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Por trás das batalhas de Kiev

07.02.2014
 
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Oposição alimenta a revolta e a extrema-direita enfurece os manifestantes na capital ucraniana - Na capital, Kiev, o ex-campeão do mundo de boxe, Vitalj Klitcho, tentou assumir a liderança do movimento de oposição, empurrando os manifestantes contra as forças policiais para pedir a renúncia do presidente Yanukovich.

Achille Lollo de Roma (Itália)

Na capital, Kiev, o ex-campeão do mundo de boxe, Vitalj Klitcho, tentou assumir a liderança do movimento de oposição, empurrando os manifestantes contra as forças policiais para pedir a renúncia do presidente Yanukovich. Foi nesse âmbito que os grupos paramilitares da extrema-direita desfraldaram na Praça Maidan as bandeiras nazistas. Um fato que todos viram, menos a mídia europeia.


O que está acontecendo na Ucrânia parece um roteiro de um filme de ficção política, onde cada acontecimento é teleguiado por diferentes grupos de excelência, cujo objetivo é conseguir uma reação violenta da polícia de choque que há quase dois meses está atenta em não cair nesta armadilha política.


De fato, se a polícia reagisse disparando e matando manifestantes - tal como está acontecendo no Egito - todos os chanceleres da União Europeia e o próprio Obama subiriam nos palanques para defender "a revolução laranja", pedindo a renúncia do atual governo, chefiado por Mykola Azarov e, antes de tudo, a renúncia do presidente Yanukovich.


Diferentemente do que muitos esperavam em Bruxelas, em Londres e em Washington, a polícia limitou-se a manter o controle nas ruas em volta dos ministérios e enquanto ocorriam as manifestações, o exército ficou de prontidão em torno das 23 centrais nucleares. Uma medida tomada, no domingo (26), pelo ministro do Interior , Vitalj Zakharchenko, visto que no sábado os grupos paramilitares instigavam os manifestantes a ocupar o ministério da Energia e invadir o Departamento de Operações e Controles para fechar os gasodutos que permitem a Rússia exportar o gás na direção dos países da União Europeia. A desastrada tentativa de invasão foi repelida pelo próprio Ministro da Energia que alertou os manifestantes, explicando que qualquer danificação no sistema operacional do referido Departamento podia provocar o blackout em todo o país.


É evidente que a tentativa de provocar um desastre energético não foi casual. Essa foi uma das tantas iniciativas eversivas que os grupos paramilitares - na sua maioria neofascistas e neonazistas - estão tentando ativar para obrigar a União Europeia a impor sanções ao governo da Ucrânia, obrigando o presidente Yanukovich a pedir as demissões.
Neste contexto, a extrema-direita e os três partidos da oposição conseguiram sublevar somente a parte da Ucrânia "etnicamente europeia", realizando imponentes manifestações na capital Kiev e, a seguir, nas cidades de Sumy, Cernivci, Vinnycja, Rivne, Lutsk, Ternopil, Leopoli e Chernivitsi.

Porém, permanecem fiéis ao presidente Yanukovich as cidade do sul e do centro-sul "etnicamente eslavas"; nomeadamente: Odessa, Sebastopoli, Marhanets, Doneck, Kharkiv, Zitomir e Dnipropetrovsk. Um contexto que surpreendeu as excelências da eversão (destruição), visto que a revolta, aparentemente, implodiu na capital Kiev, porque o primeiro ministro, Mykola Azarov, havia rejeitado o protocolo de adesão à União Europeia.


Extrema-direita
O principal objetivo dos grupos paramilitares foi alcançado nas últimas duas semanas transformando as grandes ruas da capital Kiev em um campo de guerra, onde os simpatizantes dos três partidos da oposição logo apoiaram as tentativas dos grupos neonazistas em recorrer à violência para provocar a queda do governo. "Uma posição que, na realidade, vem contrariando o teor político dos debates realizados na Praça Maidan, que não previam uma ruptura política violenta, mas, sim, um acordo para reformular as" leis anti-motim" que o presidente Yanukovich havia introduzido na Constituição e as medidas negacionistas do primeiro-ministro Mykola Azarov, em relação a adesão à União Europeia.


De fato, o presidente Yanukovich, na sexta-feira, havia, praticamente, aceitado as reivindicações formuladas pelos três líderes da oposição e oferecido a Arsenij Yatsenjuk - ex-ministro da Energia e líder do partido da milionária Yiulia Tymoshenko, atualmente presa por fraude à receita - de chefiar o novo governo.


