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NSA segue espionando: Onde está a mídia predominante? E a sociedade civil?

08.03.2016
 
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NSA segue espionando: Onde está a mídia predominante? E a sociedade civil?

"A democracia [para a política mundial dominante] é um luxo que nem todos merecem"
(Eduardo Galeano)

No último dia 23, WikiLeaks revelou (https://wikileaks.org/nsa-201602/) que a Agência de Segurança Nacional (NSA, por sua sigla em inglês), segue espionando indiscriminadamente: desta vez, a vítima foi a reunião particular estratégica sobre mudança climática realizada em Berlim, da qual participaram a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban-Ki-moon, os quais buscavam soluções para o problema da mudança climática. De acordo com documentos secretos da NSA liberados por WikiLeaks, a reunião foi espionada por microfones ocultos instalados pela agência de inteligência norte-americana.

Por Edu Montesanti

Além disso, a NSA espionou as reuniões e as entrevistas do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ex-primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi. Na conversa entre os líderes, destaca que durante sua entrevista o primeiro-ministro israelense "suplicou" a seu homólogo da Itália que o ajudasse a obter acordo com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. A agência estadunidense também escutou reuniões privadas entre o presidente francês, Nicolas Sarkozy, com Merkel e Berlusconi.

E se não bastasse, a NSA espionou as conversações entre os altos escalões da União Europeia (UE) com os ministros de negócios do Japão, sobre suas "linhas vermelhas do comércio" secretas.

O editor de WikiLeaks, Julian Assange, disse:

"Hoje provamos que as reuniões privadas entre o Secretário-Geral Ban Ki-moon sobre como salvar o planeta da mudança climática foram escutadas por um país que busca em proteger suas maiores empresas de petróleo.

"Já em 2010, revelamos que a então secretária de Estado Hillary Clinton [dos EUA] ordenou que seus diplomatas roubassem dados biométricos e outras informações da liderança da ONU.

"O governo dos EUA tem acordos assinados com a ONU, nos quais garante que não se envolverá em tal conduta. Será interessante observar qual será a reação da ONU já que, se seu secretário-geral pode ser objeto de espionagem, cujas comunicações e a pessoa possuem inviolabilidade jurídica, podem ser repetidamente atacados indiscriminadamente, todos estão em risco."

Doce Ironia do Destino

"Democracia é necessidade básica, nata aspiração humana em seu anseio por liberdade, o que as novas gerações "exigem" apoiadas também nas novas tecnologias que, entre outros benefícios, estão crescentemente evidenciando a podre essência do sistema mundial"
(Edu Montesanti)

"Achar que os norte-americanos se sentam com nossa mídia todos os dias ao meio-dia para pautá-la, é uma paranoia comunista", sentenciou certa vez nosso professor de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, sr. Andrade, devido a reclamações de alunos especialmente à prática "jornalística" da Rede Globo - dentre tais críticos, estávamos os que, constantemente, reclamávamos da própria prática "jornalística" da faculdade, e das precárias condições dos materiais ali. Semanas antes, havíamos organizado dentro da instituição barulhento panelaço com apitaço e cornetaço, além de discursos protestantes em microfone nos idos de 2002.

Doce ironia do destino: "(...) O Estado de S. Paulo e O Globo, além da revista Veja, podem se dedicar a informar sobre os riscos que podem advir de se punir quem difame religiões, sobretudo entre a elite do país. Esra Embaixada [dos EUA em Brasília] tem obtido significativo sucesso em implantar entrevistas encomendadas a jornalistas, com altos funcionários do governo dos EUA e intelectuais respeitados. (...) Visitas ao Brasil, de altos funcionários do governo dos EUA seriam excelente oportunidade para pautar a questão para a imprensa brasileira. Outra vez, especialistas e funcionários de outros governos e países que apoiem nossa posição a favor de não se punir quem difame religiões garantiriam importante ímpeto aos nossos esforços", é uma das graves revelaçõesWikiLeaks (http://wikileaks.org/cable/2009/12/09BRASILIA1435.html) através de telegrama secreto emitido pelo centro de espionagem da CIA na capital brasileira. 

