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Os Construtores de Sustentabilidade na Paraíba

03.06.2011
 

Paulo Galvão Júnior1

  

Introdução

 

Os Construtores de Sustentabilidade na Paraíba. 15109.jpegConsidero da maior importância a 1ª Conferência Estadual sobre Desenvolvimento Sustentável: A Paraíba no Século XXI, a ser realizada nos dias 24 e 25 de março de 2011, no Cine Banguê do Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa.

 

Mudanças climáticas, efeito estufa e aquecimento global são os principais problemas ecológicos do planeta Terra. E a lista não para de crescer: emissão de gases tóxicos, desmatamentos por queimadas, desertificações, derretimento das calotas polares, buracos na camada de ozônio, secas, enchentes, furacões, tufões; o elevado número de vítimas confirma a fragilidade humana diante de tais problemas.

 

Celso Furtado, um dos melhores pensadores em Economia, certamente adoraria estar presente em um evento tão importante como este. Sua participação como palestrante seria decisiva para, juntos, refletirmos uma pergunta primordial: Como conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental na Paraíba?

 

Celso Monteiro Furtado nasceu na cidade de Pombal, em 1920, e morreu no Rio de Janeiro, em 2004. Com mais de 30 livros publicados, ele é a primeira grande referência na bibliografia recomendada pelo autor. O presente artigo enfatizará uma visão clara do processo de conscientização dos problemas ecológicos e direcionará os melhores conhecimentos sobre a sustentabilidade e o desenvolvimento sustentável, em trechos de artigos e de livros de renomados economistas ou não economistas.

 

Quem são os agentes econômicos e sociais que realizarão o sonho de Celso Furtado na Paraíba no século XXI? Somos nós mesmos, os paraibanos e as paraibanas participantes ou não desta histórica Conferência. Sejamos os construtores de sustentabilidade na Paraíba!

 

Tinha apenas quatro anos de idade quando Celso Furtado escreveu o livro "O Mito do Desenvolvimento Econômico", em 1974. Trinta e sete anos se passaram. Agora, eu tenho 40 anos, e ainda moro na terra de Celso Furtado. Penso numa Paraíba melhor, por isso escrevo este artigo intitulado "Os Construtores de Sustentabilidade na Paraíba". Hoje, pretendo apontar alguns caminhos do desenvolvimento sustentável com o objetivo de crescer 40 anos em 4 nas quatro mesorregiões do estado da Paraíba enfatizando uma das atividades econômicas que mais gera emprego no mundo: o turismo.

 

Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável na Paraíba

 

Os problemas sociais e econômicos são graves na Paraíba. O estado da Paraíba encontra-se em 18º lugar no ranking do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e na 5ª posição em relação aos PIBs dos estados do Nordeste. Segundo os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o PIB do estado da Paraíba foi de R$ 25,7 bilhões em 2008.

 

De acordo com os dados de 2009 do IBGE, na Síntese dos Indicadores Sociais, a média de rendimento dos 10% mais ricos é 54,5 vezes maior que a dos 10% mais pobres do estado. Com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de 0,718 em 2005, a Paraíba ocupa o 24° lugar no ranking dos estados brasileiros, ou seja, detém o quarto menor IDH do país. No ranking nordestino, a Paraíba ocupa a 6ª posição, segundo o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

 

Os problemas ecológicos também são nítidos. Podemos citar, por exemplo, o desmatamento nas mesorregiões do Sertão Paraibano, da Borborema e do Agreste Paraibano e o avanço do mar na orla da mesorregião da Mata Paraibana, sobretudo na capital paraibana. Agora, faço-lhes uma simples pergunta: Quantos paraibanos entendem a palavra sustentabilidade de forma correta?

 

Atualmente, somos 3.766.834 habitantes na Paraíba, segundo estimativa do IBGE. Já existem pesquisas no Brasil mostrando que a maioria da população brasileira nunca ouviu falar ou não sabe explicar o que significa sustentabilidade. E na Paraíba, quantos são em número absoluto e em número relativo?

