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O Califa, pronto para se integrar à OPEP

04.11.2014
 
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O Califa Ibrahim líder do Estado Islâmico - codinome Abu Bakr al-Baghdadi - jamais cessa de nos surpreender, ele e, principalmente, seus poderosos apoiadores estufados de petrodólares. O Califa é, para todas as finalidades práticas, hoje, um dos 'grandes do petróleo', merecedor de ingressar na Organização dos Países Exportadores de Petróleo, OPEP. Seus bandidos takfiri/mercenários estão - teoricamente - já há algum tempo, extraindo, refinando, embarcando e/ou contrabandeando e fechando gordos negócios que envolvem vastas quantidades de petróleo, embolsando lucros de cerca de US$2 milhões/dia. 

 31/10/2014, Pepe Escobar, Asia Times Online

http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/MID-01-311014.html

Os preços do petróleo do Califa são de morrer (degolado?)! Afinal, ele está praticando a mesma estratégia de preços baixos concebida pelo pessoal que ele quer destronar em Mecca, a Casa de Saud. O PIB do Califato em todo o "Siriaque" só tem um rumo a seguir: aumentar sempre. 

E, oh, que ironia! Os principais fregueses para o petróleo barato do Califa são aquele paraíso terrestre do "Sultão" Recep Tayyip Erdogan, codinome Turquia, aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN; e aquele reino do reizinho de Playstation, Abdullah II ibn al-Hussein, que se faz de país, codinome Jordânia. 

Entrementes, a gigantesca, imensamente sofisticada orgia de siglas de agências militares/de inteligência arregimentada pela liga "livre" EUA/OTAN simplesmente não consegue gravar/interceptar essa zoeira. 

Não surpreende, porque tampouco gravaram/interceptaram os bandidos do Califa quando estavam tomando vastas fatias do "Siriaque" no verão, embarcados em flamantes versões de picapes cruza-desertos, naquele coruscante cartaz de propaganda de Toyotas brancas. 

Quanto à "solução" do Império do Caos, de interceptar os lucros do petróleo do Califa, a única decisão tomada até agora foi bombardearem oleodutos que pertencem à República Árabe Síria, quer dizer, de fato, ao povo sírio. 

Nunca subestimem a capacidade da doutrina de política externa do presidente Obama, "Não façam merda coisa estúpida", para atingir píncaros inimagináveis de estupidez. 

Ô, xeique, não dou a mínima: entra por um ouvido, sai pelo outro

E houve também o facinoroso festival de beija-mão do secretário de Estado John Kerry ao capo da Casa de Saud, que aconteceu em Riad, mês passado.

Nesse artigo-obra-prima, William Engdahl vai ao fundo, sem meias palavras, do suposto acordo de EUA-Sauditas "petróleo barato/bombardeie-Bashar-al-Assad/enfraqueça a Rússia". É possível que não tenha sido acordo direto; o mais provável é Washington e Riad trabalhando juntas para objetivos comuns: mudança de regime na Síria no longo prazo; e minar ambos, Irã e Rússia, no curto prazo. 

Aquele crucial gambito no Oleogasodutostão, central para a charada síria - um gasoduto que parta do Qatar para uma Síria-pós-mudança-de-regime, em vez de Irã-Iraque-Síria - não é exatamente prioridade dos sauditas, mas, sim, de um Qatar rival. 

O que Kerry fez foi levar o selo de apoio da Voz do Dono à estratégia saudita de baixos preços do petróleo, pensando no curto prazo (consumidores norte-americanos nas bombas de gasolina) e, no médio prazo, pressionando os ganhos de ambos, do Irã e da Rússia. Evidentemente ninguém mais fala do fracasso da indústria norte-americana do gás de xisto. 

Os sauditas, por sua vez, têm outras considerações chaves, dentre as quais recuperar sua fatia de mercado em toda a Ásia, onde estão localizados seus maiores consumidores. Estão perdendo mercado por causa do cru vendido com desconto pelo Irã e pelo Iraque. Assim, ambos esses países têm de ser "castigados"; além da aversão doentia da Casa de Saud contra todos os xiitas. 

