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O corredor euroasiático: A geopolítica dos pipelines e a nova guerra fria

02.09.2008
 
Pages: 12345
O corredor euroasiático: A geopolítica dos pipelines e a nova guerra fria

por Michel Chossudovsky

A actual crise no Cáucaso está intimamente relacionada com o controlo estratégico dos pipelines de energia e dos respectivos corredores de transporte. Há provas de que o ataque georgiano à Ossétia do Sul, em 7 de Agosto, foi cuidadosamente planeado. Nos meses que antecederam os ataques foram efectuadas consultas de alto nível com responsáveis dos EUA e da NATO .

Os ataques à Ossétia do Sul foram desencadeados uma semana depois de terminados os extensos jogos de guerra EUA-Geórgia (14-31/Julho/2008). Foram também antecedidos de reuniões de alto nível ao abrigo do GUAM, uma aliança militar regional patrocinada pelos EUA-NATO.

Cronograma da guerra na Géorgia

1-2/Julho/2008 – Cimeira do GUAM em Batumi, Geórgia.

1/Julho – "Cimeira EUA-GUAM" em paralelo com o encontro oficial do GUAM

5-12/Julho – O ministério russo da Defesa efectua Jogos de Guerra na região do Cáucaso Norte sob o nome de código "Fronteira Cáucaso 2008"

9/Julho – A China e o Casaquistão anunciam o início da construção do pipeline de gás natural Casaquistão-China (PCC)

15-31/Julho – Os EUA e a Geórgia efectuam Jogos de Guerra sob o nome de código Operação "Resposta Imediata". Participam neste exercício militar mil soldados norte-americanos

7/Agosto – Forças terrestres e aéreas georgianas atacam a Ossétia do Sul

8/Agosto – Forças russas intervêm na Ossétia do Sul

14/Agosto – Assinatura do Acordo EUA-Polónia sobre o estacionamento de "Mísseis Interceptores Americanos" em território polaco.

Introdução: A cimeira do GUAM

No início de Julho de 2008 foi efectuada uma cimeira regional na cidade georgiana de Batumi sob os auspícios do GUAM.

O GUAM é um acordo militar entre a Geórgia, a Ucrânia, o Azerbaijão e a Moldávia, instituído em 1997. Desde 2006, na sequência da retirada do Uzbequistão, o GUAM foi rebaptizado: Organização para a Democracia e Desenvolvimento Económico – GUAM (Geórgia, Ucrânia, Azerbaijão e Moldávia).

O GUAM tem pouco a ver com "Democracia e Desenvolvimento Económico". É na verdade um apêndice da NATO. Tem sido usado pelos EUA e pela Aliança Atlântica para alargar as suas zonas de influência até ao centro da antiga União Soviética.

O objectivo principal do GUAM enquanto aliança militar é "proteger" os corredores energéticos e de transporte, em prol dos gigantes petrolíferos anglo-americanos. Os países do GUAM também recebem ajuda e treino militar dos EUA-NATO.

A militarização destes corredores é uma característica central do planeamento dos EUA-NATO. A entrada da Geórgia e da Ucrânia na NATO faz parte da agenda de controlo dos corredores energéticos e de transporte desde a bacia do Mar Cáspio até à Europa Ocidental.

As reuniões de 1 e 2 de Julho de 2008 da Cimeira do GUAM em Batumi, sob a presidência do presidente Saakashvili, focaram a questão central dos pipelines e corredores de transporte. O tema da Cimeira era "GUAM – Integrando o Leste da Europa", de um ponto de vista económico e estratégico-militar, tendo em vista essencialmente isolar a Rússia.

Estiveram presentes os presidentes do Azerbaijão, Geórgia e Ucrânia (Ilham Aliyev, Mikheil Saakashvili e Viktor Yushchenko, respectivamente ), assim como os presidentes da Polónia, Lech Kaczynski, e da Lituânia, Valdas Adamkus. O chefe do Estado de Moldova recusou-se categoricamente a comparecer a esta cimeira.

Enfraquecer a Rússia

A agenda da Cimeira do GUAM centrou-se no objectivo de enfraquecer a influência de Moscovo no Cáucaso e na Europa de Leste. Esteve presente o presidente polaco.

As instalações dos EUA-NATO na Europa de Leste, incluindo o Escudo Anti-Mísseis (Missile Defense Shield) estão directamente relacionadas com a evolução da situação geopolítica no Cáucaso. Cerca de uma semana após as forças georgianas terem bombardeado a Ossétia do Sul, os EUA e a Polónia assinaram um acordo (14 de Agosto) que permite à Força Aérea americana instalar "mísseis interceptores" americanos em solo polaco:

"... Conforme estrategas militares assinalaram, os mísseis americanos na Polónia constituem uma ameaça directa à existência da nação russa. O governo russo chamou repetidas vezes a atenção para este facto desde que foram revelados pela primeira vez no início de 2007 os planos americanos. Agora, apesar das diversas tentativas diplomáticas feitas pela Rússia para chegar a um entendimento com Washington, a Administração Bush, na sequência de uma derrota humilhante dos EUA na Geórgia, pressionou o governo da Polónia para finalmente assinar o pacto. As consequências poderão ser inimagináveis para a Europa e para o planeta". (William Engdahl, Missile Defense: Washington and Poland just moved the World closer to War , Global Research, August 15, 2008).

A "Cimeira EUA-GUAM"

Pouco acompanhada pelos meios de comunicação, também se realizou em 1 de Julho a chamada "Cimeira EUA-GUAM" em simultâneo com o encontro da cimeira oficial do GUAM.

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