Nunca havíamos colocado exatamente isso na faculdade de Jornalismo da Universidade Metodista, mas realmente, professor Andrade, eles literalmente se sentam com nossa mídia para conspirar. O senhor já sabia? Como?

Falência moral da grande mídia de desinformação das massas

Desde que WikiLeaks passou a liberar mais de 250 mil telegramas confidenciais, secretos e ultra-secretos emitidos pelas supostas Embaixadas norte-americanas (centros de espionagem compostos por agentes da CIA travestidos de diplomatas) em todo o mundo, que mudam completamente a leitura que se faz da política internacional, passando pelas denúncias do heroi Edward Snowden, a mídia predominante internacionalmente tem minimizado tais revelações, e em muitos casos até as ridicularizado.

Desde que vieram à tona as denúncias de Assange e posteriormente de Snowden, a mídia brasileira, a exemplo do que tem ocorrido em praticamente em todo o mundo, tem mantido o assunto alijado de seus editoriais, e as próprias notícias, sem o devido destaque, têm tratado de passar a ideia de que não se trata de nada grave, enquanto, apenas para mencionar os governos internacionais, uma, apenas uma informação oficial vale, invariavelmente, milhões de dólares - mais ou menos milhões de dólares, dependendo do caso.

No caso particular da mídia brasileira, conseguiu superar a norte-americana, desde o início dos casos em questão, em matéria de omissão e distorção dos fatos, confirmado aquilo que defendemos em nosso livrinhoMentiras e Crimes da "Guerra ao Terror" - E o Jornalismo Brasileiro Manchado de Sangue a mídia tupiniquim é, historicamente e sem sombra de dúvidas, mais subserviente aos interesses de Washington que a própria mídia dos Estados Unidos. 

Enquanto isso, meios de comunicação alternativos bloqueados na Internet:Diário Liberdade (e tantos outros, incluindo blogs progressistas. Para nem mencionar relatos pessoais (abordados mais adiante, dramaticamente envolvendo inclusive este autor e o próprio Coletivo Editor do Diário Liberdade). Mas para a mídia comercial tupiniquim financiada diretamente por Washington (outra revelação cabal de WikiLeaks), é como se nada de muito importante estivesse ocorrendo.

Logo que se tornou conhecido pelas denúncias de espionagem massiva por parte da NSA, Snowden afirmou, como sempre com base em documentos oficiais, que o Brasil tem sido a nação mais monitorada ao longo da última década na América Latina, e que em janeiro de 2013 foi, simplesmente, o mais espionado do mundo atrás apenas dos residentes, vigiados nos próprios Estados Unidos, "que teve 2,3 bilhões de telefonemas e mensagens espionados".

Este último fato, a massiva espionagem dentro de casa contra políticos, funcionários públicos, diplomatas, jornalistas, empresas e cidadãos comuns, joga por terra, como verdade evidente por si mesma sem se necessitar muito esforço intelectual, a versão histórica da comunidade de inteligência dos Estados Unidos mesmo quando esta se vê envolvida em assassinatos em masa a fim de derrubar governos democraticamente eleitos, na América Latina e no mundo: de que a agressividade de Washington e o ferimento à sua própria Constituição e a todas as leis internacionais, devem-se à defesa da segurança nacional do Império em decadência (moral, intelectual, econômica e política). Tudo isso assim como os própris drones assassinos de civis em todo o mundo superando até a era Bush filho, tratado pela mídia brasileira por algum tempo até cair no esquecimento, como "excessos de Obama".

Como a jornalada tupiniquim carece do mínimo senso investigativo (requisito básico do ofício jornalístico), não informa que a estranha morte do então presidenciável Eduardo Campos em 2014, deve ser colocada no seguinte contexto: em 13 de junho de 2013, foi denunciado por Snowden que "quatro agentes da Abin [Inteligência brasileira] foram presos por espionar o governador Eduardo Campos 

A morte de Campos, em acidente aéreo, seria questionada posteriormente por algumas vozes no deserto, que insinuariam que a CIA estivesse por trás da tragédia, como por Ex-Oficial da Marinha dos EUA Sustenta que CIA Matou Eduardo Campos publicado no sítio norte-americano Strategic Culture Foundation. Mas nada disso faz como jamais fez parte da agonizante vida midiática brasileira.