 

Sustentabilidade é um conceito novo, repleto de definições que devem ser entendido por todos e, sobretudo, aplicado de maneira sistêmica nas questões fundamentais da sociedade paraibana. O termo "sustentável" que provém do latim sustentare, significa sustentar, defender, favorecer, apoiar, conservar e cuidar. Sustentabilidade é a preservação da água, do solo e do ar; é manter a vida animal e vegetal; é ter educação e saúde de qualidade; é sempre pensar na geração atual e no futuro das próximas gerações.

 

Em 1987, a CMMAD (Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento) elaborou o Relatório Brundltand, no qual foi apresentando pela primeira vez o conceito clássico de desenvolvimento sustentável: "O desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades, significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os habitats naturais".

 

Sendo assim, precisamos, primeiramente, popularizar a palavra sustentabilidade nos 223 municípios paraibanos. Podemos usar as modernas redes sociais como Facebook e Twitter, assim como os antigos cordéis em papel reciclado, para sensibilizar e preparar os paraibanos para atuarem como agentes do desenvolvimento sustentável, formadores de mudanças e líderes na oportunidade de realizar ações, programas, projetos e planos com sustentabilidade.

 

Cada um de nós precisa aprender a reconhecer os seus próprios erros durante sua trajetória no planeta Terra. Não podemos mais desperdiçar tanto papel, tanta água, tanta comida. Incentivemos o uso do papel reciclado e da água das chuvas. Incentivemos a leitura de livros digitais para diminuir significativamente a derrubada de árvores em nossas florestas e matas. Temos que produzir menos dióxido de carbono (CO2). Outra verdade também merece ser dita: a comida cara de fast food aumenta o peso corporal e prejudica a saúde de quem a consome com regularidade. Precisamos buscar uma alimentação saudável e barata, baseada em produtos orgânicos da agricultura familiar.

 

Mestre Celso Furtado

 

Precisamos ressaltar a importância da palavra "planejamento" nas reflexões de Celso Furtado que soube olhar o passado para ver melhor o presente e, assim, enxergar um futuro melhor para todos os brasileiros.

 

Em O Mito do Desenvolvimento Econômico, Furtado (1974, p.16), revela que: "As grandes metrópoles modernas com seu ar irrespirável, crescente criminalidade, deterioração dos serviços públicos, fuga da juventude na anti-cultura, surgiram como um pesadelo no sonho de progresso linear em que se embalavam os teóricos do crescimento".

 

De acordo com Furtado (1974, p.19), "A importância do estudo feito para o Clube de Roma deriva exatamente do fato de que nele foi abandonada a hipótese de um sistema aberto no que concerne à fronteira dos recursos naturais. Não se encontra aí qualquer preocupação com respeito à crescente dependência dos países altamente industrializados vis-à-vis dos recursos naturais dos demais países, e muito menos com as consequências para estes últimos do uso predatório pelos primeiros de tais recursos. A novidade está em que o sistema pôde ser fechado em escala planetária, numa primeira aproximação, no que concerne aos recursos não renováveis. Uma vez fechado o sistema, os autores do estudo formularam a seguinte questão: que acontecerá se o desenvolvimento econômico, para o qual estão sendo mobilizados todos os povos da terra, chegar efetivamente a concretizar-se, isto é, se as atuais formas de vida dos povos ricos chegam efetivamente a universalizar-se? A resposta a essa pergunta é clara, sem ambiguidades: se tal acontecesse, a pressão sobre os recursos não renováveis e a poluição do meio ambiente seriam de tal ordem (ou, alternativamente, o custo do controle da poluição seria tão elevado) que o sistema econômico mundial entraria necessariamente em colapso".

 

Toda assertiva do Mestre Celso Furtado foi dita em um período em que ainda não se falava em globalização.

