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Commodities: boas perspectivas

04.04.2011
 

Milton Lourenço (*)  

Todas as análises indicam que este ano de 2011 será promissor para a agroindústria brasileira, especialmente nos segmentos de cana-de-açúcar, café, algodão, milho e carnes bovina, suína e de frango. Apesar da precaução do mercado com os problemas surgidos neste começo do ano, especialmente no Japão e no mundo árabe, há indícios de que, em 2011, a crise financeira mundial será superada, gerando um reaquecimento no setor agroindustrial em geral. Tanto que o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta uma retomada do crescimento econômico mundial, que será alavancada pelos países em desenvolvimento. E o Brasil, país em franca ascensão, terá um papel fundamental como fornecedor de produtos agrícolas.

            É claro que os problemas causados por questões climáticas, como chuvas em demasia e enchentes, prejudicam o desenvolvimento do agronegócio, mas o entrave maior são os "gargalos" que impedem o perfeito escoamento da produção agrícola por rodovias e vias de acesso ao Porto de Santos e a outros portos. É de lembrar que, em julho de 2010, no Porto de Santos, foram registradas filas imensas de caminhões por causa da demora para o embarque de açúcar.

            Houve dia em que mais de cem navios estiveram na barra à espera de ordem para atracação. Com esse "apagão", foram muitos os prejuízos para todas aquelas empresas que dependem de operações portuárias: importadores, exportadores, comissárias de despachos e transportadoras que não puderam desenvolver normalmente suas atividades.

            As filas de navios e caminhões se formam também porque o comércio exterior continua a depender de operações muito burocratizadas. Por isso, é necessário que haja maior empenho por parte da Secretaria Especial de Portos (SEP) a fim de que o projeto Porto Sem Papel seja implantado o mais rápido possível, integrando Polícia Federal, Receita, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Conselho de Autoridade Portuária (CAP), Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) e Marinha, de forma a evitar a duplicidade de informações e formulários. 

            A expectativa é que o Porto Sem Papel reduza em 25% o tempo de permanência de um navio. Isso significa diminuir 1,5 dia o tempo atual de 5,8 dias para a liberação da documentação da embarcação. Não é o melhor dos mundos porque a Alemanha gasta 0,7 dia, mas já seria uma evolução significativa.

            É claro que, a princípio, o Japão, afetado por terremoto e tsunami, poderá diminuir os níveis de suas compras de minério de ferro. Mas, a médio e longo prazo, o país terá de iniciar um processo de reconstrução, que exigirá, sobretudo, minério de ferro. É verdade que os preços do minério de ferro têm caído desde que atingiram um recorde perto de US$ 200 por tonelada em meados de fevereiro, depois que a China reduziu suas compras em decorrência de queda nos preços do aço. É provável que, a curto prazo, os preços do minério caiam um pouco mais por conta de uma demanda mais fraca do Japão, mas, em pouco tempo, aquele país será obrigado a voltar a fazer grandes compras. É um país com grande poder de recuperação.

            Por isso, as perspectivas para a exportação tanto de commodities como de produtos manufaturados em 2011 são favoráveis. Até porque o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) vem colocando em prática o tão aguardado mecanismo EximBrasil, que pretende financiar mercados desconhecidos e pouco tradicionais, especialmente países africanos e asiáticos, que surgem como alternativa à estagnação das economias desenvolvidas.

 

 

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(*) Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC).

E-mail: fiorde@fiorde.com.br Site: www.fiorde.com.br

 


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