Menos de um mês depois da revelação de espionagem Made in USA contra Campos, em 8 de julho, seria denunciado que "NSA e CIA mantiveram em Brasília equipe para coleta de dados filtrados de satélite. Brasília fez parte da rede de 16 bases dedicadas a programa de coleta de informações". Porém, nada mudaria na linha editorial da cínica jornalada brasileira. Imaginemos, pois, se tais crimes partissem, por exemplo, do governo venezuelano...

Voltando à omissão midiática que, certamente, não se dá por mera inaptidão investigativa, não se coloca em contexto: o fato de o Brasil ser um dos mais espionados do mundo ao longo dos anos; a rede social Fez-Se Buque da CIA (da qual Mark Zückerberg é sabidamente um laranja); Gene Sharp arquitetou à mesma CIA a tal "revolução colorida" que consiste em agitar sociedades mundiais cujos governos incomodem Washington; e países como Israel e os próprios Estados Unidos jamais são varridos por essas "revoluções" (na maioria dos casos, completamente artificiais), para desaguar naturalmente no fato que as "Jornadas de Junho de 2013" e outras mais adiante no Brasil, que começaram e terminaram repentinamente seguindo "estranhas" tendências globais, tratou-se de mais uma obra e graça da CIA. 

Veja este gráfico, que demonstra a intensidade da espionagem massiva praticada por Washington, qualificada no início de todas as denúncias de mera "bisbilhotagem", para logo cair no esquecimento midiático e coletivo mesmo evidenciando que o Brasil (incluindo milhões de cidadãos residentes no país) é um dos países mais vigiados do planeta pelos Estados Unidos:

Mídia Caduca

Já não é de hoje que a mídia comercial está há anos-luz de distância dos interesses da sociedade - o que também explica sua vertiginosa perda de credibilidade, a qual inevitavelmente resulta na crise econômica de longa-data, que apenas cresce.

No dia 15 de junho de 2013, a Folha de S.Paulo promoveu "debate" na página A3 da versão impressa: "O Governo Deve Monitorar os Cidadãos?". Joanisval Gonçalves, advogado e especialista em inteligência de Estado justamente pela Abin, não poderia ter sido mais patético na arte de ignorar (deliberadamente ou não, eis a questão...) as implicações do terrorismo internacional, e de um Estado de direito fazendo-se valer de uma baratíssima filosofia jurídica: 

(...) Nenhum direito individual é absoluto. A vida em sociedade requer a mitigação de alguns direitos individuais diante de certas necessidades coletivas, como a segurança. (...) Assim, se as pessoas estiverem sob uma ameaça de significativa gravidade, o Estado pode mesmo violar a privacidade para protegê-las, sob a justificativa do imperativo da segurança.

(...) Na era do conhecimento e da realidade virtual, as pessoas devem estar conscientes de que podem ser objeto de vigilância, legal ou não. O Big Brother está lá, ainda que não gostemos dele.

Joanisval defende tais ideias, mesmo que lhe valha concluir isto:

Entretanto, muito difícil será impedir que autoridades estadunidenses monitorem as comunicações de brasileiros. Afinal, quem controlará as ações de política externa dos Estados Unidos? Que força terão os governos de outros países para impedir ou neutralizar iniciativas tecnológicas intrusivas da superpotência?

Seria ingênuo imaginar que, se houver uma determinação de um governo como o dos Estados Unidos, respaldada em leis e em autorização judicial ou legislativa, as informações pessoais de qualquer ser humano pelo globo ficarão a salvo do monitoramento.

Já o editor-chefe do autodenominado Observatório da Imprensa (financiado pela Ford Foundation, conhecida ONG de fachada da CIA), o "jornalista", senhor Alberto Dines (sionista que promoveu o golpe militar brasileiro de 1964), tachou de velho ressentimento contra os Estados Unidos repúdio ao crime internacional de espionagem sem precedentes por parte de seus padrinhos de Washington (crime qualificado por ele, repetidamente até logo se esquecer do assunto, de xeretagem).