 

Professores do Desenvolvimento Sustentável

 

Após alguns conceitos fundamentais, proponho um aprofundamento acerca do tema desenvolvimento sustentável. No presente momento, dedico-me à leitura das contribuições do economista José Eli da Veiga, professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Sua principal obra é Desenvolvimento Sustentável: o desafio do século XXI, publicada em 2005.

 

O Prof. José Eli da Veiga na página 35, enfatiza que "A despeito de aumentos sem precedentes da opulência global, o mundo atual nega liberdades elementares a um grande número de pessoas, talvez até à maioria. Às vezes, a ausência de liberdades substantivas relaciona-se diretamente com a pobreza econômica, que rouba das pessoas a liberdade de saciar a fome, de obter uma nutrição satisfatória ou remédios para doenças curáveis, a oportunidade de vestir-se ou morar de modo apropriado, a possibilidade de ter acesso à água tratada ou saneamento básico". 

 

Mais adiante na página 146, o Prof. José Eli da Veiga ressalta que: "O desgaste da camada de ozônio, o aumento do efeito estufa e as perdas de biodiversidade são problemas globais em sua própria gênese e âmago. São três questões que explicam o cerne dos conflitos sociais sobre a sustentabilidade. Este cerne reside na dificuldade de, preservar e expandir as liberdades substantivas de que as pessoas hoje desfrutam sem comprometer a capacidade das futuras gerações desfrutarem de liberdade semelhante ou maior".

 

Outros dois economistas especialistas no assunto e que também fazem parte do embasamento teórico deste artigo são o americano Herman Daly, professor da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos e o chileno Manfred Max-Neef. Daly escreveu "Beyond Growth: the economics of sustainable development"[1] e Max-Neef publicou "Desarrollo a Escala Humana: una opción para el futuro"[2].

 

Daly argumenta que a ideia de desenvolvimento sustentável que se tornou um "chavão" do ambientalismo e das finanças internacionais. Afirma que está sendo usada de forma vazia, certamente errada, e provavelmente perigosa. O desenvolvimento sustentável tal como concebido por Daly torna-se uma proposição radical da economia como parte do ecossistema, necessitando de um ideal de crescimento econômico e reavaliação das ideias básicas sobre a teoria econômica, a pobreza, o comércio e a população. Ele também foi o criador do termo "crescimento deseconômico" que aponta para uma catástrofe ecológica global.

 

Já Manfred Max-Neef argumenta que o desenvolvimento em escala humana aponta para uma necessária aprofundação democrática. A prática democrática mais direta e participativa pode contribuir para reverter o papel de modo tradicional semi-paternalista do Estado latino americano. Max-Neef é o criador da "Teoria do Umbral" em que revela a preocupação com os custos excessivos do processo produtivo a qualquer custo, aumentando os índices de poluição das águas, do ar e dos solos.

 

Tenho lido sobre o tema nos escritos do agrônomo americano Lester Brown, com Mestrado em Economia e Administração Pública, em especial o livro "Eco-Economia: Uma nova economia para a Terra". De acordo com             Lester Brown, "Uma economia ambientalmente sustentável, uma eco-economia, requer que os princípios da ecologia estabeleçam o arcabouço para a formulação de políticas econômicas e que economistas e ecologistas trabalhem, em conjunto, para modelar a nova economia. Os ecologistas entendem que toda atividade econômica, efetivamente toda vida, depende do ecossistema da Terra, o complexo de espécies individuais vivendo em harmonia, interagindo entre si e seus habitats físicos. Essas milhões de espécies existem dentro de um equilíbrio delicado, interligadas numa trama de cadeias alimentares, ciclos de nutrientes, ciclo hidrológico e sistema climático. Economistas sabem como transformar metas em políticas. Economistas e ecologistas, trabalhando conjuntamente, podem projetar e construir uma eco-economia que possa sustentar o progresso".