Quanto ao grande quadro na Síria, o capo de Obama para negociações com o Califa, o general John Allen, estabeleceu a tábua da lei, no jornal saudita Asharq Al-Awasat. Disse que "Não haverá solução militar aqui [na Síria]." Disse também que "O objetivo não é criar uma força em campo para libertar Damasco." 

Tradução automática: aqueles bandidos velhos de antes, os "estamos derrotando Assad com o Exército Sírio Livre" já foram enterrados sete palmos no chão. E os bandidos novos do novo Exército Sírio Livre a serem treinados - e onde mais seria?! - na Arábia Saudita, não estão sendo vistos exatamente como santos salvadores de coisa alguma. Para todas as finalidades práticas, no cenário de médio prazo só se veem mais bombardeios norte-americanos (só bombardeiam infraestrutura síria, patrimônio do povo sírio); não se cogita de mudança de regime em Damasco; e o Califa continuará a consolidar seus ganhos. 

E finalmente... o fator Hollywood

Imagine se aquela esfarrapada al-Qaeda "histórica" tivesse todos esses recursos super descolados, de propaganda e Relações Públicas! Guerreiros barbudos, de turbante, armados com velhas Kalashnikovs em cavernas no Afeganistão... tudo tão démodé! O Califa não apenas contrabandeia dezenas de milhares de barris de petróleo todos os dias sem ser perturbado, mas também usa um refém britânico, como seu correspondente estrangeiro (que deve ter-se convertido ao salafismo), e que fala diretamente de uma Kobani completamente deserta, a minutos de ser completamente capturada por um bando de takfiris e mercenários (com certeza não são mujahideen). 

A produção é de primeiríssima. Impossível não se ver a alta qualidade da produção. A reportagem especial do Califa começa com uma longa tomada feita do alto, por um drone, da cidade de Kobani. Será drone norte-americano?[1] Terá sido capturado no Iraque? Será drone israelense? Turco? Britânico? Os takfiris  ainda não entraram na sintonia fina da Lockheed Martin - ainda não. 

Enquanto isso, em solo, só agora Ankara afinal permitiu que 200 peshmergas do Curdistão Iraquiano - cujos líderes escorregadios têm negócios com a Turquia - atravessassem a fronteira para, em teoria, ajudar Kobani. Nem soldados, nem armas nem suprimentos são permitidos para as forças do PKK/PYD curdos que, até agora, realmente defenderam Kobani. A procrastinação sem fim, pelo sultão Erdogan, será um dia condenada, em qualquer tribunal independente, como o principal fator que possibilitou a possível queda de Kobani.

O primeiro-ministro turco Ahmet Davutoglu já apresentou, mais uma vez, as "condições" para que seu país ajude a - até agora espetacularmente inócua - campanha dos EUA contra o Califa: Kobani terá de ser libertada só por peshmergas iraquianos e por restos dos bandidos do Exército Sírio Livre que andem por lá; não, em nenhum caso, por "terroristas" (como os membros do PKK/PYD). 

A verdade é que Kobani - localizada precisamente na fronteira entre o sudeste da Anatolia e o norte da Síria - é altamente estratégica. A situação em campo é terrível. Devem ainda estar lá pouco mais de mil moradores, cercados dentro das próprias casas. Para protegê-los, pouco mais de 2 mil combatentes curdos sírios, inclusive a Brigada Ishtar, de mulheres. Só 200 peshmergas vindos do Curdistão Iraquiano não farão grande diferença, contra vários milhares dos bandidos do Califa, fortemente armados e contando com pelo menos 20 tanques. Não parece bem parado, embora, diferente do que 'informa' a reportagem do refém britânico aprovado pelo Califa, os falsos "mujahideen" ainda não tenham conseguido controlar toda a cidade. 

O Califa, de qualquer modo, não parará. Absolutamente nada do que acima se comenta seria nem remotamente possível, sem a cumplicidade semiclandestina/semideclarada dos EUA/Ocidente, o que prova, de uma vez por todas, que o Califa é dádiva caída do céu, para alimentar a eterna Guerra Global ao Terror [ou, como Bush dizia, "Guerra Global ao Terô"] GGaT. E Dick Cheney? Por que nunca pensou nisso? *****

 

 


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