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Revolução Colorida Levando à Guerra Civil na Bolívia

02.11.2019
 
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Revolução Colorida Levando à Guerra Civil na Bolívia

Edu Montesanti

Os manifestantes oposicionistas que inundam as ruas da Bolívia são, em geral, das classes média e alta. Agem baseados na manipulação da grande mídia, em discriminação e interesses econômicos da elite. O país  tem sido inundada por espiões, há vários anos - muito provavelmente, ativos da CIA.

Por outro lado, muitos manifestantes na Bolívia hoje são ex-eleitores de Evo Morales. Frustrados com o atual presidente, eles votaram principalmente em Carlos Mesa e no senador Oscar Ortiz nas eleições presidenciais deste 20 de outubro.

Todos são unânimes em apontar a indignação pela candidatura de Evo Morales pela quarta vez. Em 2016, ele perdeu um referendo (cheio de mentiras da oposição apoiada pelos EUA, e uma guerra midiática contra si) buscando elevar os limites do mandato. 

O Tribunal Constitucional da Bolívia decidiu, posteriormente, que a decisão violava os direitos humanos dos candidatos, para que ele pudesse concorrer a outro mandato. O que tem atraído muita raiva entre o povo boliviano. Embora a questão real não seja democracia, propriamente.

Morales Siginfica Esperança para a Bolívia


Muitos problemas atuais na Bolívia são antigos. Costumavam ser ainda piores do que atualmente, com o atual governo. Mas a corrupção ainda é um problema grave, inclusive no sistema de Justiça controlado pelo partido oficial. Saúde e educação públicas, são desastrosas.

O governo Morales reduziu a dependência da Bolívia do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), e obteve alguns resultados práticos para o povo, nunca alcançados em sua história: aumento real do salário mínimo, direitos dos trabalhadores e dos povos originários,são algumas das conquistas.

Recentemente, o presidente boliviano implementou o Sistema Único de Saúde, mutio tardiamente é verdade considerando seus quase 14 anos no poder. Por outro lado, nunca nenhum presidente boliviano havia feito nada semelhante.

O país está longe de estar modernizado, e de viver uma revolução como muitos dizem especialmente fora do solo boliviano, fato recentemente reconhecido por Eugenia Claros, analista local pró-Evo Morales, editora do jornal semanal Vision Z. É discutível um processo de mudança, algo dito no país por Morales e seus apoiadores. A verdade é que, com Evo Morales, há esperança para a Bolívia como com nenhum outro político boliviano hoje.

Revolução Colorida


Os oponentes de Morales disseram no final de semana anterior que começariam, no início desta semana, a obrigar mais pessoas, incluindo funcionários do governo, a participar dos protestos. "É bom para eles, é bom para a democracia boliviana", disse um eleitor do Mesa a este repórter no domingo à noite.

A maioria das pessoas em Santa Cruz de la Sierra, maior e mais rica cidade da Bolívia, diz que quer que as coisas acabem na violência fora de controle - uma guerra civil: "Não podemos perder esta oportunidade de derrubar esse presidente". Para um deles, esse autor falou sobre o passado de Mesa e a falta de projeto para o país. "O Mesa pode ser derrubado mais facilmente [que Morales] depois".

Uma desculpa para defender absolutamente nada, nestes dias sombrios no país sul-americano. Dias aterradores aquecidos dia a dia pela grande mídia - jornais, revistas, TVs e estações de rádio.

Rumo a uma Guerra Civil


Nestas quase duas semanas de maciças paralizações civis em todo o país, a oposição tem adotado um discurso pacífico e, em muitos casos, em seu comportamento também. Tudo isso, não mais que aparentemente. Esse não é realmente o espírito do denominado Paro Cívico em toda a Bolívia, que dia após dia, muitas vezes de forma oculta, revela sua verdadeira face.

Uma evidência disso reside nas expectativas dos manifestantes da oposição, de que tudo leva a um confronto sangrento. Para eles, a única e necessária medida capaz de derrubar o primeiro presidente indígena da Bolívia, já que muitas famílias e estudantes declaram esse tipo de coisa em praças agradáveis e pacíficas nestes dias, às vezes rindo.

Eles não se importam com democracia, embora o discurso oficial do Paro das massas seja pró-democracia: a maioria deles apóia os piores personagens da história política da Bolívia - Carlos Mesa é um deles, que meses atrás viajou aos Estados Unidos. De lá, Mesa voltou para a Bolívia com 10 milhões de dólares para sua campanha presidencial - uma quantia justificada pelo então candidato como proveniente de uma quermesses na terra do tio Sam.