À época, este autor escrevia semanalmente no sítio na Internet do tal de Alberto Dines, e logo publicou: Observando o Observador: Análise Infeliz do Chefe do Observatório da Imprensa. É desnecessário dizer que, insistindo inclusive no caso Snowden enquanto defendia a democracia cubana e Venezuelana, ao mesmo tempo que ainda denunciava crimes sionistas e norte-americanos mundo afora, este autor acabaria boicotado (uma medalha de ouro da comunicação trazida por quem vos escreve).

A realidade é que a suposta xeretagem de Obama  fere a mesma liberdade sobre a qual os EUA e seus catadores de migalhas (Dines entre eles) justificam invasões e golpes. Mais uma amenização midiática ao reconhecido controle social e político, global e totalitário do Império. Em que mundo estamos?

Ativista, cidadão comum: Você também é vítima

O Departamento de Análise e Antecipação Geopolítica e Econômica da CIA, entrega à Casa Branca a cada novo mandato presidencial seu parecer sobre questões internacionais. Em janeiro de 2013, o informe intituladoGlobal Trends 2030 - Alternative Worlds  (Tendências Mundiais 2030: Novos Mundos Possíveis), trazia consigo esta afirmação: "[Os meios eletrônicos fornecem] Uma capacidade sem precedentes para [o governo] vigiar seus cidadãos".

Snowden apresentou documentos ainda que comprovam como a NSA não apenas vigia cidadãos comuns e ativistas por direitos humanos, como também envia mensagens de suas contas eletrônicas (celulares, correios e redes sociais) para difamá-los e caluniá-los perante seus círculos (neste sentido, depoimentos deste autor mais adiante). Antes dele, Assange já havia revelado que o Fez-Se Buque é uma verdadeira máquina de espionagem

No que diz respeito à mencionada máquina de espionagem que representa o Fez-Se Buque, a rede de TV Russia Today publicou em seu sítio na Internet em 2011, após ter entrevistado Julian Assange:

"Nas redes sociais temos a base de dados mais ampla sobre os cidadãos, suas relações, o nome de seus contatos, seus endereços, as mensagens que trocam com outras pessoas e isso tudo é alojado nos EUA, acessível aos seus serviços de inteligência", disse Julian Assange.(...) Para Assange, as empresas por trás desses serviços - como o Google e o Yahoo - criaram mecanismos para facilitar o acesso dos serviços de inteligência à esse tipo de informação. "Obter uma citação ou um requerimento judicial já não é um problema. Existe uma interface de conexão já em uso. Isso quer dizer que o Facebook está sendo gerido pelos serviços de inteligência americanos? Não, não é isso. Simplesmente a inteligência dos EUA tem a capacidade legal e política para pressioná-los. É caro manejar um a um cada um dos arquivos, por isso automatizaram o processo".


E o fundador de WikiLeaks vai além: quem usa as redes sociais com frequência e convida os amigos a participarem do Facebook está trabalhando de graça para as agências de inteligência dos EUA.

Em outubro de 2008, o então quinzenal A Nova Democracia (Brasil) já havia denunciado, na reportagem SNI Continua Sabotando o Povo que, A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) não passa de uma reedição do SNI, o Serviço Nacional de Informações, criado sob a supervisão da CIA em 1964 pelo gerenciamento militar então recém instaurado no Brasil.

A Abin foi criada há quase dez anos, e quase dez anos depois do fim do seu antecessor. O "monstro" - nas palavras do antigo manda-chuva do SNI, o general Golbery Couto e Silva - foi extinto em 1990 e ressuscitado em 1999 por obra e graça de Fernando Henrique Cardoso, sendo então devidamente rebatizado.

Hoje, os sucessivos casos de grampos ilegais que chegam ao conhecimento público - além das exorbitantes 407 mil autorizações judiciais para escutas telefônicas - nada mais são do que a ponta do iceberg. Valendo-se das atualizações tecnológicas, generalizou-se uma prática fascista do SNI na época dos milicos sob o nome de "sangrar linhas". Ontem e hoje o objetivo é o mesmo: a espionagem e a sabotagem das organizações populares que têm objetivos revolucionários.