 

Mais adiante, Lester Brown ressalta que: "A boa notícia é que os economistas estão adquirindo maior conscientização ecológica, reconhecendo a dependência inerente da economia ao ecossistema da Terra. Por exemplo, cerca de 2.500 economistas incluindo oito Prêmios Nobel endossam a introdução de um imposto do carbono para estabilizar o clima. Mais e mais economistas estão buscando formas de fazer com que o mercado fale a verdade ecológica. Essa conscientização em expansão é evidente no crescimento acelerado da International Society of Ecological Economics, que conta com 1.200 membros e representações na Austrália/Nova Zelândia, Brasil, Canadá, Índia, Rússia, China e por toda a Europa. Seu objetivo é integrar o pensamento dos ecologistas e economistas numa transdisciplina voltada à criação de um mundo sustentável".

 

Outra renomada publicação, em inglês, é a do matemático e economista romeno Nicholas Georgescu-Roegen, pai da Economia Ecológica, intitulada "The Entropy Law and the Economic Process"[3]. Georgescu-Roegen estudou a Segunda Lei da Termodinâmica, que expressa a relação entre a entropia e a espontaneidade de uma transformação: "A entropia do Universo aumenta numa transformação espontânea e mantém-se constante numa situação de equilíbrio". Roegen entendeu a Segunda Lei da Termodinâmica e esta influenciou o economista a criar a Lei da Entropia.

 

Todos nós sabemos, até no bate-papo do Facebook, que na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Então, a sustentabilidade leva esse viés de produzir bens sem destruir o meio ambiente. A sustentabilidade é fundamental para construir um mundo melhor para todos.

 

Outro livro de grande valor acadêmico é o do economista e sociólogo polonês, naturalizado francês, Ignacy Sachs, "Desenvolvimento includente, sustentável sustentado". Segundo o Professor da École des Hautes Études en Sciences Sociales, na França, Ignacy Sachs (2004, p.15-16), "Os cinco pilares do desenvolvimento sustentável são: a-Social, fundamental por motivos tanto intrínseco quanto instrumentais, por causa da perspectiva de disrupção social que paira de forma ameaçadora sobre muitos lugares problemáticos do nosso planeta; b-Ambiental, com suas duas dimensões (os sistemas de sustentação da vida como provedores de recursos e como "recipientes" para a disposição de resíduos); c-Territorial, relacionado à distribuição espacial dos recursos, das populações e das atividades; d-Econômico, sendo a viabilidade econômica a condition sine qua non para que as coisas aconteçam; e-Político, a governança democrática é um valor fundador e um instrumento necessário para fazer as coisas acontecerem; a liberdade faz toda a diferença". Para o Prof. Ignacy Sachs (2004, p.41), "A economia capitalista é louvada por sua inigualável eficiência na produção de bens (riquezas), porém ela também se sobressai por sua capacidade de produzir males sociais e ambientais". O Prof. Sachs é o criador do termo Ecodesenvolvimento e do CRDC (Centro de Pesquisas sobre o Brasil Contemporâneo), em Paris.

 

Ainda sobre o tema, existem bons artigos escritos pelo Professor de Economia na FAC-FITO (Faculdade de Ciências da Fundação Instituto Tecnológico), o economista paulista Marcus Eduardo de Oliveira, sendo um dos mais recentes dele "Parar de crescer não significa parar de se desenvolver". De acordo com o Prof. Marcus Eduardo de Oliveira, "Um dos pontos mais importantes discutidos nos meandros da economia ecológica diz respeito ao fato de que fazer a economia parar de crescer não significa, consequentemente, parar de se desenvolver. O que os economistas com uma visão mais apurada da questão ambiental desejam é justamente obter desenvolvimento. O que esses mesmos economistas tanto condenam é o crescimento conseguido sob as ruínas da degradação do capital natural. Assim, a economia ecológica não se coloca contra o desenvolvimento, mas sim contra as elevadas taxas de crescimento que inflam a economia à custa de piorar o meio ambiente, e, por conseguinte, a qualidade de vida". Em seguida o Prof. Marcus Eduardo de Oliveira, parceiro em três artigos de Economia[4], ressalta que: "Em termos de definição, crescimento é o aumento na produção, na parte física; em outras palavras é "mais quantidade". Desenvolvimento, por sua vez, supera essa idéia e busca "mais qualidade". Com tecnologia e inovação, é possível produzir a mesma quantidade de bens, porém de forma eficaz, com qualidade. A ideia fundamental então é a seguinte: produção deve servir para repor, e não para acumular. Hoje, vivenciamos o contrário. A preocupação primeira da economia tradicional é produzir para acumular".

