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O Mercado e Suas Excentricidades

06.01.2010
 
Pages: 12
O Mercado e Suas Excentricidades

Por Marcus Eduardo de Oliveira

A maior parte dos estudos econômicos parte da seguinte premissa: os consumidores devem “maximizar utilidade” e as empresas “maximizarem lucro”.

Para que essa premissa se torne, de fato, real, o mercado – espécie de lugar sagrado no circuito econômico – se apresenta como parte indispensável. “A universalidade dos mercados e sua estreita conexão com quase todas as facetas das relações humanas”, nas palavras do professor Tyler Cowen, é algo que não pode ser negado. Basta olhar ao lado para verificar-se a importância dos mercados no ambiente da economia. Antes de qualquer outra coisa, basta reunir um grupo de compradores e vendedores e colocá-los em permanente contato uns com os outros. Estabelecem-se aí as relações econômicas de compra, venda e troca de mercadorias e, por vezes, descobrem-se algumas excentricidades nesse dito mercado. A importância dessa relação é factual para o desenrolar da atividade econômica. Cowen cita que “a lógica dos mercados está presente na humanidade desde a aurora da história e provavelmente muito antes disso. Em laboratório, até macacos se entregam a comportamento cooperativo recíproco, se a conduta lhes rende mais comida”. (1)

De tal modo, o mercado regula as atividades que fazem economias prosperarem ou irem à ruína. E a chave que faz girar essa conduta atende pelo nome de “vendas”. Vende-se de tudo nesses mercados – excêntricos, por natureza -, de forma que, mais cedo ou mais tarde, essa “conduta” nos encontrará.

Em São Luís, Maranhão, há um refrigerante cor de rosa com sabor adocicado lembrando cravo e canela de nome “Jesus”.

Tão interessante quanto o nome do refrigerante são os slogans dessa bebida: “Fé no estômago!” e “Abençoe sua sede!”.

Na Índia, há algumas empresas especializadas em festas de casamento. Até aí tudo bem, não há nada de novo, muitos fazem isso. O fato excêntrico é que essas empresas são especializadas em contratar pessoas para as festas de casamentos em que aparentemente haverá poucas pessoas. Os “convidados” (contratados), devem se comportar como se conhecessem os noivos e se apresentam, obrigatoriamente, vestidos conforme a necessidade da festa e ao agrado dos noivos.

Assim como há “contratados” para um casamento, também há para um funeral. As carpideiras ocupam essa cena trágico-cômica. Em troca de acordos financeiros, essas profissionais femininas têm a função de chorar para um defunto alheio. Curioso é dar-se conta que tal profissão existe há mais de dois mil anos. No Brasil, segundo relatos, as “carpideiras” chegaram junto com a colonização portuguesa. Inicialmente o pagamento não era feito em dinheiro, mas com bens da família do defunto.

Todavia, já que o assunto agora é morte e velório, no Chile determinados cemitérios e agências funerárias vendem ataúdes com uma espécie de sineta acoplada à parte interior do caixão, evitando-se assim o medo da tafofobia (2). Só não é possível assegurar que, uma vez tocada essa sineta, caso o caixão já esteja terra abaixo, alguém conseguirá ouvir.

E o que dizer do mercado que envolve a estética? Em especial, a estética feminina. As cirurgias de retirada de costelas para afinar a cintura são um bom exemplo de que há de tudo no mercado e que, por conseqüência, no mercado se poderá encontrar de tudo. No México, aparentemente sem uma razão específica, a procura por esse tipo específico de cirurgia é maior que em qualquer outro lugar.

Pensando como um economista e analisando a relação custo/benefício certamente há de se concluir que os custos, nesse caso, riscos, são bem maiores que os benefícios (nesse caso, a estética).

O risco dessa cirurgia é bem maior em termos de se comprometer à saúde, pois se mexe com a estrutura óssea e com muitas terminações nervosas, podendo perfurar o abdômen e a pleura (membrana que envolve os pulmões).

Nesse rol das cirurgias íntimas femininas, conhecidas como ninfoplastia, aquela que permite “reconstruir” o hímen parece ser, de longe, uma das que mais sucesso faz; só não se sabe, ao certo, se o sucesso maior dessa prática cirúrgica ocorre entre as mulheres ou os homens, os “beneficiados”, nesse caso específico. No entanto, o mercado dessas cirurgias não pára de crescer. Uma cirurgia de “rejuvenescimento vaginal a laser” que pretende fortificar e melhorar o controle do tônus vaginal não sai por menos de R$ 5 mil.

No entanto, a excentricidade do mercado, sempre em busca de maiores vendas, chega mesmo a ser inimaginável. Há quem diga que o príncipe Charles tem um mordomo encarregado apenas de pôr creme em sua escova de dentes. O casal David e Victória Beckham chegaram a contratar, a um custo de mil libras por dia, um “mordomo” apenas para abrir os vários presentes recebidos pelo casal em época natalina. O poeta Pablo Neruda (1904-73) colecionava (comprava, melhor dizendo, a qualquer preço) desde conchinhas a navios em miniatura, passando por garrafas vazias e bebidas de todos os tipos que encontrava pela frente, além de máscaras, cachimbos e até mesmo insetos. O curioso disso é saber que se pode “comprar” até mesmo insetos.

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