Relacionado a essa vigilância generalizada a nível global, o jornal britânicoThe Guardian expôs documento secretoObama Tells Intelligence Chiefs to Draw Up Cyber Target List(Obama Diz a Chefes da Inteligência que Elaborem Lista de Alvos na Internet). Ali, evidencia-se o quanto Washington tem fechado o cerco à sociedade civil, mesmo a cidadãos mais comuns.

Em janeiro de 2007, Mark Klein, ex-técnico aposentado da AT&T onde gavia trabalhado por mais de 20 anos, concedeu importante entrevista à rede de TV norte-americana PBS, revelando que, Toda a sua navegação na na web, o que você está fazendo na internet - as fotos, os vídeo, as voz na Internet - tudo isso está sendo monitorado dentro e fora dali.


E então, é claro, há o interruptor de telefone tradicional, que monitora o que vem fazendo antes do acesso à internet.

(...) Manipulação de milhões e milhões de telefonemas, certo. Esse é o seu trabalho [ da AT&T]. É uma grande central.

[John] Pondexter [diretor do Departamento de Informação (Information Awareness Office) durante a administração de Bush] causou grande rebuliço no Congresso, poiso que Pondexter estava propondo era recolher bancos de dados de todos os lugares - e isto foi publicado noNew York Times - recolher dados da Internet, registros bancários, registros de viagens, tudo em um grande conglomerado que poderia ser pesquisado pelo governo, com possibilidade de encontrar tudo sobre o que alguém está fazendo, a qualquer hora do dia. E tudo isso seria feito sem mandados.

Em 2004, Mark Klein passou a denunciar ao jornal The New York Timesligações entre sua empresa com a NSA. Era ano de eleição, Bush concorria ao segundo mandato na Casa Branca, de maneira que o jornal só passaria a divulgar as revelações de Klein após a reeleição de Bush.

Logo que vieram à tona as denúncias de Snowden, contudo, James Clapper, chefe da NSA, condenou abertamente a atitude do ex-contratista da NSA e da CIA, afirmando que a vigilância serve para "proteger a nação" O presidente Obama, por sua vez, defendeu a vigilância no dia seguinte às revelações, afirmando que "ninguém pode ter 100% de segurança, 100% de privacidade e nenhum inconveniente", ao mesmo tempo que se mostrou claramente irritado com os vazamentos das informações secretas de seu governo. Justificou também o monitoramento generalizado na aprovação do Congresso (versão desmentida por diversos deputados) e autorização judicial - diversos crimes ao longo da história encontraram a mesma justificativa; por exemplo, na Alemanha antes e durante a II Guerra Mundial era legal exterminar judeus, nem por isso justo, pelo contrário, completamente imoral. 

O procurador-geral dos EUA, Eric Holder, afirmou que "os vazamentos são extremamente prejudiciais. Como resultado, se pôs em perigo a segurança nacional, a segurança dos cidadãos americanos, das pessoas que residem em países aliados", invertendo completamente a ideia de Platão, de que a sociedade é ato primeiro, e o Estado, segundo, o procurador-geral de Obama desconsidera que seu governo, sim, colocou em risco a segurança da sociedade através da invasão à privacidade em massa, e não Snowden, a quem a administração de Obama agora condena.Neste sentido, logo em seguida disse Viviane Reding, comissária de Justiça da União Europeia, contra-argumentando justamente Holder através da Imprensa: "Questões de segurança nacional não podem ser conduzidas às custas dos direitos fundamentais de cidadãos europeus".

Já o presidente equatoriano disse à época, ecoando a profunda indignação de chefes de Estado progressistas da América Latina, bem ao contrário da típica apatia e covardia à brasileira:

"Os EUA quebraram a confiança dos países aliados, seus países amigos com esse tipo de espionagem".  (...) Pedi um relatório à Secretaria Nacional de Inteligência, para que sistematize correios eletrônicos que têm a ver com o Equador, e outros casos de nosso interesse, como o golpe de Estado de Honduras..."

Invasões às Minhas Contas Eletrônicas

Dezenas de contas de correio eletrônico minhas têm sido emergencialmente bloqueadas pelos mais diversos servidores: Hotmail,Yahoo!,BolWeb.de da Alemanha: além dos evidentes contratempos que envolvem isso tudo, materiais e documentos têm sido perdidos.