 

O Professor Clóvis Cavalcanti, economista pernambucano e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco também possui vasta produção acerca da temática sobre desenvolvimento sustentável. Tive a oportunidade de conhecê-lo durante a Conferência intitulada O Pensamento de Celso Furtado e o Nordeste Hoje, realizada na UFPB (Universidade Federal da Paraíba), em 24 de outubro de 2008. Com certeza absoluta, o Prof. Clóvis Cavalcanti é um dos maiores economistas ecológicos brasileiros ainda em atividade. Há muito tempo ele prega ações e atitudes verdes para combater o aquecimento global, criticando a redução e extinção de espécies, sobretudo, a economia de mercado.

 

O Prof. Clóvis Cavalcanti, na Introdução do livro intitulado Desenvolvimento e natureza: estudo para uma sociedade sustentável, enfatiza que "O mundo atual, apesar do reconhecimento da importância do conceito de desenvolvimento sustentável, que levou à Conferência Rio-92, caminha concretamente por rumos que desafiam qualquer noção de sustentabilidade. Não é possível, por exemplo, aceitar projeções de taxas de crescimento da economia que supõem um ritmo anual de aumento do PIB de, digamos, 8% ao ano. Seguir nessa suposição equivaleria a admitir, por exemplo, que a economia brasileira, em 32 anos, atingiria a dimensão atual da economia americana. Isso pode ser desejável de um ponto de vista puramente quantitativo (será mesmo?), mas é irrealizável como meta de longo prazo consistente. Pensar que a economia chinesa possa crescer a mais de 10% a.a., sustentavelmente, por mais uma década, é sonhar acordado. São evidentes em toda parte que os caminhos trilhados estão esbarrando em barreiras intransponíveis".

 

Reflexões sobre a Sociedade Consumista versus a Sociedade Sustentável

 

Crescimento econômico não significa desenvolvimento econômico nem tão pouco desenvolvimento sustentável. Hoje, entendo o desenvolvimento sustentável como a construção de uma economia "verde", capaz de erradicar a pobreza e garantir vida digna para todos.

 

Compreendo o desenvolvimento sustentável em ações e programas ecologicamente corretos, economicamente viáveis, socialmente justos e culturalmente aceitos.

 

Uma sociedade consumista é completamente diferente de uma sociedade sustentável. A sociedade consumista não se preocupa com as futuras gerações. A sociedade sustentável planta mais árvores, porque as árvores limpam o ar, produzem mais oxigênio (O) e absorvem o dióxido de carbono (CO2). A sociedade sustentável é capaz de manter um padrão positivo de qualidade nas suas ações de desenvolvimento.

 

A sociedade consumista explora os recursos naturais finitos para produzir os bens e serviços de consumo. A sociedade sustentável tem consumo consciente. Um cidadão da sociedade sustentável sempre fecha a torneira da pia na hora de escovar os dentes e nunca abre a porta da geladeira sem necessidade.

 

Câmara do Desenvolvimento do Turismo

 

Na Conferência estadual, oito câmaras do desenvolvimento definirão metas e diretrizes voltadas para os seguintes temas: 1. Agropecuária e Pesca; 2. Ciência e Tecnologia; 3. Micro e Pequenas Empresas; 4. Recursos Hídricos e Meio Ambiente; 5. Indústria, Comércio e Serviços; 6. Turismo; 7. Infraestrutura e Logística; e 8. Recursos Minerais. Neste artigo darei ênfase à sexta câmara temática do desenvolvimento denominada Turismo.