Quando o presidente Gonzalo Sanchez de Lozada massacrou mais de 70 camponeses em 2003, tendo Mesa como vice-presidente, muitas pessoas em Santa Cruz de la Sierra disseram: "Que esses índios se matem!".

Infelizmente, a Bolívia vive polarizada entre ocidentais (collas) e orientais (cambas). Ambos os títulos pejorativos foram dados pela outra parte, acentuadamente rival. No Oriente, especialmente na Santa Cruz predominantemente branca, eles não se sentem bolivianos, mas apenas cruceños. Esta região do país tentou se separar da Bolívia em 2008. Em Santa Cruz, vê-se muito mais bandeiras locais que as nacionais. O Ocidente está composto, principalmente, por pessoas de pele vermelha. "Não são gente, são animais", nao é raro escutar em Santa Cruz de la Sierra sobre quem chamam de collas.

Nas motocicletas, os manifestantes - chamados pela grande mídia local de "o povo cívico" - patrulham permanentemente as ruas bolivianas. Não poucos, usando máscaras. Outros, patrulhando cidades com paus grandes. Mascarados também. Sem mencionar o incêndio contra instituições públicas em muitas regiões do país na semana passada, e cidades bloqueadas por quase duas semanas igualmente com atos violentos por parte dos "cívicos".

Os bloqueios propriamente, por si só configuram um tipo de violência grave, tomado o contexto boliviano. Os bloquadores das ruas exercem papel de Poíicia, com muita virulência. Fiscalizam se há carros particulares nas ruas, o que não permitem, revistam automóveis oficiais, e nesta quinta-feira (31) um policial foi agredido. Já falta comida em todo o país. As pessoas não têm mais dinheiro enquanto 80% da sociedade vive do comércio informal, nas ruas do país.

Na quarta-feira passada (30), os dois primeiros civis mortos nesses dias extremamente tensos na Bolívia foram vítimas, supostamente, dos eleitores de Morales (ou membros do partido oficial). De maneira repugnante, talvez pelo mesmo indivíduo que, com uma espingarda e uma máscara, assassinou covardemente dois homens nos arredores de Santa Cruz de la Sierra. um de 48 e outro de 60 anos. O primeiro foi baleado no rosto, entre outras partes do corpo.

O atirador atingiu em pessoas desarmadas, pois na maioria dos casos as massas de manifestantes saem às ruas desarmadas. No domingo passado, o presidente Evo Morales prometeu sitiar as cidades paralizadas na Bolívia. "Esvazie-se as cidades, pare de causar problemas. Se você quer desemprego, não há problema: nós o acompanharemos com cercos nas cidades para nos fazer respeitar, para ver se eles aguentam", disse.

Uma hipótese bastante possível, no entanto, é que os tiroteios que assassinaram dois manifestantes oposicionistas se trate de Bandeira Falsa, via de regra em revoluções coloridas.

O Movimento ao Socialismo (partido oficial), incluindo líderes dos trabalhadores, ameaçou na segunda-feira passada cortar água em La Paz se os protestos prosseguirem. Um completo absurdo, e contraprodutivo.

Se apoiantes do governo boliviano estiverem envolvidos nos assassinatos, estarão jogando, exatamente, o jogo proposto pelas elites locais. Certamente também, executando o cenário traçado pelo regime de Washington, que está por trás dessa Revolução Colorida na Bolívia.

A realidade é que o partido oficial não tem muito o que fazer de positivo, trancado em um profundo estado de corrupção e divisões internas, apesar de seus militantes e até o presidente Evo Morales se esforçarem muito para não demonstrar esse fato. Cidadania se constroi.

Causa Não Democrática


A OEA e observadores internacionais estão auditando as eleições bolivianas desde a última quinta-feira, mas isso parece longe de resolver o dilema boliviano: Mesa e seus apoiadores não querem mais auditoria nem segundo turno, mas uma nova eleição sem apresentar uma boa razão para isso. 

Muitos outros oponentes disseram que não querem nada disso, mas que Evo Morales possa ser expulso do cargo independentemente dos votos, independentemente dos meios ainda que seja com extrema violência. 

Não se trata de uma causa por democracia.

 


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