Porém, para evitar esse acordo, na tarde do sábado (25), os grupos paramilitares se apoderaram da Praça Maidan e assumiram a liderança autoproclamando- se "Guardiões da Praça da Revolução" . Por outro lado, no centro da capital, na Rua Kresahatyk, o boxeador Vitalj Klitcho desfrutava seu poder midiático, por ter sido campeão do mundo, para empurrar os manifestantes contra o Parlamento e o prédio do Conselho dos Ministros pedindo a imediata renúncia do presidente Yanukovich e a realização de novas eleições.


Duas ações, praticamente combinadas que inviabilizaram o acordo com Yanukovich, obrigando os três líderes da oposição a se afastar da mesa das negociações, além de dever aceitar em silêncio o desenrolar das bandeiras nazistas por parte dos "Guardiões" na Praça Maidan. Um contexto complicado para a mídia europeia que somente agora se deu conta que no momento em que enfatizava a queda de Yanukovich por ter rejeitado a adesão à União Europeia e por não respeitar os direitos humanos, na realidade, estava legitimando a formação de uma oposição virtualmente ligada aos grupos paramilitares neofascistas e neonazistas.

De fato, é evidente que quem está financiando as atividades dos "Guardiões" neofascistas e neonazistas, é o mesmo que em novembro financiou as manifestações para a adesão a União Europeia. Isto é, os agentes da milionária Yiulia Tymoshenko, que poderá sair da prisão somente com a queda do presidente Yanukovich.


Incerteza
Diante da baderna provocada pelos "Guardiões" neonazistas na capital Kiev e, sobretudo, diante da incapacidade do líder da oposição, Arsenij Yatsenjuk, em controlar a oposição e direcionar os acontecimento em direção de uma mudança não violenta, a incerteza política tomou conta do Parlamento Europeu, inclusive porque a simples questão da adesão econômica à UE, agora se transformou em um grave problema geopolítico que, como aos tempos da guerra fria, mexe com a geoestratégia da Rússia e da Bielorússia.


Um contexto político que pode explodir a qualquer momento dividindo a Ucrânia em dois, além de criar um grave problema energético para alguns países europeus, visto que as forçadas demissões do presidente Yanukovich podem inviabilizar os recentes acordos que este assinou com o presidente da Rússia, Vladimir Putim, nomeadamente: o desconto sobre o preço do gás fornecido o empréstimo de 15 bilhões de dólares à taxas reduzidas que o Banco Central da Rússia entregou a seu homólogo ucraniano.


Apesar disso tudo, entre as lideranças da União Europeia prevaleceu a tendência de impor ao governo da Ucrânia sanções caso o presidente Yanukovich continuar no poder em função da sustentação política da Rússia. Foi, portanto, nesse contexto que o alemão Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, tomou a iniciativa em atacar Yanukovich e inverter os acontecimento ao dizer: "Quem avança com a violência provoca a perda da confiança e por isso não devemos excluir a adoção de sanções da UE contra a Ucrânia." Também o presidente do Conselho Europeu, o belga Herman Van Rompuy, admitiu no sábado "a possibilidade da UE decretar sanções econômicas contra a Ucrânia, caso o governo não aceite dialogar com a oposição."


O problema é que hoje há uma oposição, manipulada pelos neofascistas e os neonazistas, que faz de tudo para que não haja nenhum tipo de diálogo ou de negociação com o governo. Uma oposição que excluiu do diálogo aquela outra metade da Ucrânia que disse não a União Europeia e que votou em Yanukovich.


Posições que revelam o desenho geoestratégico da União Europeia, com base no qual tudo o que está acontecendo na Ucrânia, na realidade, faz parte do longo processo de desagregação política, econômica, diplomática e sobretudo geoestratégica que a OTAN empreendeu na Ucrânia e na Bielorússia com o objetivo de enfraquecer a Rússia e reduzir, assim, sua influência na região.


De fato, o Comissário para a ampliação da UE, Fuele e a própria ministra das Relações Exteriores da União Europeia, Catherine Ashton, não disseram uma única palavra sobre as 15 execuções de policiais que os manifestantes realizaram durante e após as manifestações de sábado. Aliás, o próprio Comissário Fuele que esteve em Kiev, nada disse sobre a presença dos grupos neonazistas e o planejamento de destruição que os líderes desses grupos fizeram para provocar a polícia com armas da fogo, além dos tradicionais coquetéis molotov.


Um conceito belicista que ficou mais evidente na segunda-feira (27), nos debates realizados no âmbito da cúpula Espanha-Itália, onde dois os primeiros ministros reafirmaram a retórica de Martin Schulz dizendo que "a União Europeia não aceita a repressão, motivo pela qual vai usar as sanções econômicas para impedir sua realização".


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