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França reduz preço de caça e Brasil decide comprar o Rafale

04.02.2010
 
França reduz preço de caça e Brasil decide comprar o Rafale

Após revisão do preço, com uma redução de quase R$ 4 Bilhões do custo inicial, o Governo do Brasil decidiu pela compra de 36 caça Rafale, fabricado pela francesa Dassault. O custo de foi reduzido de US$ 8,2 bilhões (R$ 15,1 bilhões) para US$ 6,2 bilhões (R$ 11,4 bilhões).

A informação da decisão tomada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi antecipada pelo jornal Folha de São Paulo, ainda não foi confirmada oficialmente nem pelo Ministério da Defesa, nem pelo Comando da Aeronáutica.

Apesar da redução de preço concordada pela Dassault, que baixa em quase R$ 4 bilhões o custo da compra das aeronaves, o caça Rafale segue sendo mais caro do que os concorrentes, o norte-americano F-18 e do sueco Gripen, que custavam respectivamente US$ 5,7 bilhões e US$ 4,5 bilhões.

O presidente Lula já havia declarado sua preferência pela aeronave francesa, cuja compra se encaixaria em um projeto maior de defesa do governo, que envolve uma parceria estratégica com a França.

O vazamento de um relatório confidencial em setembro de 2009 revelou a insatisfação da FAB, que teria ressaltado as desvantagens do preço e do custo da hora de voo do Rafale em relação aos concorrentes.

Depois de uma ofensiva de diretores das fabricantes do Gripen, Rafale e F-18 Hornet, que aterrissaram em Brasília em meados de janeiro para pressionar o governo brasileiro na licitação de compra dos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), a diplomacia entrou em campo.

Após retornar de uma viagem a Israel, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, reuniu-se com a embaixadora da Suécia no Brasil, Annika Markovic, em um ato tido como "profilático" por assessores do Ministério da Defesa.

A embaixadora ainda insiste na venda do caça suéco Gripen ao Brasil, mas tem também na concorrência, além da francês Rafale, os Estados Unidos com o F-18.

A compra dos aviões para equipar a FAB se arrasta desde o governo Fernando Henrique Cardoso e o atual governo quer concluí-la logo. Jobim disse que ainda precisa de um tempo para concluir o relatório que levará para o presidente Lula com suas avaliações.

No fim de dezembro, o comando da Aeronáutica se reuniu e fez um relatório técnico com critérios de pontuação, colocando à frente da concorrência o caça suéco Gripen, fabricado pela Saab.

Todavia, Nelson Jobim e assessores do presidente Lula alegam que a Estratégia Nacional de Defesa é que deve estar à frente dessa decisão, cuja prioridade é a transferência de tecnologia que, segundo o Palácio do Planalto, o Rafale seria o avião mais adequado.

Jobim chegou a dizer que poderá alterar as pontuações previamente estabelecidas pela FAB e, junto com o presidente Lula disse que a França é o "parceiro preferencial" ou "estratégico" do Brasil e que há acordos militares assinados em curso, sinalizando que, por eles, a opção será francesa.

Mas essa polêmica dá um certo poder de fogo ao Governo Brasileiro para continuar pressionando e negociando com a francesa Dassault, fabricante do Rafale, a redução não só o preço do avião, como o pacote de manutenção e o custo da hora de vôo.

O próprio presidente Lula, nas conversas que teve com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, reclamou da inflexibilidade da Dassault, na discussão sobre os preços, que estavam sendo considerados "muito altos" pelo governo brasileiro. O Rafale é a opção mais cara, chegando a ter um custo duas vezes maior do que o do Gripen.

ANTONIO CARLOS LACERDA

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