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A recaída da Europa na crise econômica global

06.06.2010
 
A recaída da Europa na crise econômica global

Quando a maioria dos analistas e comentaristas do mundo ocidental se empenham em afirmar que a recuperação avança, a Europa parece viver uma recaída na crise econômica global. Não são poucas as notícias que dão conta da aplicação de planos de austeridade para reduzir déficits fiscais e dívidas públicas na Grécia, Espanha, Itália, Portugal e até Reino Unido.

Comentaristas econômicos famosos começam a fazer eco aos alertas sobre um sério risco da dívida, que poderá provocar outra grande depressão com efeitos danosos também nos EUA.


Se os planos de resgate, orçados em 750 bilhões de euros e aprovados pela União Europeia e Fundo Monetário Internacional não lograrem acalmar os mercados bolsistas, a economia europeia desabará novamente, segundo muitos analistas. A queda das bolsas nas últimas semanas e a forte depreciação do euro em relação ao dólar são sinais de que essas previsões não estão longe da realidade. As preocupações se transformam em pânico com relativa facilidade.


A verdade é que a Europa, um dos pilares da economia mundial, depois dos EUA, cambaleia. Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda, em função dos avultados déficits, foram identificados como epicentro de um cataclisma que, caso ecloda, poderá arrastar ao abismo todo o continente europeu e, num efeito dominó, a economia mundial.


Os dias passam e o bilionário pacote montado para salvar a Europa, em particular a zona do euro, não conseguiu dissipar as incertezas. Ao contrário, elas se multiplicam. Porém, mais que as frias estatísticas e as linhas vermelhas dos gráficos que ilustram a queda das principais bolsas do mundo, o que mais alarma são as consequências sociais e políticas da crise econômica global, em que a Europa parece ter recaído.
Durante os últimos meses quase 10 milhões de pessoas foram incorporadas ao exército de desempregados, que já soma 23 milhões e segue crescendo como a mais visível cara da crise.


Apesar disto, as medidas de autoridade afetam os setores mais vulneráveis da população europeia. Estima-se que os que já estão excluídos, mais de 80 milhões, terão ainda mais dificuldades para acessar serviços básicos e satisfazer necessidades elementares.


Tanto na Grécia quanto na Espanha, Portugal e Itália os ajustes fiscais aplicados provocaram a redução da renda de grande parte da população, o prolongamento da vida laboral, antes da aposentadoria e o corte dos gastos e investimentos nos serviços públicos.


Daí que a própria União Europeia confessou seus temores de que a crise econômica passe a ser social e, depois, política, o que poderá produzir cenários que até há pouco pareciam imprevisíveis na região.


Fonte: Granma Internacional


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