 

Precisamos debater as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças que se apresentam no cenário do turismo paraibano. Inicialmente, precisamos pensar na cidade de João Pessoa, o município mais rico, populoso e verde do estado - que é destino indutor dos outros 222 municípios paraibanos.

 

Em primeiro lugar, necessitamos abordar as quatro principais oportunidades (O) externas da capital paraibana: 1. Crescimento de fluxo do turismo nacional e internacional; 2. Crescimento da classe econômica C no Brasil; 3. Realização de megaeventos mundiais no Brasil (Copa do Mundo em 2014 e Jogos Olímpicos em 2016); 4. Crescimento e otimização da malha aérea no Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto.

 

As quatro principais ameaças (T) externas são: 1. Crise econômica mundial; 2. Aumento do nível da violência urbana na Grande João Pessoa; 3. Insuficientes voos nacionais e ausência de voos internacionais; e 4. Agravamento dos principais problemas ecológicos mundiais.

 

Penso que as quatro principais forças (S) internas são: 1. Localização geográfica estratégica, além do ponto mais oriental do continente americano como diferencial competitivo de promoção turística; 2. Excelência nas intervenções e requalificações urbanísticas da cidade; 3. Importante e conservado patrimônio histórico, reconhecido através de tombamento nacional do Centro Histórico; e 4. Excelente balneabilidade das praias urbanas devido à lei ambiental que promove o escalonamento arquitetônico limitando em três andares as edificações na orla.

 

Faz-se necessário um debate sobre as quatro principais franquezas (W) internas: 1. Quantidade limitada de leitos nos meios de hospedagem; 2. Baixa qualificação da força de trabalho ofertada especificamente de trabalhadores bilíngues; 3. Falta de sinalização turística; e 4. Baixa remuneração ofertada aos trabalhadores nas funções da atividade turística, consequentemente alta rotatividade no setor.

 

Na câmara do desenvolvimento do Turismo, debateremos seis subtemas: 1. Estratégias de marketing voltadas para o turismo; 2. Fortalecimento e expansão do setor hoteleiro; 3. Como ampliar e incrementar o turismo de lazer e negócios; 4. Trilhas de Ecoturismo no estado da Paraíba; 5. O Centro de Convenções e seus impactos no setor turístico; e 6. Fortalecimento dos Pólos Turísticos do estado da Paraíba.

 

Na Conferência estadual, participarei da câmara do desenvolvimento do turismo e colaborarei com o subtema denominado Fortalecimento e expansão do setor hoteleiro. Precisamos administrar conjuntamente a Economia e a Ecologia. Necessitamos conciliar o planejamento público com a iniciativa privada através de parcerias e cooperações econômicas e sociais no sentido de realizar projetos sustentáveis na área de turismo até o ano de 2028, e, nesse sentindo, a consulta dos números é fundamental para a tomada de decisões.

 

Turismo em Números

  

Neste artigo divulgaremos alguns números do turismo mundial, brasileiro, nordestino, paraibano e pessoense. Antes de divulgar os dados estatísticos, introduzo uma importante reflexão. De posse dos números, poderemos discutir com mais qualidade a sustentabilidade econômica, ambiental e social do turismo na Paraíba.

  

Os Limites do Desenvolvimento Sustentável na Paraíba

  

Localizado na região Nordeste do Brasil, o estado da Paraíba possui extensão territorial de 56.439,8 quilômetros quadrados, dividido em quatro mesorregiões: Mata Paraibana (5.232,4 km2), Agreste Paraibano (12.914,3 km2), Borborema (15.572,9 km2) e Sertão Paraibano (22.720,3 km2).    A Mata Paraibana tem 4 microrregiões e 30 municípios. O Agreste Paraibano tem 8 microrregiões e 66 municípios. A Borborema tem 4 microrregiões e 44 municípios. O Sertão Paraibano tem 7 microrregiões e 83 municípios.

