar entre 127 países. O volume de investimento público em educação no Brasil foi de apenas 5,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010. Em primeiro lugar no ranking da UNESCO é o Japão, atualmente, a terceira maior economia do mundo, atrás apenas dos EUA e da China.

 

De acordo com o IBGE, os brasileiros com 10 anos ou mais de idade passam, em média, 7,2 anos de sua vida na escola. Conforme o IBGE, 50 milhões de brasileiros ainda vivem em favelas e outros tipos de habitação precária. Na sexta maior economia do mundo, segundos os dados do IBGE, 47,5% dos domicílios brasileiros não estão ligados à rede de esgoto. Para a FGV (Fundação Getulio Vargas), a baixa escolaridade da população brasileira mantém o país entre as dez nações mais desiguais do mundo. A pergunta é: Como passar de país emergente para país desenvolvido com tanta desigualdade, com tantas crianças fora da escola?

 

É bom salientar que no mundo globalizado que vivemos, ainda sofrendo as consequências da crise de 2008, após a falência do banco de investimentos americano Lehman Brothers em 15 de setembro, não podemos ser coniventes com o crescimento econômico atrelado a destruição do meio ambiente, e sim com o crescimento econômico em conjunto com o desenvolvimento social e com a preservação ambiental para atuais e futuras gerações, leia-se desenvolvimento sustentável.

 

Para se conseguir esse desenvolvimento sustentável, é necessário investir em capital humano, pois apenas com esse investimento as pessoas terão mais consciência da importância dos recursos naturais finitos e estarão dessa maneira, mais abertas para ideias e programas sustentáveis. É hora de incentivar projetos na área de Economia Verde (Green Economy).

 

É imprescindível a todas as nações capitalistas investir em capital humano para estabelecer o consumo consciente, adquirindo ganhos de produtividade sem danos ambientais. Essa gigante potência verde chamada Brasil, precisa investir mais em energias renováveis como energia solar, energia eólica, energia da biomassa e energia das ondas do mar. É bem vindo e importante o investimento estrangeiro porque transfere tecnologia para as cinco regiões do país. O Brasil é a 6ª maior economia do mundo, mas representa apenas 2,2% do PIB mundial. Necessitamos de mais investimentos externos nos diversos setores da economia brasileira. A nova previsão dos economistas do banco americano Goldman Sachs, é que em 2030, o Brasil será a 4ª maior economia do mundo, atrás apenas da China (1ª), EUA (2ª) e Índia (3ª).

 

7. Considerações Finais

 

Como se tentou mostrar neste artigo, na era do conhecimento, os principais fatores para o crescimento econômico são grandes investimentos em educação de qualidade e em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Estes são fatores que influenciam no crescimento a longo prazo da economia.

 

Portanto, alguns países são ricos pelo fato de apresentarem altas taxas de investimentos em capital físico e disponibilizarem muito tempo para o acúmulo de habilidades do capital humano per capita (h). Além disso, possuem baixas taxas de crescimento populacional e altos níveis de tecnologia.

 

O crescimento econômico não vem num passe de mágica ou no toque de Midas, e sim de muitos investimentos no capital humano para operar em máquinas modernas ou gerar novos conhecimentos. A acumulação de capital humano cresce com boas escolas e universidades públicas e privadas.

 

Com certeza absoluta, o capital humano precisa ser muito bem treinado para gerar produtividade e competitividade na economia capitalista. A produtividade e a competitividade crescem graças ao avanço tecnológico e vão tornar o país mais rico.

 

Quanto mais educação de qualidade, maior probabilidade de promover o crescimento econômico. Quanto mais produtividade, maior o crescimento da economia do país. Os ganhos de produtividade sobem com os avanços na educação.

 

Desta forma, conclui-se que o Professor Emérito do MIT, Robert Solow, ainda hoje, cinco anos depois da crise econômica mundial, onde seus impactos econômicos, sociais e ambientais ainda pode ser sentido, defende em palestras, novas ideias para um novo mundo. Parabéns Professor Robert Solow! Vamos celebrar os seus 88 anos de idade e as ideias que ajudaram a esclarecer o papel da acumulação de capital físico e destacaram a importância do progresso tecnológico e do capital humano como os motores fundamentais do crescimento econômico sustentado.

 

8. Referências Bibliográficas

 

KRUGMAN, Paul. Internacionalismo Pop. São Paulo: Editora Campus, 1999.

 

MENDES, Jefferson M. G. Crescimento econômico: Modelo de Solow. Disponível em: http://www.cursoaprovacao.com.br/cms/artigo.php?cod=34256053. Acesso em 26 de agosto de 2012.

 

SANDRONI, Paulo. Dicionário de Economia do Século XXI. 4ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2008.

 

SOLOW, Robert. A Contribution to the Theory of Economic Growth. Disponível em: http://faculty.lebow.drexel.edu/LainczC/cal38/Growth/Solow_1956.pdf. Acesso em 24 de agosto de 2012.

 

SOLOW, Robert. Technical Change and the Aggregate Production Function. Disponível em: http://www.alda.name/texty/Robert%20M.%20Solow%20-%20Technical%20Change%20and%20the%20Aggregate%20Production%20Function%20-%201957.pdf. Acesso em 25 de agosto de 2012.

 

*Economista, professor de Economia da LUMEN FACULDADES e escritor de quatro livros digitais de Economia (paulogalvaojunior@gmail.com).

**Estudante de Economia da UFPB (kalyne_lourdes@hotmail.com).

 


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