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A reforma sanitária dos Estados Unidos da América

06.04.2010
 
Pages: 123
A reforma sanitária dos Estados Unidos da América

Barack Obama é um fanático crente do sistema capitalista imperialista imposto pelos Estados Unidos ao mundo. "Deus abençoe os Estados Unidos”, conclui seus discursos.

Alguns de seus fatos feriram a sensibilidade da opinião mundial, que viu com simpatia a vitória do cidadão afro-americano perante o candidato da extrema direita desse país. Apoiando-se em uma das mais profundas crises econômicas que tem conhecido o mundo e na dor provocada pelos jovens norte-americanos que perderam a vida o que foram feridos ou mutilados nas guerras genocidas de conquista de seu antecessor, obteve os votos da maioria do 50% dos norte-americanos que se dignam acudir às urnas nesse democrático país.

Por elementar sentido ético, Obama devia ter-se abstido de aceitar o Prêmio Nobel da Paz, quando já tinha decidido enviar quarenta mil soldados a uma guerra absurda no coração da Ásia.

A política militarista, o saqueio dos recursos naturais, o intercâmbio desigual da atual administração com os países pobres do Terceiro Mundo, em nada se diferençam da política de seus antecessores, quase todos da extrema direita, salvo algumas exceções, ao longo do passado século.

O documento antidemocrático imposto na Cúpula de Copenhague à comunidade internacional – que tinha acreditado na sua promessa de cooperar na luta contra a mudança climática – foi outro dos fatos que causaram desapontamento a muitas pessoas no mundo. Os Estados Unidos, o maior emissor de gases do efeito estufa, não estava disposto a realizar os sacrifícios necessários apesar das palavras melosas prévias de seu Presidente.

Seria interminável a lista de contradições entre as idéias que a nação cubana tem defendido com enormes sacrifícios durante meio século e a política egoísta desse colossal império.

Apesar disso, não temos nenhuma animadversão contra Obama, e muito menos contra o povo dos Estados Unidos. Achamos que a Reforma da Saúde foi uma importante batalha e um sucesso de seu governo. No entanto, parece algo verdadeiramente insólito que apenas 234 anos depois da Declaração de Independência, na Filadélfia no ano 1776, inspirada nas idéias dos enciclopedistas franceses, o governo desse país aprovara o atendimento médico para a imensa maioria de seus cidadãos, algo que Cuba conseguiu para toda sua população há já meio século, apesar do cruel e desumano bloqueio imposto e ainda vigente pelo país mais poderoso que jamais existiu. Antes, depois de quase um século de independência após uma sangrenta guerra, Abraham Lincoln pôde conseguir a liberdade legal dos escravos.

Por outro lado, não posso deixar de pensar em um mundo, no qual mais de um terço da população não tem atendimento médico e de remédios essenciais para garantir a saúde, situação que se vai agravar na medida em que a mudança climática, a escassez da água e de alimentos seja cada vez maior em um mundo globalizado onde a população cresce, as florestas desaparecem, a terra agrícola diminui, o ar se torna irrespirável e a espécie humana que o habita – que surgiu há menos de 200 mil anos, isto é, 3 500 milhões de anos depois que surgiram as primeiras formas de vida no planeta – corre o risco real de desaparecer como espécie.

Admitindo que a reforma sanitária signifique um sucesso para o governo de Obama, o atual Presidente dos Estados Unidos não pode ignorar que a mudança climática significa uma ameaça para a saúde e, ainda pior, para a própria existência de todas as nações do mundo, quando o aumento da temperatura - além dos limites críticos que estão à vista - dilua as águas congeladas dos glaciais, e as dezenas de milhões de quilômetros cúbicos armazenados nas enormes camadas de gelo acumuladas na Antártida, Groenlândia e Sibéria se derretam em poucas dezenas de anos, deixando sob as águas todas as instalações portuárias do mundo e as terras onde hoje mora, se alimenta e trabalha uma grande parte da população mundial.

Obama, os líderes dos países ricos e os seus aliados, seus cientistas e seus centros sofisticados de pesquisa sabem isso; é impossível que o ignorem.

Compreendo a satisfação com a qual se exprime e reconhece, no discurso presidencial, a contribuição dos membros do Congresso e da administração que fizeram possível o milagre da reforma sanitária, o qual fortalece a posição do governo perante os lobistas e mercenários da política que limitam as faculdades da administração. Seria pior se os que protagonizaram as torturas, os assassinatos por contrato e o genocídio ocuparam novamente o governo dos Estados Unidos. Como pessoa inquestionavelmente inteligente e bem informada, Obama sabe que não há exagero nas minhas palavras. Espero que as tolices que por vezes exprime sobre Cuba não obnubilem a sua inteligência.

Após o sucesso nesta batalha pelo direito à saúde de todos os norte-americanos, 12 milhões de imigrantes, na sua imensa maioria latino-americanos, haitianos e de outros países do Caribe reclamam a legalização de sua presença nos Estados Unidos, onde realizam os trabalhos mais duros e dos quais não pode prescindir a sociedade norte-americana, na qual são arrestados, separados de seus familiares e devolvidos para seus países.

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