 

A Natureza nos fornece recursos finitos, todavia não devemos torná-la em um gigantesco sumidouro ilimitado de resíduos. Nos 223 municípios paraibanos, poderíamos utilizar a energia solar e investir bem mais na energia eólica. Na Paraíba já existem dois parques eólicos, um em Mataraca e outro em Alhandra. São investimentos altos de empresas privadas. Também seria extremamente viável investirmos na coleta seletiva solidária de resíduos recicláveis.

 

Vê-se que, para obtermos resultados positivos em todas essas ações de desenvolvimento sustentável, também é preciso trabalhar fortemente no intuito de erradicar o analfabetismo no estado. Segundo os dados de 2008 do IBGE, 23,5% dos paraibanos acima de 15 anos ainda são analfabetos. Com esses números o estado ocupa o 7º lugar no ranking nordestino e o 25º lugar no ranking nacional, ou seja, o terceiro pior no Brasil e no Nordeste. Apenas as taxas de analfabetismo de adultos dos estados de Alagoas (25,7%) e do Piauí (24,3%) são superiores.

 

Também é fundamental investir na saúde pública. A esperança de vida ao nascer dos paraibanos é de 69,4 anos. O estado da Paraíba encontra-se em 23º lugar no ranking brasileiro e na 5ª posição no ranking nordestino. A Paraíba está superando apenas o Piauí (69,3 anos), Pernambuco (68,7 anos), Maranhão (68,0 anos) e Alagoas (67,2 anos) na região Nordeste, segundo dados de 2008 do IBGE.

 

A Paraíba precisa transformar-se em uma grande fábrica de empregos verdes. Devemos promover a inclusão social, o bem estar econômico e a preservação dos recursos naturais. Na economia contemporânea, podemos afirmar que aquilo que as empresas realmente produzem e vendem é "conhecimento". Mas, como é possível produzir e vender mais conhecimento? A resposta é fácil: investindo maciçamente em educação de qualidade.

 

Precisamos construir um plano que promova desenvolvimento com sustentabilidade - crescimento econômico, equidade social e equilíbrio ecológico nos próximos dezoito anos. Necessitamos divulgar os conceitos de sustentabilidade e de desenvolvimento sustentável no estado de forma moderna, eficaz e eficiente durante os próximos quatro anos nas 4 mesorregiões. Os resultados da Conferência serão a base para elaboração do Plano Plurianual (PPA) do Poder Executivo Estadual. Seremos capazes de promover o desenvolvimento sustentável nos próximos quarenta anos!

 

Entre 1995 e 2008 a Paraíba teve acréscimo de apenas 0,1 ponto percentual de participação no PIB brasileiro, de acordo com o IBGE. Ao analisar a participação do PIB paraibano no PIB do Brasil podemos afirmar que a estagnação da economia do estado já dura 13 anos. A Paraíba tem 0,8 ponto percentual de representatividade no PIB brasileiro.

Após mais de uma década de estagnação econômica, a questão da pobreza no estado é, para mim, a mais preocupante de todas. Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), na Paraíba, 51,9% das famílias ganham até meio salário mínimo. Segundo o primeiro princípio da Declaração da Rio-92, "os seres humanos estão no centro da preocupação do desenvolvimento sustentável".

Reafirmo que o desenvolvimento sustentável é aquele que "satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades" (Brundtland, 1987). Para tanto, todas as formas de relação do ser humano com a natureza devem ocorrer com o menor dano possível ao meio ambiente. O turismo, atividade econômica analisada neste artigo, deve existir sempre com o intuito de preservar a biodiversidade e os próprios seres humanos, protegendo a vida do planeta. É preciso semear a sustentabilidade no turismo paraibano e pessoense. De acordo com um célebre provérbio chinês, "Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo que plantamos".

