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Trocando a insanidade econômica pela economia solidária

01.02.2010
 
Pages: 12
Trocando a insanidade econômica pela economia solidária

Marcus Eduardo de Oliveira

É fato inconteste que por meio do comportamento econômico é possível compreender a atual situação do mundo, em suas dimensões econômicas e sociais. E, ao compreender essa atual situação que se desenrola nesse século XXI, com 1 bilhão de pessoas passando fome, segundo dados divulgados pela ONU (Organização das Nações Unidas), torna-se inadmissível aceitar a existência de um modelo econômico que produz riqueza gerando pobreza; que eleva a produção agredindo o meio-ambiente; que fabrica bens à base da subordinação de muitos mediante a precarização cada vez mais intensa das relações de trabalho; que faz uso de trabalho escravo e infantil; que desumaniza as relações econômicas em troca do lucro rápido.

Isso é simplesmente uma insanidade econômica que produz para o gosto de alguns apenas extravagâncias e, em nada, absolutamente em nada, contribui para a efetivação do bem-estar coletivo, distanciando-se, pois, do objetivo principal dos modelos econômicos, qual seja: consolidar o desenvolvimento econômico.

Exemplos dessa insanidade econômica não faltam e ganham, a cada dia, maior visibilidade. Enquanto de um lado poucos ganham muito, do outro, muitos sofrem e nada ganham. Essa insanidade econômica parece não ter limites e se reproduz, por consequência, cada vez mais usando trabalho infantil e escravo. Os exemplos disso saltam aos olhos de todos que querem ver. Lojas de tapetes na Índia, no Nepal e no Paquistão usam quase um milhão de crianças na linha de produção. Vários são os casos em que muitas dessas crianças atingiram a cegueira devido ao longo tempo em que passaram costurando.

As casas de prostituição tailandesas, indianas e birmanesas usam meninas de 10 e 11 anos de idade, numa submissão sexual sem precedentes. De igual forma, em várias cidades da região Nordeste do Brasil, são “vendidos” pela rede internet a estrangeiros em visitas às cidades “programas sexuais” com adolescentes menores de 15 anos de idade.

No Oriente Médio, nas famosas corridas de camelo, os jóqueis são meninos entre 12 e 15 anos “comprados” por comerciantes e tratados com brutalidade, da mesma forma como também são tratados os camelos.

No Camboja, a indústria de tijolos e telhas faz uso de meninos descalços e sem nenhuma proteção para o transporte desse produto. Razão pela qual muitas crianças aparecem com braços, pernas e dedos cortados pelo manuseios dos pesados tijolos.

A Nike, fabricante de calçados esportivos, enquanto enche ano a ano seus cofres e torra fortuna em publicidade, continua usando trabalho infantil na Indonésia. A Adidas, outra marca de reconhecimento internacional, fechou fábricas na Europa e transferiu grande parte de sua produção para a Ásia, aproveitando assim a mão-de-obra de baixíssimo custo.

No estado de Tamil Nadu (sul da Índia) quase 400 mil meninos e meninas trabalham manualmente produzindo cigarros da marca “beddies” vendidos exclusivamente a elevado preço no mercado local. O “salário” desses meninos e meninas não ultrapassa 30 centavos de dólar por hora.

Os brinquedos distribuídos junto aos lanches das redes alimentícias Mc Donald´s, Bobs e Burger King, em mais de 140 países, são feitos por crianças com idade entre 11 e 14 anos em galpões sem nenhuma ventilação, a maioria deles localizados em Taiwan. Essas crianças chegam a trabalhar entre 10 e 12 horas por dia em troca de ninharias ao final do mês; grande parte delas apresentam queimaduras em mãos e braços, mediante o uso de componentes químicos. No entanto, em 2008, somente a rede Mc Donald´s anunciou um lucro recorde de US$ 4,3 bilhões (US$ 3,76 por ação) atendendo, em média, 58 milhões de consumidores por dia.

Ainda em termos de brinquedos infantis, talvez os casos mais infelizes aconteçam nas fábricas na China, onde trabalham 70 milhões de crianças e adolescentes. Esse país asiático é o maior exportador de brinquedos do mundo, usando aproximadamente 6 mil fábricas situadas na maior parte na chamada "terra dos brinquedos", a província de Guangdong (sudeste do país).

Desse local procedem, por exemplo, o boneco "Buzz Lightyear" (do desenho "Toy Story"), um dos mais populares da Walt Disney. Há ainda uma ampla gama de produtos da empresa Mattel, a fabricante das bonecas “Barbie”. A mão-de-obra infantil usadas nessas fábricas é remunerada a 13 centavos de dólar por hora, numa jornada diária de 14 horas de trabalho. Por sua vez, em 2007, o lucro da Mattel atingiu US$ 379,6 milhões (US$ 1,05 por ação).

No Brasil, apesar da lei estabelecer 16 anos como a idade mínima para o ingresso no mercado de trabalho, mais de 5 milhões de crianças e jovens entre 7 e 15 anos trabalham nesse país, segundo pesquisa do IBGE – grande parte delas na agricultura.

De acordo com dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e do Programa Internacional de Eliminação do Trabalho Infantil ( IPEC ), base 2006, existem no mundo cerca de 350 milhões de crianças entre 5 e 16 anos envolvidas em alguma atividade econômica. Entre elas, cerca de 250 milhões são submetidas a condições consideradas de exploração, o que equivale a uma criança em cada seis no mundo. Destas, 170 milhões trabalham em condições perigosas e 76 milhões têm idade inferior a 10 anos. A maior parte deste “exército de mini-trabalhadores” (entre 5 e 14 anos de idade) vive na Ásia (127 milhões) e na África e Oriente Médio (61 milhões).

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