Desde fins de 2003, diversas mensagens minhas não chegam aos seus destinos, assim como não recebo muitas mensagens enviadas a mim. O que tem ocorrido com Diário Liberdade e com Pravda hoje, além de chamados profissionais apagados e muita difamação.

Esta última conta, Web.de, é um caso especial: nela, onde sofri ameaça de morte em dezembro de 2004, "se apitar, vai para 7 palmos debaixo da terra", (após ter ficado claro que a conta estava sendo invadida sobretudo através de relatos de contatos meus, o ameaçador afirmou que eu estava sendo monitorado, daí a ameaça) - à época, fui à 16ª Delegacia de Polícia (DP) São Paulo formalizar a queixa, de onde me enviaram à Delegacia de Meios Eletrônicos da Polícia Civil fazer boletim de ocorrência e o rastreamento solicitado por mim: de lá, enviaram-me de volta à 16ª Delegacia, dizendo que tampouco era com eles que o assunto deveria ser tratado.

De volta à 16ª DP, foi registrada a ocorrência (de maneira muito superficial), mas quanto ao rastreamento, como eu havia apagado a mensagem de ameaça não podia, segundo a Polícia, ser investigado o caso por "ausência de algo concreto", e hoje, com a conta bloqueada, nem rastreamento talvez seja possível se fazer - diversos artigos eram misteriosamente apagados.

Pouco depois, em 2005 liguei diversas vezes à operadora telefônica Claro, afirmando que minhas ligações estavam grampeadas. O descaso foi total, entre outras coisas me transferindo a inúmeros ramais e me deixando aguardar na linha muito , muito tempo. São inúmeras as ocorrências, as quais tento resumir na página acima indicada.

E mais: a entrevista original da afegã Malalaï Joya junto do registro de seus contatos pessoais com o jornal mineiro O Tempo, totalmente distorcida enviada pela afegã a nós cuja versão na íntegra consta no livro Mentiras e Crimes da "Guerra ao Terror", foi perdida devido ao bloqueio emergencial da Web. Nesta entrevista, totalmente cortada por O Tempo, Joya denuncia diversos crimes das Forças Militares norte-americanas em seu país, inclusive que a CIA traça o narcotráfico a partir do Afeganistão. Após publicação de meu livro, O Tempo retirou de seu sítio na Internet a "entrevista fantasia" com Malalaï Joya.

Nesta conta alemã,  um de meus contatos, do sexo feminino, ter denunciado o recebimento de mensagens sexualmente ofensivas em nosso nome (ao que notou não ser nossas mensagens, mas tratar-se de invasão comunicando-nos em seguida o ocorrido. Ali, ficou claro a mim porque contatos do sexo feminino, após primeiros contatos por correio eletrônico, simplesmente se afastavam de mim, com ar de repúdio.

Tal revelação veio na mesma época em que uma empresa lamentou, tarde demais, ter enviado chamado profissional à mesma conta, ao qual nunca tive acesso. Depois disso, muitas outras mensagens seriam enviadas, segundo terceiros, as quais jamais pude ler e nem responder. Embora não com a mesma frequência, tais inconvenientes criminosos seguem ocorrendo, 13 anos depois.

Foi desta conta que, predominantemente, mantive contato com o Afeganistão e também colaborava com traduções ao sítio da ativista afegã pelos direitos humanos e parlamentar expulsa do cargo pela Aliança do Norte em 2007 (colocada no poder por George Bush). Hoje, Joya vive escondida, na mais absoluta clandestinidade em seu país, jurada de morte.

É mera coincidência tudo isso? A realidade é que os últimos anos têm sido extremamente difíceis para mim, sob todos os aspectos: pessoais e profissionais. Muita coisa ainda é muito subjetiva, embora clara, e tudo se tornou mais nítido conforme contatos relataram o que recebiam em meu nome, o que não recebiam (mensagens que nunca chegaram) e o que não chegava deles a mim. Dificilmente consigo manter contatos pessoais por correio eletrônico (com pessoas mais distantes, perco o contato e diversas acabaram enojadas comigo pelo que receberam em meu nome, inclusive na Argentina onde estive a trabalho).

