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Bioeconomia

09.10.2010
 
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Bioeconomia

BIOECONOMIA

Marcus Eduardo de Oliveira (*)

Na compreensão dos processos econômicos contemporâneos, algo de extrema importância não pode escapar da estratégia envolvida na construção dos caminhos que apontam para uma economia solidária (com justiça social equilibrada) e para um modelo de crescimento econômico centralmente sustentável (também com equilíbrio e respeito ao meio ambiente).

Os termos “equilibrado e sustentável” são aqui empregados de forma adrede. Com isso, desejamos apontar para a necessidade de que todos convivam pacificamente de forma equilibrada e sustentada ao longo do tempo em suas relações com o meio ambiente. A razão disso? É simples! O sistema econômico que aí está, grosso modo, para atender as nossas necessidades opera dentro do meio ambiente. Esse sistema é, ademais, apenas um subsistema de algo maior: o próprio meio ambiente. E, caso a relação economia / natureza não seja ao menos equilibrada, o caos logo se avizinha.

Nunca é desnecessário comentar que há uma intensa interação entre economia e natureza, pois é sabido que do meio ambiente o sistema econômico retira recursos naturais para serem transformados em bens e serviços visando promover, na ponta final, o consumo. Consumo esse que, por sua vez, atenderá necessidades múltiplas de todos nós.

A necessidade do contextualizado “equilíbrio” entre recursos econômicos e recursos naturais decorre, portanto, da conscientização de que essa relação de extração natural feita pela economia é na maior parte do tempo pouco inteligente e muito agressiva, uma vez que envolve geração de resíduos, rejeitos e poluentes (tanto no ato da produção em si, como no descarte dos produtos após o uso). Logo, caso não seja realizado a contento, tal processo de extração tende a se converter e potencializar novos desequilíbrios. Percebe-se assim, contudo, que o sistema econômico produtivo tem então uma capacidade ímpar em desequilibrar e também em poluir: polui e desequilibra na entrada (retirando recursos naturais) e na saída (descartando-os).

Conquanto, foi justamente a partir dessa relação nada amistosa e muito desequilibrada entre esses atores principais - economia / natureza - que em meados da década de 1960 começou a surgir explicações técnicas que davam conta da imprescindível necessidade de mudar o rumo do processo produtivo. Àquela altura já se vislumbrava claramente que as constantes agressões ao ambiente somente poderiam gerar passivos ambientais.

Entrementes, foi dessa constatação que também surgiu outra visão econômica que envolvia tanto a biologia como a física; ambas, por sinal, se “relacionavam” à sua maneira com as teorias econômicas consolidadas até então.

Nesse pormenor, cumpre destacar uma idéia teórica que ganhou certa proeminência, embora ainda hoje continua “apagada”, ao menos dentro da abordagem feita pela tradicional teoria econômica: trata-se do que se convencionou chamar posteriormente de bioeconomia.

O que seria isso? Bioeconomia seria a base científica da economia. Na essência, a bioeconomia pode ser definida como um conceito de desenvolvimento que pressupõe novas relações com o meio ambiente, com o planeta Terra em si e com as pessoas.

Federico Chicchi, sociólogo italiano e um dos mais preparados estudiosos desse assunto, aponta que “a bioeconomia refere-se ao processo de captura da vida e à produção da própria vida no interior das regras do discurso econômico”.

Para René Passet, outro renomado especialista no assunto, a bioeconomia é o “novo paradigma da economia”. Esse pensador francês destaca que o conceito de bioeconomia surgiu como conseqüência do alerta ecológico dos anos 1960/70, que descobriu o processo econômico como uma extensão da evolução biológica. A termodinâmica e a biológica são os seus fundamentos. O seu objetivo, diz Passet, “é integrar as atividades econômicas nos sistemas naturais porque as leis da macroeconomia não se reduzem às da microeconomia”. O interesse geral, aponta Passet, “(...) é muito mais do que a soma das partes. Os mecanismos naturais (como o ar, a água) não têm que ver com as leis de mercado; por sinal, problemas com esses bens comuns e naturais transcendem a lógica das nações e dos mercados”.

Dessa forma, na visão de Passet, com a qual corroboramos, a economia situa-se além de si mesma e vislumbra um novo modelo de desenvolvimento, chamado, pois, de bioeconômico. E esse modelo para se efetivar precisa ser de caráter integrador, caso contrário, malogrará.

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