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Japão, o exemplo na economia, apesar da alta de juros

04.06.2013
 
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Por Paul Krugman

Uma geração atrás, o Japão era admirado -e temido- por muitos, sendo visto como paradigma econômico. Best-sellers sobre negócios traziam imagens de guerreiros samurais em suas capas, prometendo ensinar ao leitor os segredos da administração à moda japonesa; thrillers de autores como Michael Crichton retratavam as corporações japonesas como gigantes cujo avanço era irrefreável e que estavam rapidamente consolidando seu domínio sobre os mercados mundiais.

Então o Japão mergulhou numa queda aparentemente interminável, e a maior parte do mundo perdeu o interesse. As exceções principais foram um grupinho relativamente pequeno de economistas entre os quais, por acaso, figuravam Ben Bernanke, hoje presidente do Federal Reserve, e este que vos escreve.

Esses economistas obcecados pelo Japão viam os problemas econômicos do país não como prova da incompetência japonesa, mas como sinal do que estava por vir para todos nós. Se um país grande, rico e politicamente estável podia tropeçar tão mal, eles se indagaram, não poderia a mesma coisa se dar com outros países semelhantes?

Poderia, e aconteceu. Hoje em dia somos todos japoneses, economicamente falando. E é por isso que o experimento econômico ainda em curso no país que deu início ao ciclo é tão importante, não apenas para o Japão, mas para o mundo.

Em certo sentido, o que é realmente surpreendente na chamada "Abenomia" (a economia de Shinzo Abe) -a opção inequívoca pelo estímulo monetário e fiscal feita pelo governo do premiê Abe- é o fato de que ninguém mais no mundo avançado está tentando realizar algo semelhante. Na verdade, o mundo ocidental dá a impressão de ter se rendido ao derrotismo econômico.

DESEMPREGO NO EUA

Nos EUA, por exemplo, ainda há mais de quatro vezes mais trabalhadores desempregados no longo prazo quanto havia antes da crise econômica, mas os republicanos parecem querer falar apenas sobre falsos escândalos. E, para sermos justos, faz tempo que o presidente Barack Obama não diz alguma coisa contundente em público sobre a geração de empregos.

Mas, pelo menos, estamos crescendo. A economia da Europa está em recessão novamente, e nos últimos seis anos ela na realidade cresceu um pouco menos do que cresceu entre 1929 e 1935. Enquanto isso, o desemprego não para de alcançar novos patamares altos. Mesmo assim, não se vê sinal algum de uma mudança importante nos rumos. Na melhor das hipóteses, podemos prever um leve afrouxamento dos programas selvagens de austeridade que Bruxelas e Berlim estão impondo aos países devedores.

Seria fácil para as autoridades japonesas apresentarem as mesmas desculpas para a inação que as que ouvimos no Atlântico norte: citar o problema da população em processo acelerado de envelhecimento, o fato de a economia ser onerada por problemas estruturais (e os problemas estruturais do Japão são legendários, especialmente a discriminação contra as mulheres), a dívida alta demais (muito mais alta, em relação às dimensões da economia, que a da Grécia). E, no passado, autoridades japonesas gostavam realmente de apresentar tais desculpas.

Mas a verdade -uma verdade que o governo Abe parece compreender- é que todos esses problemas são agravados pela estagnação econômica. Um incentivo de curto prazo ao crescimento não vai sanar todos os males do Japão, mas, se puder ser concretizado, pode representar o primeiro passo em direção a um futuro muito mais promissor.

CRESCIMENTO

A "Abenomia" está funcionando, então? A resposta cautelosa é que ainda é cedo para dizer. Mas os primeiros sinais são positivos, e a quedarepentina das ações japonesas na quinta-feira não muda essa situação. As boas notícias começam com o crescimento econômico surpreendentemente rápido do Japão no primeiro trimestre deste ano -na realidade, um crescimento substancialmente maior que o dos EUA, enquanto a economia europeia continuou a encolher. Nunca se deve exagerar a importância das cifras de um só trimestre, mas esse é o tipo de resultado que queremos ver.

Enquanto isso, os preços das ações japonesas subiram muito, enquanto o iene caiu. E, caso você esteja se perguntando, um iene fraco é ótima notícia para o Japão, porque aumenta a competitividade das indústrias de exportação japonesas.

Alguns observadores soaram o alarme sobre a alta das taxas de juro de longo prazo japonesas, embora elas ainda estejam inferiores a 1%. Mas a combinação de alta nos juros e alta nos preços das ações sugere que ambas refletem um aumento no otimismo, e não receios quanto à solvência japonesa.

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