Abaixo, o Pitfall que tem sido me comunicar por meios eletrônicos ao longo destes anos:

Nota:


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Departamento de Abuso

Recebida diversas vezes no segundo semestre de 2011 após tentarmos, em vão, enviar mensagens de nova conta, recentemente aberta naYahooaté que, finalmente, ficamos totalmente impossibilitados de enviar qualquer mensagem:

Sua mensagem não foi enviada. 
Foi detectada uma atividade suspeita em sua conta. 
Para proteger sua conta e nossos usuários, sua mensagem não foi enviada.

Mensagem de Hotmail em dezembro de 2011, quando tentávamos acessar uma outra conta:

Sua conta foi bloqueada

Por que você está vendo isso?

Alguém pode ter usado sua conta para enviar uma grande quantidade de lixo eletrônico (ou outro item que viole os Termos de Serviço do Windows Live). 

Estamos aqui para ajudá-lo a reaver a sua conta. 

O que você precisa fazer?

Você será orientado em algumas etapas para verificar a propriedade da conta e alterar a senha, caso outra pessoa também esteja acessando a sua conta. Bastam alguns minutos e você será desbloqueado.

Limpamos as configurações da sua conta

Em geral, os clientes chegam aqui porque outra pessoa obteve acesso à conta deles e ela está sendo usada, sem que saibam, para enviar spam. Para que você e seus contatos sejam protegidos, removemos todas as respostas automáticas ou contas vinculadas que você já teve.

Em 16 de setembro de 2012 tentamos acessar novamente essa conta, sem sucesso, ao que recebemos como resposta de Hotmail:

Parece que outra pessoa está usando sua conta
Para ajudar você a retornar ao edu.goldoni@hotmail.com, nós precisamos verificar se é sua.

A mensagem acima foi novamente recebida em 19 de junho de 2012 em outra conta criada, definitivamente bloqueada por Hotmail

Em 14 de junho do mesmo ano, nova conta recentemente criada para o lançamento do livro
Mentiras e Crimes da "Guerra ao Terror", foi igualmente bloqueada recebendo esta mensagem:

Detectamos uma atividade incomum na sua conta do Hotmail. Para ajudar a proteger você e todos os
outros usuários, sua conta foi temporariamente bloqueada. Para desbloqueá-la, verifique a sua conta.

6 de janeiro de 2013, na tentativa frustrada de acessar outra conta criada a menos de duas semanas na Yahoo, exibida esta mensagem:

Lamentamos por você não conseguir acessar o email alternativo ou número de celular fornecido para sua conta. Deseja tentar outro email ou número de celular?

Retorne em 07 de janeiro de 2013, após às 15:05, quando será possível redefinir sua senha usando a pergunta secreta escolhida para sua conta.

Por que tenho que esperar?

Bloqueamos essa opção para sua proteção, pois acreditamos que alguém pode ter acessado sua conta sem a sua autorização. Entre em contato com o Atendimento ao cliente.

Contatar o atendimento ao usuário

Neste mesmo dia, foi tentado entrar em duas contas criadas no ano anterior na Bol, ambas impossibilitadas, com senhas trocadas.

Desta maneira, neste mesmo 6 de janeiro à tarde, criamos outra conta naBol, da qual contactamos algumas pessoas. À noite, a conta já possuía senha também modificada, e por fim a Bol informou que investigaria o ocorrido, em ambos os casos com a seguinte mensagem:

Central de Ajuda BOL

Foi excedido o número de tentativas de acesso vindas do endereço IP: (...) do seu computador ou rede em Sun Jan 06 22:05:39 BRST 2013. Estas tentativas foram registradas para a segurança dos usuários do UOL. 

O UOL pode usar estas informações para localizar e tomar todas as medidas legais cabíveis, para resguardar a privacidade de seus usuários.

 

2 de julho de 2011, ocorrido com o jornalista Jorge Kajuru:

CANALHAS DA INTERNET! ME DEIXEM EM PAZ! ESCLARECIMENTO IMPORTANTE:

Postado em 02/07/2011 na tvkajuru

ESTOU DESESPERADO! ACABO DE SABER QUE ALGUM CANALHA DESCOBRIU A SENHA DO MEU FACEBOOK E ESTÁ MANDANDO MENSAGENS PORNOGRÁFICAS E ABSURDAS, COINCIDENTEMENTE PARA MINHAS AMIGAS.