  

Considerações Finais

  

O dia 22 de março foi escolhido pela ONU (Organização das Nações Unidas) como o Dia Mundial da Água. Como ex-gerente comercial de uma multinacional israelense, a Arad do Brasil Tecnologia em Medição de Água Ltda., fui um dos principais responsáveis pelas importações de máquinas e equipamentos de Israel para o Brasil, assim como de muitos hidrômetros e peças de hidrômetros da marca ARAD para a Paraíba e outros estados brasileiros. Durante dois anos e dois meses aprendi com os judeus sobre o ouro do século XXI.

Hoje, a convite da Secretaria de Estado do Turismo e do Desenvolvimento Econômico (SETDE) do Governo do Estado da Paraíba estarei presente na 1ª Conferência Estadual sobre Desenvolvimento Sustentável: A Paraíba no Século XXI, que será realizada na terceira cidade mais antiga do Brasil. Irei com a certeza de grandes aprendizados, de valiosas trocas de informações, dados e conhecimentos. Posteriormente, participemos todos, no dia 26 de março de 2011, da campanha "Hora do Planeta" promovida pela WWF contra o aquecimento global. A atitude é bem simples: basta desligar a energia elétrica da sua residência por uma hora, das 20h30 às 21h30, no próximo sábado.

É bem provável que, se não tivesse lido trechos de artigos e livros de renomados economistas ou não economistas brasileiros e estrangeiros, eu não refletiria melhor sobre a sustentabilidade e o desenvolvimento sustentável na terra onde o sol nasce primeiro em pleno século XXI.

Enfim, o principal objetivo deste artigo é propagar a importância da sustentabilidade e do desenvolvimento sustentável durante e após a Conferência. Nosso principal e maior desafio é melhorar a qualidade de vida do povo paraibano e das suas futuras gerações.

 

Referências Bibliográficas

 

BROWM, Lester. Eco-Economia. Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/6305534/1/Eco-Economia-Lester-Brown. Acesso em 22 de março de 2011.

CAVALCANTI, Clóvis. (Org.) Desenvolvimento e natureza: estudo para uma sociedade sustentável. Disponível em: http://sala.clacso.org.ar/gsdl/cgi-bin/library?.Acesso em 22 de março de 2011.

CMMAD. Nosso Futuro Comum. 2ª ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1991.

DALY, Herman E. Beyond Growth: the economics of sustainable development. Boston: Beacon Press, 1998.

DE OLIVEIRA, Marcus Eduardo. Parar de crescer não significa parar de se desenvolver. Disponível em: http://www.zwelangola.com/index-lr.php?id=5378. Acesso em 22 de março de 2011.

 

FURTADO, Celso. O Mito do Desenvolvimento Econômico. 2ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1974.

 

GEORGESCU-ROEGEN, Nicholas. The Entropy Law and the Economic Process. Disponível em: http://college.holycross.edu/RePEc/eej/Archive/Volume12/V12N1P3_25.pdf. Acesso em 22 de março de 2011.

 

MAX-NEEF, Manfred. Desarrollo a Escala Humana: una opción para el futuro. Disponível em: http://www.dhf.uu.se/pdffiler/86_especial.pdf. Acesso em 22 de março de 2011.

  

SACHS, Ignacy. Desenvolvimento: includente, sustentável, sustentado. Rio de Janeiro: Garamond, 2004.

 

Economista, especialista em Gestão de RH, chefe da DPTI/SETUR/PMJP, professor de Estatística Aplicada ao Turismo na FATEC-JP, colunista do portal Paraíba Urgente, diretor cultural da AMET e autor dos livros digitais de Economia "RBCAI", lançado no site em português do jornal russo PRAVDA e "Reflexões Socioeconômicas", lançado no site do CORECON-PB. E-mail: paulogalvaojunior@gmail.com


[1]Além do Crescimento: a economia do desenvolvimento sustentável.

[2]Desenvolvimento em Escala Humana: uma opção para o futuro.

[3]A Lei da Entropia e o Processo Econômico.

[4]i) O Papel do Estado na Intervenção da Economia Capitalista; ii) Os Extremos Opostos do IDH 2010; e iii) A Roda-Gigante da Economia e o Carrossel da Educação no Brasil.

 

 


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