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Após fim de prazo, Argentina diz que não assinará acordo que comprometa futuro do país

02.08.2014
 
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Ministro Axel Kicillof diz que não assinará acordo que prejudique futuro dos argentinos "Fundos abutre" rejeitaram proposta do governo Kirchner para renegociação de dívida, anunciou ministro da Economia

Aline Gatto Boueri (*) | Buenos Aires

Após fim do prazo estipulado para negociação de dívida com detentores de bônus da dívida, o ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof, declarou na madrugada desta quinta-feira (31/07) que o país não assinará nenhuma acordo que possa prejudicar o futuro da nação. "Para Argentina é impossível tomar essa decisão (assinar acordo com valores estipulados por credores), pois queremos pagar a todos os credores com igualdade e equidade", disse Kicillof em coletiva de imprensa em Nova York.Com o fim do prazo à 0h de hoje (31) para evitar um calote técnico, a Argentina não entrou em acordo com os denominados "fundos abutre", detentores de bônus da dívida do país sul-americano que rejeitaram as reestruturações de 2005 e 2010.

O anúncio foi feito em coletiva de imprensa no consulado argentino de Nova York pelo ministro de Economia, Axel Kicillof. Segundo ele, foram oferecidas condições similares às definidas com os fundos que entraram nas últimas reestruturações. "Oferecemos 300% de lucro. Não aceitaram."

"A Argentina é um país soberano. O que os fundos abutres pedem é impossível. Queremos um diálogo que não viole nossas próprias leis e contratos", disse o ministro. Kicillof também afirmou que a obrigação dos funcionários é defender o direito dos argentinos, por isso "não podem assinar qualquer coisa" que possa gerar um incremento extraordinário da dívida argentina.

Desde 2012, a Argentina tentava uma revisão da sentença do juiz nova-iorquino Thomas Griesa, que determinou que o país deveria pagar integralmente a dívida com os fundos Aurelius Management e NML Capital, uma unidade da Elliott Management, do bilionário Paul Singer.

Simpatizantes saíram às ruas hoje para defender as decisões do governo de Cristina KirchnerO governo argentino tinha esperança que Griesa reestabelecesse uma cautelar à sua própria sentença, para que o país pudesse negociar com os fundos litigantes sem a pressão do calote iminente.

Os "fundos abutre" ganharam esse nome porque, em 2008, compraram bônus da dívida argentina -em moratória desde 2001 - no mercado secundário, a um valor nominal muito inferior ao que ganharam o direito de receber na justiça norte-americana. Segundo dados do governo argentino, os bônus da dívida foram comprados por US$ 48,7 milhões, enquanto a sentença de Griesa obriga a Argentina a pagar US$1,5 bilhão aos fundos litigantes.

"Nestas manhã e tarde, representantes da República da Argentina, liderados pelo ministro da Economia, Axel Kicillof, e representantes dos holdouts (fundos que não aderiram às reestruturações da dívida) mantiveram novos encontros diretos em meu escritório e em minha presença. Infelizmente, nenhum acordo foi alcançado e a República da Argentina está iminentemente em default.Hoje, 30 de julho, era o última dia para que a República da Argentina pagasse várias centenas de milhões de dólares de juros aos detentores de bônus da troca (...) Para fazer esses pagamentos, porém, a República da Argentina também foi ordenada a simultaneamente pagar os detentores de títulos que recusaram as trocas de 2005 e 2010, isto é, os holdouts.

A República da Argentina não atendeu essas condições e, como resultado, entrará em default", afirmou o mediador Daniel Pollack, em comunicado.GriefaultEm seus discursos das últimas semanas, a presidente Cristina Kirchner afirmou que o mercado financeiro seria obrigado a inventar outro nome para a situação da Argentina, já que o país é solvente e tem disposição de pagar a seus credores, mas foi impedido por uma sentença judicial.Em Buenos Aires, o possível desfecho negativo para a Argentina foi apelidado de Griefault por militantes kirchneristas, que instalaram o termo nas redes sociais e em alguns meios de comunicação.American Task ForceNo começo de julho, um grupo de representantes dos "fundos abutres" passou publicar comunicados nos principais jornais do país e lançou uma contagem regressiva para o calote argentino, que o grupo alega ser responsabilidade exclusiva de Buenos Aires.

O ATFA (Força de Tarefas Americana para a Argentina, na sigla em inglês) incrementou a presença nos meios de comunicação e reproduziu matérias críticas ao governo argentino em uma página lançada especialmente para o lobby a favor dos fundos de investimento, a Fact Check Argentina. Na página, os lobbistas disponibilizaram uma série de contrastes entre o que chamaram de mitos e fatos sobre a disputa judicial entre o governo sul-americano e os bonistas.

Fonte: Opera Mundi*(*) Com Redação e Agência Efehttp://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=cbe68589759f566354b16b634b2ac6b8&cod=14114


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