CASO VOCÊ TENHA RECEBIDO ALGUMA, JAMAIS CREIA, PELO AMOR DE DEUS, QUE TENHA PARTIDO DE MIM. ESTOU REVOLTADO E JÁ MUDEI A SENHA. ESSAS COISAS DE INTERNET, COMO HACKER E OUTROS BANDIDOS, ME DESANIMAM CONTINUAR USANDO ESSAS FERRAMENTAS.

Bater Palma para Louco Dançar

Tenho sido vigiado e sabotado há anos: há anos tenho relatado tudo, exatamente tudo o que está sendo denunciado por WikiLeaks e Snowden, e da mesma maneira que eles, afirmando que as vigilâncias têm se dado dentro dos padrões apresentados por ambos hoje. Para tais constatações, sempre baseado em minhas amargas, catastróficas experiências. Para muitos, parecia imaginação, até que foram vindo os relatos de meus contatos, outras circunstâncias e agora, as documentadas denúncias internacionais reveladas pelos jornais.


Este problema tem tudo a ver com você e comigo, afeta nossas vidas quer aceitemos ou não isso. Em algum momento, essa realidade pode vir à tona ou pode se perpetuar na invisibilidade, ou pode ainda se limitar à subjetividade que já levou muitos à loucura e ao suicídio. Nossas vidas "virtuais" devem ser repensadas, isto é, o tipo de uso que fazemos da internet: mais um meio militar dominado pelo Império.

Nosso governo deve seguir adiante exigindo explicações desses pseudo-donos do mundo e de vidas humanas, e para isso a sociedade deve apoiá-lo. Isto é, se a presente onda de protestos é uma autêntica Primavera baseada na consciência cidadã e não artificial massa de manobra, o caso da espionagem massiva made in USA será, naturalmente, incluído nos protestos.

A realidade é que os sucessivos governos de Washington, neste caso de Bush e Obama, não iriam colocar mais de 35 mil funcionários com apoio estrangeiro para espionar permanentemente bilhões de contatos eletrônicos de políticos e cidadãos brasileiros em geral, gratuitamente. Nossas vidas estão diferentes, as de alguns mais que a de outros, dependendo de cada caso.

Conforme previu em 2012 o criador e responsável por WikiLeaks, Julian Assange, a guerra do breve futuro será cibernética, para o que não resta mais nenhuma dúvida.

Já passou da hora de ativistas e sociedade civil em geral deixarem a apatia, para fazer uso dessas mesmas ferramentas e nos levantar, denunciar abertamente, em alto e bom som diante de todas as irrefutáveis provas que temos, e funcionam como cartas de alforria a nós, ex-paranoicos comunistas covardemente acusados, em um passado não muito distante, pelos desavergonhados usurpadores do poder, filhotes bastardos da Guerra Fria de péssima memória.

E afinal, a quem serve o jornalismo brasileiro? Será possível que milhões e milhões de brasileiros estejam sendo espionados, vigiados covardemente de perto perante tal silêncio midiático? Essa é a liberdade de expressão que as excessivamente cínicas empresas de mídia defendem? Para isso, rechaçam a regulação da Imprensa que existe nos Estados mais democráticos do mundo, inclusive nos Estados Unidos de quem elas catam as migalhas e de cujos principais jornais, ironicamente, vivem traduzindo reportagens?

Tais revelações não apenas não podem cair no esquecimento da sociedade, como devem servir como "chave interpretativa", nossa hermenêutica midiática perante um "jornalismo" predominante brasileiro que faz muito mais as vezes de voz oficial da Casa Branca, precária extensão da comunidade de Inteligência norte-americana, perfeito, evidente e ao mesmo tempo sutil desconstrutor, não construtor social da realidade, função esta do jornalismo.


Velha mídia envelhecida que insiste em bater palma para louco dançar - e o pior é que eles dançam entusiasticamente.

Edu Montesanti 


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