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Globalização : Internacionalização das empresas

03.01.2008
 
Pages: 1234
Globalização : Internacionalização das empresas

Por Luiz Machado*

"O Brasil, como todos sabem, foi descoberto em 1500; mas o
Brasil só descobriu o mundo há pouco mais de quinze anos".
Sergio Amaral

É com a frase da epígrafe que o embaixador e ex-ministro Sergio Amaral costuma, de forma bem humorada, reconhecer que a economia brasileira só se abriu para o mundo a partir de 1990, num processo de abertura - ainda hoje muito criticado por muitos - que deve muito ao presidente Fernando Collor.

A percepção dos brasileiros para esse processo de abertura foi, inicialmente, muito mais ligada à entrada, no Brasil, de empresas transnacionais e de produtos estrangeiros do que qualquer outra coisa.

De fato, após anos e anos sem ter acesso a produtos importados, a sensação de poder comprar artigos a que só se tinha acesso mediante pagamento de elevadas taxas de importação ou trazendo-os de viagens ao exterior, respeitados os limites legais, deixou muita gente deslumbrada e, em conseqüência disso, houve uma verdadeira orgia de consumo de vinhos, queijos, roupas, brinquedos e eletroeletrônicos, nem todos de boa qualidade.

A apreciação da moeda nacional ocorrida com a introdução da nova moeda, o real, tornou ainda mais acentuada essa explosão de consumo de importados, atingindo inclusive o setor automobilístico, visto que os preços dos automóveis importados ficaram bastante atraentes até o final dos anos 90, quando a taxa de importação sofreu elevação considerável.

Demorou muito tempo até que se percebesse que a abertura econômica é um processo de duas vias e que, em decorrência disso, havia possibilidade também para a ampliação da participação de nossas empresas e de nossos produtos em outros mercados. Feita a transição para essa nova etapa, constata-se uma presença inicial apenas de grandes empresas, o que apenas confirma a falsa impressão de que a internacionalização só é possível para grandes empresas.

Apenas de alguns anos para cá é que empresas de pequeno e médio porte atentaram para essa possibilidade, em parte por terem sido alertadas por consultores, analistas e publicações - novas e antigas - que deram realce a esse aspecto.
Tal processo de internacionalização de nossas empresas só ganhou força à medida que o Brasil superou, com êxito o duplo desafio que teve de enfrentar na década de 1990: o de se inserir na economia globalizada e o de fazer a transição da instabilidade para a estabilidade. O sucesso na superação desse duplo desafio contribuiu para a redução da forte oposição existente inicialmente em parcelas significativas da sociedade - em especial entre os jornalistas e professores - à globalização de um modo geral e à inserção do Brasil na economia globalizada em particular.


Dessa época aos dias de hoje, muita coisa mudou, e com exceção de alguns poucos que ainda se opõem radicalmente à globalização, normalmente com base em posições ideológicas e dogmáticas, prevalece a crença de que não existe a alternativa inserir-se ou não na economia globalizada.

Pensar numa estratégia de desenvolvimento autárquica ou isolacionista nas condições predominantes neste início de século beira a loucura e a insanidade. Exemplos como a China de Mao, a Albânia de Enver Hoxha e mesmo a Cuba de Fidel Castro são eloqüentes para mostrar as terríveis conseqüências desse tipo de opção.


Não havendo, portanto, alternativa, a questão que se coloca é como se inserir de forma positiva e digna na economia globalizada. Num artigo com o interessante título de Globrasilização: a globalização que interessa ao Brasil, Roberto Macedo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda na gestão de Marcílio Marques Moreira (início dos anos 90), faz uma lúcida abordagem a esse respeito. Também o embaixador Rubens Ricupero, com a clareza e o brilho que lhes são peculiares, abordou essa questão como se observa no trecho a seguir:

[...] aspecto merecedor de atenção é a prova de que as variedades virtuosas de inserção são superiores também em outros termos além da capacidade de produzir desenvolvimento econômico sustentado no tempo. Da mesma forma, elas deram origem a sociedades mais igualitárias e coesas, com menor índice de disparidades, politicamente estáveis. Como se baseiam na incorporação constante de tecnologia, estiveram necessariamente associadas a esforço de aprimoramento da educação e de promoção de cultura.

Em tais modelos, os componentes de eficiência econômica, distribuição dos benefícios da prosperidade, elevação do nível da educação e da cultura, participação na vida democrática, formam as peças interdependentes de um sistema em que cada um desses aspectos tende a reforçar os outros. Em contraste, a inserção perversa, além de perpetuar o atraso econômico, destila toda uma coleção de venenos sociais: concentração da riqueza e da renda, exclusão e marginalidade, instabilidade política, retardamento educacional, frustração das possibilidades de desenvolvimento cultural.

A maneira pela qual se efetivará a inserção é, por conseguinte, o fator decisivo na determinação não apenas do êxito econômico, mas de muitos dos atributos que farão de qualquer formação social uma experiência mais ou menos satisfatória de construção humana.

O presente artigo está dividido em duas partes: na primeira, aborda a fase de transição e a tomada de consciência do segmento das pequenas e médias empresas para a possibilidade de internacionalização; e na segunda, focaliza a questão específica da capacitação de quadros para as empresas que se internacionalizam.

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